Imigrantes cubanos deportados enfrentam violações de direitos e dificuldades no México, aponta HRW
27 MAI

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Cotidiano
Helena Vieira Martins Por Helena Vieira Martins - Há 3 dias
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Milhares de imigrantes cubanos deportados dos Estados Unidos estão enfrentando sérias violações de seus direitos e se encontram em um "limbo jurídico" no México. Essa situação, que tem gerado preocupações significativas, foi destacada em um novo relatório da Human Rights Watch (HRW), publicado nesta quarta-feira, 27 de setembro de 2023. O documento baseia-se em uma análise de dados de deportações que ocorreram entre janeiro de 2025 e março deste ano, além de entrevistas realizadas com autoridades e imigrantes que foram deportados.

Desde o início do governo do ex-presidente Donald Trump, a política de imigração dos Estados Unidos passou a ser mais rigorosa, com um aumento considerável no número de deportações. Para cumprir essa meta, a administração optou por enviar imigrantes para países que não são suas nações de origem. O México, por exemplo, recebeu um total de 12.977 imigrantes de várias nacionalidades, tornando-se o principal destino. Honduras e Canadá foram os outros países que receberam imigrantes deportados, com 1.352 e 1.066, respectivamente.

Entre os deportados, um número significativo é composto por cubanos, totalizando 4.353 indivíduos. A HRW relatou que entrevistou 41 desses imigrantes, muitos dos quais residiam nos Estados Unidos há várias décadas. Eles relataram que foram detidos em diversas situações, como durante consultas de supervisão com o Serviço de Imigração e Controle de Alfândega ou em situações cotidianas, como a caminho do trabalho.

O relatório também destaca que 35 dos entrevistados perderam seus green cards devido a condenações, frequentemente por infrações como dirigir sob a influência de álcool ou por acusações menores relacionadas a drogas. Outros enfrentaram condenações mais sérias, como agressão. A HRW aponta que a falta de acordos de deportação com Cuba impossibilitou a deportação dessas pessoas para seu país de origem. Como resultado, muitos acreditavam que poderiam continuar a viver nos EUA sem risco de deportação, já que possuíam permissões de trabalho e se estabeleciam com suas famílias.

Entretanto, essa situação mudou drasticamente com o endurecimento da política de imigração no segundo mandato de Trump. Muitos cubanos começaram a ser detidos, especialmente na Flórida, onde foram levados a centros de detenção em condições frequentemente descritas como desumanas. A HRW documentou esses relatos, afirmando que as pessoas detidas eram impedidas de contestar as ordens de deportação.

Um dos relatos que mais chamou a atenção da HRW é o de Fermín, um cubano de 52 anos que esteve detido no centro de detenção conhecido como Alligator Alcatraz, na Flórida. Ele relatou condições precárias, incluindo água contaminada e alimentação inadequada, além de muitos detentos doentes. Outros testemunhos confirmaram episódios de violência verbal e física, e 15 entrevistados mencionaram ter vivenciado agressões em diferentes centros de detenção.

Após a deportação, os imigrantes cubanos chegam a cidades na fronteira sul do México, como Tapachula, no estado de Chiapas, e Villahermosa, no estado de Tabasco. Nessas localidades, enfrentam dificuldades para regularizar sua situação, principalmente pela falta de documentos. A principal alternativa para muitos é solicitar asilo, um processo que se tornou lento e complicado devido ao crescente número de pedidos.

Um dos entrevistados, Emiliano, de 47 anos, expressou a sensação de estar preso em Villahermosa, temendo a violência de grupos criminosos locais. Além disso, muitos imigrantes relatam problemas de saúde e dificuldades para acessar atendimento médico, uma vez que não possuem um CURP, código necessário para identificação no México, que os hospitais exigem para prestar atendimento.

O relatório da HRW alerta que, ao não oferecer acesso efetivo ao asilo e alternativas para a obtenção de residência permanente para cubanos e outros imigrantes, o México, na prática, está condenando essas pessoas a uma situação de incerteza e vulnerabilidade.

Os cubanos deportados também expressaram ceticismo em relação à ajuda que poderiam receber de seu país de origem, e muitos acreditam que as probabilidades de retorno a Cuba são baixas. Esses relatos evidenciam uma crise humanitária que exige atenção e ação por parte da comunidade internacional.

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Helena Vieira Martins

Sobre Helena Vieira Martins

Graduanda em Sociologia, analisa os fenômenos do cotidiano das grandes metrópoles brasileiras. Paixão por fotografia de rua e cinema clássico europeu. Adora fazer trekking e trilhas longas em parques nacionais.