A crescente obsessão das jovens por cuidados com a pele e suas consequências
07 JUN

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Saúde
Juliana Mendes Peixoto Por Juliana Mendes Peixoto - Há 21 dias
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A obsessão por cuidados com a pele entre jovens tem gerado preocupações em diversos setores, especialmente entre especialistas em saúde mental e dermatologia. O fenômeno, conhecido como cosmeticorexia, refere-se a uma busca excessiva por uma aparência perfeita, levando muitas garotas a se tornarem dependentes de produtos de beleza. Esse comportamento pode ser observado em plataformas sociais como o TikTok, onde vídeos de rotina de cuidados com a pele são amplamente compartilhados.

Um exemplo disso é a jovem Ellie-May, que começou a criar conteúdo sobre skincare aos 8 anos e, agora com 13, já conta com uma base de mais de 330 mil seguidores. O que começou como uma atividade divertida durante a pandemia se transformou na principal fonte de renda de sua família, que, segundo a mãe, Sophie, gera mais de £50 mil por ano com esse trabalho. Essa situação ilustra como o mercado de cosméticos voltados para o público jovem se expandiu, apresentando produtos que vão além do simples sabonete facial.

Atualmente, as meninas têm acesso a uma variedade muito maior de itens, incluindo séruns e cremes antienvelhecimento, que antes eram considerados adequados apenas para adultos. Embora algumas marcas tentem se distanciar da associação com crianças, a influência das redes sociais é inegável. Um estudo da marca Pai revelou que quase metade das crianças entre 9 e 12 anos utiliza regularmente diversos produtos de skincare, muitas vezes para corrigir o que percebem como falhas em sua pele.

Essa nova dinâmica de consumo levanta questões importantes sobre a saúde mental das jovens. Especialistas, como a professora Brooke Erin Duffy da Universidade Cornell, alertam que a mesma pressão que as mulheres adultas enfrentam em relação à aparência agora está sendo imposta também às meninas. A indústria de beleza, que já era voltada para o público feminino mais maduro, agora se expande para incluir uma faixa etária muito jovem, o que pode impactar negativamente a autoimagem dessas crianças.

O crescimento desse mercado bilionário traz à tona a necessidade de discutir se essa busca por perfeição é realmente saudável ou se está criando um ciclo de insatisfação com a própria imagem. Os dermatologistas e acadêmicos que estudam o fenômeno da cosmeticorexia observam que essa obsessão pode ser prejudicial, levando a um uso excessivo de produtos que, em última análise, não resolvem as inseguranças, mas as intensificam.

Desta forma, é fundamental que pais e educadores estejam atentos ao impacto que a cultura da beleza exerce sobre as jovens. O acesso fácil a informações e produtos de skincare pode ser positivo, mas é preciso assegurar que isso não se transforme em uma compulsão. As redes sociais devem ser um espaço para a promoção da autoestima, e não um ambiente que amplifique inseguranças.

Além disso, é necessário promover uma educação crítica sobre a imagem corporal. Incentivar conversas abertas em casa e nas escolas pode ajudar as jovens a desenvolver uma visão mais saudável sobre seus corpos e a beleza. A indústria de cosméticos também tem um papel importante nesse processo, devendo se responsabilizar pela forma como seus produtos são apresentados.

Assim, é essencial que marcas e influenciadores considerem as mensagens que estão transmitindo. A responsabilidade social deve ser priorizada, especialmente quando se trata de um público tão impressionável. A saúde mental das novas gerações deve ser uma prioridade, e a promoção de padrões irreais de beleza não deve ser o caminho a seguir.

Finalmente, o diálogo sobre a cosmeticorexia e a cultura da beleza deve ser ampliado. É preciso que as jovens compreendam que a verdadeira beleza vai além da aparência e que a aceitação de si mesmas deve ser incentivada. A mudança começa em casa, mas a sociedade também precisa se unir para criar um ambiente mais saudável e acolhedor.

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Juliana Mendes Peixoto

Sobre Juliana Mendes Peixoto

Mestre em Saúde Pública, com foco em bem-estar coletivo e nutrição. Atua em diversas ONGs de apoio comunitário e saúde da família. Apaixonada por ioga, meditação e jardinagem urbana em pequenos espaços residenciais.