Youtubers exploram o terror nas redes sociais e conquistam Hollywood com 'Backrooms'
31 MAI

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Sofia Regina Albuquerque Por Sofia Regina Albuquerque - Há 2 dias
14499 5 minutos de leitura

O fenômeno do terror nas redes sociais ganha novas dimensões com o lançamento do filme "Backrooms: Um Não-Lugar", dirigido por Kane Parsons, um jovem criador que se destacou na internet. Desde os 16 anos, Parsons tem encantado e apavorado o público com suas animações inspiradas em uma imagem viral de um corredor vazio, iluminado por uma luz amarelada. Essa imagem gerou uma onda de criatividade em fóruns como o 4chan, onde usuários começaram a descrever um universo repleto de salas sem saída e criaturas arrepiantes.

As chamadas "backrooms" tornaram-se um símbolo de um mundo paralelo ao nosso, capturando a inquietação e o desconforto que muitos sentem em ambientes urbanos saturados. Com apenas 20 anos, Parsons se tornou a figura mais jovem a trabalhar com o renomado estúdio A24, conhecido por investir em projetos inovadores que frequentemente se tornam sucessos de crítica e bilheteira.

O filme "Backrooms" estreou com grande sucesso, arrecadando quase US$ 120 milhões em seu primeiro fim de semana, um feito notável para um projeto que teve um orçamento de apenas US$ 10 milhões. Essa marca impressionante revela o apelo crescente do gênero terror, especialmente entre os jovens, que estão cada vez mais conectados ao conteúdo gerado por influenciadores digitais.

Parsons, que não possui formação acadêmica em cinema, atribui seu aprendizado à liberdade oferecida por tutoriais disponíveis no YouTube. O filme combina o talento de atores reconhecidos, como Chiwetel Ejiofor e Renate Reinsve, com uma narrativa que explora os medos contemporâneos, refletindo sobre a dependência das redes sociais e a sensação de desorientação que elas podem causar.

Na trama, um vendedor de móveis descobre um portal em sua loja que o leva a uma dimensão estranha, com corredores intermináveis e ambientes que simbolizam traumas pessoais. Essa representação de um espaço psicológico é uma crítica à forma como a internet pode se tornar uma prisão, unindo elementos da realidade de maneira perturbadora.

Parsons menciona que a popularidade do terror não está apenas relacionada a orçamentos baixos, mas também à capacidade dos criadores de se conectarem com suas audiências de forma imediata. O impacto das redes sociais no consumo de conteúdo de terror é inegável, com narrativas que refletem a ansiedade e o medo do desconhecido que permeiam o cotidiano moderno.

A pesquisadora brasileira Maria Luiza Staut complementa essa visão, afirmando que a transformação rápida do universo digital tem alimentado narrativas de terror que exploram as incertezas da era contemporânea. O medo do futuro, que antes se manifestava na ficção científica, agora é evidente nas histórias de terror que emergem das experiências digitais.

O sucesso de "Backrooms" é um exemplo claro de como a interseção entre o mundo digital e o cinema tradicional está moldando novas formas de contar histórias. Com a ascensão de diretores oriundos das plataformas digitais, o cinema de terror está se diversificando e se reinventando, atraindo um público mais jovem e conectado.

Desta forma, o fenômeno de youtubers que passam a dominar o cinema, especialmente no gênero terror, nos leva a refletir sobre o papel das redes sociais na criação de novas narrativas. O sucesso de Kane Parsons com "Backrooms" exemplifica como o conteúdo digital pode ser transformado em grandes produções cinematográficas. Essa transição não é apenas uma curiosidade, mas uma demonstração clara de como as plataformas digitais estão influenciando a indústria do entretenimento.

Além disso, a experiência de Parsons mostra que o aprendizado informal, por meio de recursos disponíveis na internet, pode ser tão eficaz quanto a formação acadêmica tradicional. Essa mudança de paradigma é significativa e pode democratizar o acesso ao cinema, permitindo que novos talentos surjam de maneira mais diversificada.

O que se observa também é uma crescente demanda por histórias que ressoem com as inseguranças da sociedade contemporânea. O terror, como gênero, se mostra uma forma poderosa de abordar questões como a ansiedade e a alienação, temas que têm se tornado cada vez mais relevantes. Assim, a produção de terror que emerge das plataformas digitais reflete os medos e desafios da vida moderna.

Portanto, a evolução do terror nas redes sociais para o cinema é um sinal das mudanças culturais e tecnológicas atuais. Com a crescente influência de criadores digitais, é essencial que a indústria do cinema continue a explorar essas novas vozes, ampliando a diversidade de histórias contadas nas telas.

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Sofia Regina Albuquerque

Sobre Sofia Regina Albuquerque

Pós-graduada em Moda e Estilo de Vida. Atua como consultora de imagem para figuras públicas e executivos. Paixão por viagens culturais e sustentabilidade têxtil. Dedica-se à pintura a óleo como refúgio criativo.