Obesidade é o principal fator de risco à saúde no Brasil, segundo estudo
15 MAI

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Saúde
Marina Souza Peroni Por Marina Souza Peroni - Há 10 dias
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A obesidade se consolidou como o maior fator de risco à saúde no Brasil, superando a hipertensão, que por anos foi considerada a principal preocupação em saúde pública. Esse dado alarmante foi revelado na análise nacional do Estudo Global sobre Carga de Doenças, que envolve milhares de pesquisadores de diversas partes do mundo e abrange mais de 200 países. A publicação desse diagnóstico foi feita na edição de maio da revista científica The Lancet Regional Health - Americas.

O estudo aponta que a população brasileira vivenciou mudanças significativas em seu estilo de vida nas últimas décadas, com o aumento da urbanização e a consequente diminuição dos níveis de atividade física. Essas transformações estão ligadas à adoção de dietas hipercalóricas, que são ricas em sal e contêm um alto consumo de alimentos ultraprocessados. O endocrinologista Alexandre Hohl, que faz parte da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, ressalta que esses hábitos alimentares e comportamentais criaram um "ambiente obesogênico" no Brasil.

Hohl enfatiza que a obesidade deve ser encarada como um dos maiores desafios de saúde pública do país. Ele explica que a obesidade não se resume ao excesso de peso, mas é uma doença crônica inflamatória e metabólica que aumenta o risco de várias condições graves, como diabetes tipo 2, hipertensão, infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e diversos tipos de câncer.

A comparação dos dados atuais com os de 1990 evidencia o crescimento alarmante da obesidade. Naquele ano, os principais fatores de risco à saúde eram a hipertensão, o tabagismo e a poluição do ar. O Índice de Massa Corporal (IMC) elevado ocupava a sétima posição, enquanto a glicemia elevada estava na sexta. Agora, em 2023, a obesidade é o fator de risco número um, com um aumento significativo de 15,3% desde 1990.

Ao analisar o cenário de 1990 para 2023, percebe-se que, embora alguns fatores de risco, como a poluição do ar, tenham diminuído drasticamente (com uma queda de 69,5%), outros, como o tabagismo, apresentaram uma leve alta de 0,2% nos últimos dois anos, após um longo período de queda. Além disso, o risco associado à violência sexual na infância aumentou quase 24%, saltando da 25ª para a 10ª posição entre os riscos à saúde.

Atualmente, os dez principais fatores de risco à mortalidade ou à perda de qualidade de vida são: índice de massa corporal elevado, hipertensão, glicemia elevada, tabagismo, prematuridade ou baixo peso ao nascer, abuso de álcool, poluição particulada do ar, mau funcionamento dos rins, colesterol alto e violência sexual na infância.


Desta forma, a crescente prevalência da obesidade no Brasil deve ser um sinal de alerta para as autoridades de saúde e a sociedade em geral. A mudança no estilo de vida da população, com a adoção de uma alimentação pouco saudável e a diminuição da atividade física, deve ser uma prioridade nas políticas de saúde pública.

A implementação de campanhas de conscientização sobre alimentação saudável e a importância da prática de exercícios físicos é fundamental. Além disso, a promoção de ambientes que incentivem hábitos saudáveis pode ajudar a reverter esse quadro preocupante.

É crucial que as ações de prevenção à obesidade sejam integradas a esforços mais amplos para abordar problemas como a violência e a poluição, que também afetam a saúde da população. O combate à obesidade não é apenas uma questão de saúde física, mas envolve aspectos sociais e econômicos que demandam uma abordagem multifacetada.

Portanto, a sociedade precisa se unir em torno de soluções que promovam uma vida mais saudável, com foco na educação alimentar e no incentivo a práticas que melhorem a qualidade de vida. Somente assim será possível reverter a tendência alarmante do aumento da obesidade no Brasil.

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Marina Souza Peroni

Sobre Marina Souza Peroni

Médica endocrinologista e mestre em Bioética Médica. Atua em hospitais da rede privada focada em longevidade e saúde integrativa. Paixão por saúde preventiva. Participa ativamente de um coro coral amador local.