Cartilha promove prevenção do câncer entre mulheres negras por meio de saberes de terreiros
05 FEV

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Saúde
Camila Lacerda Bueno Por Camila Lacerda Bueno - Há 2 meses
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O Instituto Nacional de Câncer (Inca) lançou a cartilha "Saúde com Axé: mulheres negras e prevenção do câncer", disponível online. O material elucida os tipos de câncer mais comuns entre mulheres negras e orienta sobre hábitos diários que podem aumentar ou diminuir o risco de contrair a doença. Além disso, aborda como o racismo e o preconceito religioso enfrentados por praticantes de religiões afro dificultam o acesso a diagnósticos e tratamentos adequados.

Com imagens de mulheres e famílias negras em destaque e referências à mitologia iorubá, a cartilha apresenta de forma conversacional a importância da amamentação na prevenção do câncer de mama. O documento também traz informações sobre sinais de alerta para o câncer de intestino e esclarece sobre a transmissão do câncer de colo de útero, que ocorre pela via sexual.

As figuras das yabás, orixás femininas, são utilizadas como inspiração para promover o autocuidado e uma vida saudável. A cartilha exalta a importância de hábitos saudáveis e a realização de exames periódicos, já que a detecção precoce continua sendo a principal forma de combater o câncer. As mulheres encontram no material os principais exames recomendados para cada fase da vida.

Elaborada para ser distribuída em terreiros, a cartilha foi desenvolvida por pesquisadoras do Inca e é resultado da pesquisa "Promoção da Saúde e Prevenção do Câncer em Mulheres Negras", realizada entre 2023 e 2025 junto a mulheres de terreiros, como o Ilê Axé Obá Labí, em Pedra de Guaratiba, e o Ilê Axé Egbé Iyalodê Oxum Karê Adê Omi Arô, em Nova Iguaçu.

A cartilha também explica como o racismo pode aumentar o risco de adoecer e dificultar o acesso a serviços de saúde, como resultado de estigmas que acreditam que mulheres negras suportam mais dor. Iyá Katiusca de Yemanjá, do terreiro Obá Labí, que participou da elaboração do material, destacou que, quando solicitam ser chamadas pelo nome de suas religiões, muitas vezes são alvo de provocações, o que evidencia a discriminação enfrentada.

Ela também comanda um programa de saúde popular e acesso a direitos, aberto a toda a comunidade no terreiro de candomblé, enfatizando que os terreiros sempre promoveram a saúde por meio de práticas como banhos de ervas, lavagens e chás. "Entendemos o corpo por inteiro, especialmente o das mulheres negras de periferia, que frequentemente não se cuidam devido à sobrecarga de trabalho", enfatizou Katiusca.

Mãe Nilce de Iansã, coordenadora-geral da Rede Nacional de Religiões Afro-brasileiras e Saúde (Renafro), chamou atenção para a discriminação que as pacientes enfrentam em atendimentos médicos, como a exigência de retirar fios de conta, que não são ornamentais, mas sim elementos de proteção. Para ela, o racismo religioso é um fator que impacta a vida das mulheres negras, refletindo uma condição social que transcende a genética.

Os saberes, rituais e práticas religiosas ancestrais podem servir como suporte tanto na promoção da saúde, oferecendo informações corretas, quanto no acolhimento de mulheres diagnosticadas com câncer. As autoras da cartilha afirmam que os terreiros são espaços de acolhimento e solidariedade, além de cultura e religiosidade afro-brasileira. A proposta da cartilha é aproximar esses saberes tradicionais dos conhecimentos técnicos para ajudar na prevenção de doenças como o câncer.

A iniciativa do Inca em lançar a cartilha "Saúde com Axé" representa um avanço significativo na promoção da saúde de mulheres negras, ao reconhecer e valorizar saberes tradicionais presentes nas comunidades de terreiros. Esta aproximação entre práticas de saúde convencionais e conhecimentos ancestrais é fundamental para criar um ambiente inclusivo e acolhedor, especialmente em um contexto onde o racismo e a discriminação ainda são barreiras para o acesso adequado à saúde.

Além disso, o material destaca a importância da prevenção e detecção precoce do câncer, um tema que deve ser amplamente discutido e incentivado. Ao proporcionar informações sobre cuidados e hábitos saudáveis, a cartilha não só empodera as mulheres, mas também busca desmistificar preconceitos que muitas vezes cercam a saúde da população negra.

É crucial que essa discussão se expanda para além dos terreiros, atingindo todos os setores da sociedade. A saúde deve ser prioridade para todos, independentemente de sua origem ou crença. Por isso, é necessário fortalecer políticas públicas que garantam acesso equitativo a serviços de saúde e que respeitem a identidade cultural de cada indivíduo.

Os terreiros, como espaços de acolhimento e solidariedade, têm um papel vital na promoção da saúde, e iniciativas como essa cartilha podem servir como modelo para outras comunidades. O diálogo entre saberes é uma ferramenta poderosa na luta contra o câncer e outras doenças, e deve ser incentivado e apoiado.

Por fim, é fundamental que a sociedade civil se una em torno dessas questões, promovendo ações que visem à igualdade racial na saúde e ao respeito pelas diversidades culturais. A cartilha do Inca é um passo importante, mas ainda há muito a ser feito para garantir que todas as mulheres, especialmente as negras, tenham acesso a cuidados de saúde de qualidade.

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Camila Lacerda Bueno

Sobre Camila Lacerda Bueno

Fisioterapeuta com pós-graduação em Medicina Tradicional Chinesa. Atua com atletas de alto rendimento e reabilitação física. Paixão por anatomia humana e biomecânica. Praticante assídua de crossfit e levantamento de peso.