Filme 'Dark Horse' gera polêmica ao retratar Jair Bolsonaro como figura divina
15 MAI

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Gabriela Bezerra Vaz Por Gabriela Bezerra Vaz - Há 9 dias
8927 5 minutos de leitura

O filme "Dark Horse", que tem estreia programada para o dia 11 de setembro, está no centro de uma controvérsia ao apresentar o ex-presidente Jair Bolsonaro como uma figura quase divina, levantando questões sobre a maneira como a política e a cultura se entrelaçam. Este longa-metragem, que busca explorar os aspectos humanos e sagrados da figura de Bolsonaro, também se destaca por suas polêmicas nos bastidores, principalmente em relação ao financiamento e ao tratamento de trabalhadores envolvidos na produção.

O roteiro, ao qual a reportagem teve acesso, traz uma cena em que uma jornalista questiona Bolsonaro sobre sua essência, ao que ele responde que é "algo que você nunca encontrou — um homem". Essa e outras partes do filme, como descrições de Bolsonaro como um salvador que luta contra "abutres" e "doenças infecciosas", têm gerado críticas, especialmente devido à forma como o ex-presidente é glorificado nas falas e nas descrições do roteiro.

Recentemente, o site The Intercept Brasil divulgou um áudio que envolve Daniel Vorcaro, um dos financiadores do filme, e o pré-candidato ao Planalto, Flávio Bolsonaro. No áudio, Flávio pede a Vorcaro um aporte financeiro para terminar a produção do filme, que, segundo informações, já recebeu R$ 61 milhões de um total de R$ 134 milhões acordados. Essa situação levanta suspeitas sobre a origem dos recursos e a influência política no projeto.

Além das questões financeiras, o filme também enfrentou críticas relacionadas ao tratamento de profissionais durante as filmagens. Relatos de abusos, como agressões a figurantes brasileiros, assédio moral, e condições inadequadas de trabalho, foram documentados por um relatório do Sated-SP, o Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de São Paulo. Essas denúncias afetam não apenas a reputação da produção, mas também levantam questões sobre a ética no ambiente de trabalho dentro da indústria cinematográfica.

O filme, que mistura atores brasileiros e americanos, é dirigido por Cyrus Nowrasteh e tem no elenco o ator Jim Caviezel, conhecido por seu papel como Jesus em "A Paixão de Cristo", além de outros nomes como Camille Guaty e Edward Finlay. A produção foi idealizada por Mário Frias, ex-secretário especial de Cultura, que defende que a obra é uma "superprodução hollywoodiana". Entretanto, a ausência do registro na base de dados da Ancine, a Agência Nacional do Cinema, levanta dúvidas sobre sua viabilidade para exibição comercial no Brasil.

A narrativa do filme inclui cenas que parecem buscar um apelo emocional forte, como uma em que uma idosa chamada Dolores, segurando a Bíblia, abençoa Bolsonaro, afirmando que foi enviada por Deus. Essa representação reforça a ligação entre a fé e a política, um tema recorrente na trajetória do ex-presidente.


Desta forma, a produção de "Dark Horse" não é apenas um filme, mas uma manifestação de como a arte pode se entrelaçar com a política. O retrato de Jair Bolsonaro como uma figura divina reflete uma tentativa de legitimar sua imagem entre os eleitores, evidenciando a polarização que marca o cenário político brasileiro.

Em resumo, a controvérsia em torno do financiamento e das condições de trabalho nas gravações suscita uma discussão necessária sobre a ética na indústria do entretenimento. A busca por recursos que envolvem figuras políticas e financeiras pode prejudicar a integridade artística e a credibilidade do projeto.

Assim, a forma como o filme é lançado e recebido pelo público pode influenciar diretamente a percepção da sociedade sobre a figura de Bolsonaro, especialmente em um ano eleitoral. A narrativa construída em "Dark Horse" pode não apenas moldar a imagem do ex-presidente, mas também afetar a opinião pública em um contexto onde a desinformação e a manipulação são preocupações constantes.

Por fim, é essencial que a sociedade esteja atenta a produções que misturam política e cultura de maneira tão explícita, pois isso pode impactar diretamente a democracia e a formação de opinião. O papel da crítica e da análise se torna fundamental para discernir entre a arte e a propaganda.

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Gabriela Bezerra Vaz

Sobre Gabriela Bezerra Vaz

Sommelier e especialista em Estilo de Vida de alto padrão. Atua organizando eventos corporativos e degustações guiadas. Paixão por vinhos franceses e queijos artesanais. Pratica yoga clássica para manter o equilíbrio.