Metrô de São Paulo inicia busca por certificação ambiental em nova estação
06 JUN

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Cotidiano
Cláudia Regina Lima Por Cláudia Regina Lima - Há 2 horas
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O Metrô de São Paulo, em um passo inovador em sua trajetória de 50 anos, está se preparando para obter a certificação ambiental em uma de suas estações, pela primeira vez na história da companhia. A estação Anália Franco, localizada na zona leste da cidade, foi escolhida para ser o projeto-piloto desse novo esforço, com previsão de inauguração para o próximo ano. Esta estação faz parte da primeira fase da expansão da linha 2-verde, que, quando concluída, irá conectar a Vila Madalena, na zona oeste, a Guarulhos.

Segundo Luiz Antonio Cortez Ferreira, gerente de planejamento e meio ambiente do Metrô, a certificação que será buscada é a LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), um selo internacional que atesta a sustentabilidade operacional de edifícios. Os critérios para a certificação incluem eficiência energética, uso racional da água, iluminação natural, qualidade do ar interno e gestão eficiente de resíduos.

A escolha da estação Anália Franco como projeto-piloto se deu por seu estágio avançado de obras e por integrar a fase inicial da expansão da linha 2, que compreende um trecho de 8,3 km entre Vila Prudente e Penha. A expectativa é que a inauguração desse trecho ocorra em 2028. Atualmente, as obras civis estão quase concluídas, e a instalação dos sistemas eletrônicos já teve início. O modelo selecionado para a construção da estação é considerado o mais adequado para estruturas que atendem ao transporte público.

O sistema de certificação adotado terá como base uma avaliação por pontos, onde quanto mais pontos obtidos, maior será o grau da certificação. Como a iniciativa de se certificar foi lançada após o início do projeto da estação, o Metrô buscará a certificação no nível Silver, que é o terceiro em uma escala que inclui Gold e Platinum. Para futuras estações da extensão da linha 2-verde, a meta é alcançar o nível Platinum.

Os investimentos necessários para obter a certificação focam na eficiência energética e na redução do consumo de água. A estação contará com um sistema de captação e reuso de água da chuva, que será utilizada em descargas, limpeza e irrigação. Além disso, dispositivos serão instalados para garantir uma redução de pelo menos 20% no uso de água potável. No que diz respeito à eficiência energética, a iluminação será totalmente em LED, as escadas rolantes terão controle de frequência e a energia solar será utilizada para aquecer a água.

O espaço externo da estação também terá uma preocupação ambiental, com áreas verdes ocupando pelo menos 50% do entorno, o que contribuirá para reduzir o calor e melhorar a permeabilidade do solo. Embora essas melhorias não sejam facilmente percebidas pelo usuário comum, o Metrô planeja uma comunicação adequada para informar que a estação Anália Franco é uma estação verde quando estiver em operação.

A busca pela certificação ambiental está alinhada à política ambiental da empresa e é uma resposta às exigências do mercado. O Metrô possui títulos negociados na bolsa de valores e precisa atender a diversas exigências para operar nesse segmento. Ferreira ressalta que a certificação pode abrir portas para melhores oportunidades de financiamento, pois empresas certificadas são vistas como apresentando menores riscos.

Vale destacar que o Metrô só poderá solicitar a certificação quando a construção da estação estiver finalizada e em operação, e o resultado do processo de certificação pode levar cerca de dois anos para ser divulgado. A estação Anália Franco, que começou a ser construída em 2021 e ocupará uma área total de 28 mil m², é projetada para receber cerca de 13 mil passageiros diariamente. Com uma profundidade aproximada de 40 metros, a estação terá seis níveis internos, incluindo a plataforma de embarque e mezaninos, além de contar com 23 escadas rolantes e oito elevadores, ligando-se ao shopping Anália Franco.

A construção da nova estação não ocorreu sem polêmicas. Moradores da região alegaram que as obras foram responsáveis por alagamentos frequentes na avenida Vereador Abel Ferreira, que atravessa bairros nas regiões do Tatuapé e Jardim Anália Franco. No entanto, o Metrô nega essa responsabilidade. Segundo Marcus Vinícius Garcia Herani, chefe do departamento de obra civil da empresa, a água já se acumulava na área devido ao córrego Capão do Embira, que já existia antes do início das obras. Ele explica que a água que se acumula passa pela estação e sai no mesmo local de antes, e que a construção não é a causa dos alagamentos.

O Metrô de São Paulo continua a trabalhar para implementar soluções que possam melhorar a infraestrutura urbana e a sustentabilidade do transporte público na cidade. Com a busca pela certificação ambiental e a expansão das linhas, a companhia demonstra um compromisso com o futuro do transporte urbano e a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos paulistanos.


Desta forma, a iniciativa do Metrô de São Paulo em buscar a certificação ambiental representa um avanço significativo na gestão de transporte urbano no Brasil. A adoção de práticas sustentáveis é crucial para minimizar os impactos ambientais e garantir um futuro mais saudável para a população.

A escolha da estação Anália Franco como o projeto-piloto é estratégica, pois demonstra que a modernização do transporte público pode e deve andar de mãos dadas com a sustentabilidade. O compromisso com a eficiência energética e a redução do consumo de água é essencial em um cenário de escassez de recursos.

Além disso, a busca pelo selo LEED, embora ambiciosa, é uma resposta necessária às exigências do mercado e às expectativas da sociedade civil. O Metrô se posiciona, assim, como uma empresa que não apenas atende às demandas de transporte, mas que também se preocupa com o meio ambiente.

Por fim, é fundamental que a comunicação sobre essas iniciativas chegue até o usuário. Informar a população sobre a importância da estação verde e suas funcionalidades pode aumentar a conscientização sobre sustentabilidade e engajamento na preservação do meio ambiente.

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Cláudia Regina Lima

Sobre Cláudia Regina Lima

Mestre em Comunicação e especialista em análise de tendências digitais. Atua desvendando mecanismos de informação no cotidiano moderno. Paixão por ética jornalística e ávida leitora de suspenses e thrillers brasileiros.