OMS registra primeira cura de paciente infectado pela cepa Bundibugyo do Ebola na República Democrática do Congo
29 MAI

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Saúde
Juliana Mendes Peixoto Por Juliana Mendes Peixoto - Há 18 horas
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou, nesta sexta-feira (30), a cura de um paciente infectado pela cepa Bundibugyo do vírus Ebola, na República Democrática do Congo. O homem, que recebeu alta hospitalar, deixou o hospital na terça-feira (27), após realizar dois testes negativos para a doença.

Este caso marca um momento histórico, uma vez que é o primeiro registro de cura desde o início da atual epidemia, que teve início em 15 de maio. Apenas dois dias após o surgimento dos primeiros casos, a OMS declarou a situação como emergência de saúde pública de interesse internacional.

Apesar de não haver vacina ou tratamento específico para a cepa Bundibugyo, a especialista técnica da OMS, Anaïs Legand, destacou a importância do acesso rápido a cuidados médicos, o que pode aumentar as taxas de sobrevivência. "Esperamos que mais pessoas possam se recuperar", afirmou.

A mortalidade entre os infectados pela cepa Bundibugyo varia entre 30% e 50%, o que significa que até cinco em cada dez pacientes podem vir a falecer em decorrência da infecção. Esses dados ainda são preliminares e exigem investigações adicionais, mas o tratamento precoce é fundamental para reduzir os índices de mortalidade.

Em relação às medidas de contenção, a OMS não recomenda restrições de deslocamento ou fechamento de fronteiras. No entanto, Uganda decidiu fechar temporariamente sua fronteira com a República Democrática do Congo. Além disso, a Itália solicitou à União Europeia um reforço na vigilância nas fronteiras para passageiros provenientes de áreas afetadas.

A OMS enfatizou que a vigilância, o rastreamento de contatos, a detecção precoce, o isolamento e o tratamento de casos suspeitos e confirmados, juntamente com a prevenção rigorosa e o controle de infecções, são essenciais para interromper as cadeias de transmissão do vírus. Anaïs Legand ressaltou que essas medidas são cruciais para a contenção do surto.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, está em visita à República Democrática do Congo e chegou à capital, Kinshasa, na noite de quinta-feira. Ele deve se deslocar para a província de Ituri, que é o principal foco da 17ª epidemia de Ebola no país. O vírus já foi registrado em três províncias congolesas e também em Uganda, onde foram confirmadas sete infecções, incluindo uma morte.

Até o momento, a OMS contabiliza 906 casos suspeitos de Ebola na República Democrática do Congo, com 223 mortes em investigação. A organização confirmou 125 casos e 17 mortes nas regiões de Ituri, Kivu do Norte e Kivu do Sul. Em Uganda, nove casos foram registrados, incluindo dois novos casos confirmados nesta sexta-feira em Kampala.

A situação da epidemia ainda é considerada incerta, e muitos casos podem não estar sendo contabilizados devido à capacidade limitada do país em realizar testes laboratoriais. O diretor-geral da OMS afirmou que, apesar da complexidade da situação, é possível conter o surto.

Em uma carta aberta publicada nas redes sociais, ele garantiu aos cidadãos congoleses que não estão sozinhos nesta luta contra a epidemia. A OMS também anunciou que grupos consultivos recomendaram a realização de ensaios clínicos para várias vacinas e tratamentos potenciais contra a cepa Bundibugyo. Os produtos analisados incluem dois anticorpos monoclonais e um antiviral, além de vacinas candidatas ainda em fase de estudo.

A prioridade da OMS no momento é conter a transmissão do vírus utilizando ferramentas tradicionais de combate ao Ebola, como vigilância epidemiológica, triagem rápida, rastreamento de contatos, isolamento e tratamento de pacientes, além de mobilização comunitária e enterros dignos e seguros.

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Juliana Mendes Peixoto

Sobre Juliana Mendes Peixoto

Mestre em Saúde Pública, com foco em bem-estar coletivo e nutrição. Atua em diversas ONGs de apoio comunitário e saúde da família. Apaixonada por ioga, meditação e jardinagem urbana em pequenos espaços residenciais.