Londres vive intensas manifestações enquanto governo Starmer enfrenta turbulências políticas
16 MAI

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Cotidiano
Helena Vieira Martins Por Helena Vieira Martins - Há 8 dias
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No último sábado (16), Londres foi palco de grandes manifestações que reuniram milhares de pessoas em um cenário de tensão política. Os protestos foram organizados pelo movimento "Una o Reino", liderado pelo ativista de extrema-direita Tommy Robinson, e por grupos que apoiam a causa palestina, em um contexto onde a pressão sobre o primeiro-ministro Keir Starmer aumenta. As marchas mobilizaram mais de 4 mil policiais, que foram convocados para garantir a segurança nas ruas da capital britânica.

Os manifestantes da extrema-direita se concentraram na Praça do Parlamento, portando bandeiras do Reino Unido e usando bonés com a frase "Make England Great Again (Mega)". Eles protestam contra o que consideram uma crescente discriminação contra pessoas brancas no país. Tommy Robinson, cujo nome verdadeiro é Stephen Yaxley-Lennon, é conhecido por suas opiniões anti-imigração e por declarações consideradas xenófobas. Antes do início da marcha, ele fez uma publicação em suas redes sociais, afirmando: "Hoje, nós unimos o Reino e o Ocidente na maior expressão patriótica que o mundo já viu".

Além das vozes ultranacionalistas que clamam pela renúncia de Keir Starmer, que enfrenta um dos piores momentos de seu governo, protestos em apoio aos palestinos também tomaram conta das ruas. Manifestantes que defendem a causa palestina carregavam cartazes contra a extrema-direita e pediam pela libertação de "reféns palestinos", usando o tradicional lenço quadriculado, conhecido como kaffiyeh, que é comum no Oriente Médio. Essa divisão ideológica entre os grupos foi monitorada de perto pelas forças de segurança, que estabeleceram uma zona tampão entre as marchas.

A Polícia Metropolitana de Londres considera a operação uma das mais significativas dos últimos anos, empregando drones, cavalos e cães policiais, além de manter veículos blindados em prontidão. Até o momento, 11 pessoas foram presas por diversos crimes e infrações, embora as autoridades não tenham especificado o número de detenções relacionadas a cada protesto. Além das manifestações, a polícia também lida com o fluxo de torcedores que se dirigem ao estádio de Wembley para a final da Copa da Inglaterra, onde Chelsea e Manchester City se enfrentam.

As manifestações encerram uma semana caótica para Keir Starmer, que é o líder do Partido Trabalhista. Recentemente, quatro ministros pediram demissão e quase 80 parlamentares assinaram uma carta pedindo que ele renunciasse. Entre os ministros que deixaram seus cargos está Wes Streeting, ex-ministro da Saúde, que já manifestou a intenção de concorrer à liderança do partido em uma futura eleição. Streeting afirmou: "Eu estarei em qualquer disputa de liderança para dar sucessão a Starmer".

A crise no governo trabalhista se intensificou após os resultados desastrosos nas eleições municipais e regionais do início de maio, onde o partido de Starmer perdeu aproximadamente 1.500 cadeiras em conselhos locais. Essa derrota foi interpretada como um teste à popularidade do primeiro-ministro, que tem enfrentado uma queda significativa desde que assumiu o cargo há menos de dois anos. O governo também enfrenta dificuldades em cumprir promessas de crescimento econômico, melhorias nos serviços públicos, reformas no sistema de assistência social e na redução do custo de vida.

Além disso, embora o Partido Trabalhista tenha defendido a permanência do Reino Unido na União Europeia durante o referendo de 2016, a liderança atual evita retomar essa discussão, que ainda é fonte de divisão no país. A situação política continua a se desdobrar, enquanto as manifestações refletem as tensões sociais e políticas que permeiam a sociedade britânica neste momento.

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Helena Vieira Martins

Sobre Helena Vieira Martins

Graduanda em Sociologia, analisa os fenômenos do cotidiano das grandes metrópoles brasileiras. Paixão por fotografia de rua e cinema clássico europeu. Adora fazer trekking e trilhas longas em parques nacionais.