Filipinas acatam pedido do TPI para prender senador Ronald Dela Rosa
15 MAI

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Cotidiano
Patrícia Soares Rocha Por Patrícia Soares Rocha - Há 10 dias
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O ministro da Justiça das Filipinas, Fredderick Vida, confirmou nesta sexta-feira (15) que o país irá cumprir o pedido do Tribunal Penal Internacional (TPI) para prender o senador Ronald Dela Rosa. Ele é procurado por supostos crimes contra a humanidade relacionados à sua participação na violenta "guerra contra as drogas" durante o governo do ex-presidente Rodrigo Duterte. O mandado de prisão foi emitido em novembro e, segundo Vida, o governo filipino recebeu oficialmente a solicitação do TPI.

Na última quarta-feira (13), Dela Rosa, que era chefe de polícia e supervisionou a repressão ao narcotráfico, fugiu do Senado onde estava refugiado, em um movimento que sua esposa chamou de "fuga". Até o momento, o paradeiro do senador é desconhecido. O secretário de Justiça das Filipinas declarou que o país "definitivamente" acatará o mandado do TPI, reforçando a responsabilidade do governo em garantir que a justiça seja feita.

O TPI já possui um mandado de prisão contra o ex-presidente Rodrigo Duterte, que se encontra detido em Haia, devido a acusações de crimes contra a humanidade. Duterte nega todas as acusações e, se condenado, poderá se tornar o primeiro ex-chefe de Estado asiático a ser julgado pelo tribunal.

Jesus Crispin Remulla, chefe anticorrupção e ouvidor das Filipinas, afirmou que a fuga de Dela Rosa é um sinal de culpa e que ele deve enfrentar as acusações. "A fuga é um indício de culpa, certo? Esse é um princípio básico do direito penal", comentou. Remulla enfatizou que os senadores devem ser exemplos e que Dela Rosa deve ser responsabilizado por suas ações.

O Departamento de Justiça já emitiu um alerta de imigração e qualquer tentativa de Dela Rosa de deixar o país será considerada uma afronta à justiça. Vida também mencionou que já foi emitida uma ordem de prisão caso ele tente fugir. Embora o governo tenha informações sobre o paradeiro de Dela Rosa, uma busca ainda não foi iniciada, pois a prisão é condicional.

Dela Rosa recorreu ao Supremo Tribunal, argumentando que o TPI não tem jurisdição sobre ele, uma vez que as Filipinas se retiraram do Estatuto de Roma em 2019. Ele nega qualquer envolvimento em homicídios ilegais, e o Supremo Tribunal será o responsável por decidir o futuro do caso.

Além da situação do senador, o ouvidor Jesus Crispin Remulla anunciou a suspensão por seis meses do chefe de segurança do Senado, após um incidente de tiros na câmara alta na quarta-feira. O sargento de armas do Senado, Mao Aplasca, admitiu ter disparado o primeiro tiro de advertência durante um confronto com agentes do Departamento Nacional de Investigação. Tropas foram enviadas ao Senado depois que Dela Rosa incitou seus apoiadores a se mobilizarem contra a prisão iminente.

O presidente Ferdinand Marcos Jr. pediu calma e assegurou que nenhum membro do governo estava envolvido no incidente. As autoridades policiais e o Senado estão investigando o ocorrido. Em conformidade com a Constituição das Filipinas, o Provedor de Justiça tem autoridade para disciplinar funcionários públicos e pode impor suspensão preventiva enquanto as investigações estão em andamento. Remulla foi enfático: "Atirar contra policiais? Não toleramos isso. Que direito ele tem de fazer isso? Nem mesmo o presidente faria isso."

Desta forma, a situação envolvendo o senador Ronald Dela Rosa e o pedido do TPI coloca em evidência a necessidade de um sistema judiciário forte e independente. A fuga do senador não apenas levanta suspeitas sobre sua culpabilidade, mas também revela um problema mais profundo na política das Filipinas, onde a impunidade parece prevalecer.

Além disso, a postura do governo filipino em acatar o mandato do TPI pode ser vista como uma tentativa de restaurar a confiança nas instituições do país, que foram severamente abaladas durante o governo de Duterte. A expectativa é que essa ação possa sinalizar um novo compromisso com a justiça e com os direitos humanos.

Por fim, é fundamental que a população filipina e a comunidade internacional acompanhem de perto os desdobramentos deste caso. A responsabilização de líderes políticos por suas ações é essencial para o fortalecimento da democracia e da justiça no país. O que se espera agora é que o Supremo Tribunal atue de forma imparcial e justa.

Assim, a pressão sobre as autoridades para que mantenham a ordem e a legalidade deve ser constante. As Filipinas precisam demonstrar que a lei se aplica a todos, independentemente de sua posição política. É um momento crucial para o futuro do país e para a sua imagem no cenário internacional.

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Patrícia Soares Rocha

Sobre Patrícia Soares Rocha

Antropóloga com foco em cultura popular e tradições brasileiras. Atua pesquisando costumes rurais e folclore regional. Paixão por literatura nacional contemporânea. Dedica-se ao bordado livre artesanal nas horas vagas.