Informação falsa sobre caso de Nipah no Brasil é desmentida; vídeo é de 2021
05 FEV

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Saúde
Marina Souza Peroni Por Marina Souza Peroni - Há 2 meses
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Circula nas redes sociais um vídeo que afirma ser a confirmação do primeiro caso do vírus Nipah no Brasil. No entanto, essa informação é falsa. O Ministério da Saúde já desmentiu a notificação de qualquer caso de Nipah no país, esclarecendo que o conteúdo do vídeo é uma reportagem de 2021 sobre uma variante do coronavírus.

O post enganoso foi publicado no Instagram no dia 2 de fevereiro, logo após a Organização Mundial de Saúde (OMS) informar sobre a confirmação de dois casos de Nipah na Índia, afetando profissionais de saúde. Como resultado, aproximadamente 110 pessoas foram colocadas em quarentena no país asiático. O vírus Nipah é conhecido por causar infecções respiratórias agudas e encefalite, com uma taxa de mortalidade que pode chegar a 75% entre os infectados.

No vídeo, uma caixa de texto sobreposta diz: "Foi confirmado o primeiro caso da variante indiana no Brasil". Embora essa parte do vídeo seja verdadeira, a alegação de que se trata do vírus Nipah é incorreta. O material exibido é na verdade uma reportagem de 26 de maio de 2021, que falava sobre a confirmação do primeiro caso da variante B.1.617 do coronavírus, que se originou na Índia.

O apresentador da Record, Rafael Algarte, menciona que um brasileiro chegou de viagem da Índia e foi diagnosticado em São Paulo. A gravação inclui também imagens de pacientes hospitalizados com legendas que fazem referência ao alerta de vírus Nipah na Índia. O vírus Nipah foi identificado pela primeira vez em 1999 na Malásia e desde então já causou surtos em países como a Índia e Bangladesh. Apesar de a OMS considerar o risco global de transmissão como baixo, classifica o vírus como prioritário devido ao potencial de causar epidemias.

Especialistas consultados ressaltam que, por enquanto, a preocupação se restringe à Índia e regiões próximas, onde o principal hospedeiro do vírus, um tipo de morcego, é encontrado. O Ministério da Saúde do Brasil reiterou que não há evidências de disseminação do vírus Nipah no Brasil e que não há risco para a população.

Opinião da Redação: A disseminação de informações falsas nas redes sociais pode ter consequências sérias, especialmente em tempos de crise sanitária. A confusão gerada por esse tipo de conteúdo prejudica a confiança da população nas autoridades de saúde. É crucial que os cidadãos tenham acesso a informações precisas e verificadas, especialmente quando se trata de doenças infecciosas. A responsabilidade recai não apenas sobre quem produz e compartilha informações, mas também sobre as plataformas digitais que precisam implementar sistemas mais eficazes de checagem e verificação. O trabalho de checagem feito pelo Fato ou Fake é um exemplo de como a mídia pode atuar para esclarecer a população e combater a desinformação. Em tempos de incerteza, o fortalecimento das fontes oficiais e da ciência é essencial para garantir a saúde pública. A educação sobre a verificação de fatos deve ser uma prioridade, contribuindo para que a população saiba discernir entre o que é verdadeiro e o que é falso. O engajamento da sociedade em promover informações corretas é fundamental para a proteção da saúde coletiva.

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Marina Souza Peroni

Sobre Marina Souza Peroni

Médica endocrinologista e mestre em Bioética Médica. Atua em hospitais da rede privada focada em longevidade e saúde integrativa. Paixão por saúde preventiva. Participa ativamente de um coro coral amador local.