Ministério Público do Rio de Janeiro propõe falência da Refit após mais de uma década em recuperação judicial
26 MAI

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Economia
Arthur Jamil Penna Por Arthur Jamil Penna - Há 1 hora
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O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) protocolou na Justiça, nesta terça-feira (26), um pedido para que a recuperação judicial da Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, seja convertida em falência. O órgão afirma que a empresa não conseguiu atingir os objetivos de reestruturação econômica e financeira propostos na legislação, mesmo após mais de dez anos em recuperação judicial.

De acordo com o MPRJ, a dívida fiscal da Refit cresceu significativamente, saltando de cerca de R$ 5 bilhões para aproximadamente R$ 25,7 bilhões. Essa situação demonstra a ineficácia do processo de recuperação judicial, que, em vez de sanar as finanças da refinaria, tem contribuído para o aumento do passivo tributário. O relatório do MP destaca que a empresa tem mantido uma inadimplência tributária persistente nos últimos anos, com mais de 80% dos tributos devidos entre 2022 e 2024 não pagos.

O Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (GASF) também mencionou investigações que revelam um modelo de atuação da Refit que pode estar associado à sonegação fiscal e fraudes estruturadas. Entre os indícios levantados estão práticas de ocultação patrimonial e a utilização de mecanismos que dificultam a cobrança de tributos.

Na visão do Ministério Público, a manutenção da recuperação judicial tem gerado efeitos contrários ao que era esperado, contribuindo para o aumento contínuo das dívidas tributárias e trazendo impactos negativos à ordem econômica e ao interesse público. O MP também ressalta que a Refit não tem cumprido as obrigações estabelecidas no plano de recuperação judicial, não atualizando informações sobre suas dívidas tributárias e não adotando medidas efetivas para quitar os débitos, mesmo após prazos concedidos pela Justiça.

Foram relatados também descumprimentos de parcelamentos tributários que eram condições para a manutenção da recuperação judicial. Outro ponto que chamou a atenção do MPRJ é a suspeita de esvaziamento patrimonial, com a retirada de bens e recursos da empresa, o que dificulta ainda mais o pagamento das dívidas, principalmente as tributárias.

A manifestação do MPRJ menciona tentativas frustradas de bloqueio de ativos e decisões judiciais que reconhecem a existência de um grupo econômico que estaria associado à ocultação patrimonial. Esse cenário levanta preocupações sobre a real capacidade da Refit de se reerguer e cumprir com suas obrigações financeiras.

Desta forma, a situação da Refit levanta importantes questões sobre a eficácia dos processos de recuperação judicial no Brasil. O caso evidencia a necessidade de um monitoramento mais rigoroso por parte das autoridades competentes, a fim de evitar que empresas em dificuldades financeiras se tornem um ônus ainda maior para a economia.

Além disso, a persistente inadimplência tributária e as práticas de sonegação reveladas nas investigações enfatizam a urgência de uma reforma no sistema tributário, que possa proporcionar um ambiente mais justo e eficiente tanto para as empresas quanto para o Estado.

Em resumo, a proposta do MPRJ de converter a recuperação judicial da Refit em falência é uma resposta necessária diante da gravidade da situação. Tal medida pode evitar que mais recursos públicos sejam comprometidos, além de garantir que os devedores cumpram suas obrigações tributárias.

Por fim, é fundamental que o caso da Refit sirva como um alerta para outras empresas que possam estar enfrentando dificuldades financeiras. A transparência e a responsabilidade fiscal são essenciais para a saúde econômica do país, e a sociedade não pode arcar com as consequências de gestões inadequadas.

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Arthur Jamil Penna

Sobre Arthur Jamil Penna

Economista comportamental mestre em Hábitos de Consumo. Atua auxiliando famílias no planejamento financeiro estratégico. Paixão pela psicologia econômica. Pratica aeromodelismo clássico no tempo livre aos fins de semana.