Automutilação na Adolescência: O Papel Crucial das Escolas na Prevenção
22 ABR

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Saúde
Marina Souza Peroni Por Marina Souza Peroni - Há 4 dias
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A automutilação entre adolescentes tem se tornado um problema cada vez mais preocupante na sociedade atual. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), os transtornos mentais representam cerca de 16% das doenças e lesões que afetam essa faixa etária em todo o mundo. No Brasil, especificamente no estado do Rio de Janeiro, a Secretaria de Estado de Saúde registrou, em 2023, 13.007 casos de violência autoprovocada, sendo que 25% desses registros envolvem adolescentes. Esses números alarmantes indicam uma tendência crescente nas últimas décadas, o que demanda uma atenção especial por parte das escolas.

Um estudo conduzido pelo psicólogo clínico Matthew Nock, em 2010, definiu a automutilação como qualquer ato intencional que cause lesão física ou psicológica ao próprio corpo. Esse comportamento pode ser realizado com objetos cortantes ou mesmo sem a utilização de ferramentas externas. As áreas do corpo mais frequentemente afetadas incluem os punhos, antebraços, coxas, barriga e pernas. Com o objetivo de orientar educadores e profissionais da saúde, o Ministério da Saúde lançou, em 2020, uma cartilha que diferencia as autolesões com e sem intenção suicida, ressaltando suas funções intrapessoais e interpessoais.

A adolescência é uma fase de transição significativa, marcada por mudanças corporais e emocionais. Durante este período, os jovens costumam se distanciar das figuras parentais, buscando sua identidade e aceitação em grupos sociais. Essa busca pode gerar sentimentos de desamparo e angústia, levando alguns adolescentes a expressar seu sofrimento por meio da automutilação. É importante ressaltar que, embora muitos desses atos ocorram em casa, é na escola que frequentemente as marcas físicas das lesões se tornam visíveis, tornando os educadores em potenciais primeiros identificadores desses comportamentos.

Os profissionais da educação, ao observarem mudanças de comportamento, como tristeza ou isolamento, têm a oportunidade de intervir precocemente, o que enfatiza a relevância das instituições de ensino na discussão e prevenção da automutilação. As escolas são ambientes propícios para abordar essa questão, pois concentram a maioria da população jovem, possibilitando não apenas a identificação de riscos, mas também a promoção de educação em saúde de forma abrangente.

Um projeto de pesquisa do Laboratório de Estudos em Família e Casal (LEFaC) da PUC-Rio investigou a percepção de profissionais da educação e psicologia em relação à automutilação. Foram entrevistados 10 profissionais que atuam em escolas públicas do estado do Rio de Janeiro, incluindo professores e orientadores educacionais. Os dados coletados mostraram como as escolas estão lidando com a automutilação e os desafios enfrentados por educadores diante desse fenômeno.

Os entrevistados destacaram a importância de acolher os jovens com empatia, permitindo que eles expressem seus sentimentos sem medo de julgamentos. Além disso, ressaltaram a necessidade de comunicar a situação às famílias de maneira cuidadosa, a fim de não desestimular a busca por ajuda. Orientações aos responsáveis e encaminhamentos a serviços de saúde mental e assistência social foram considerados fundamentais. A maioria dos participantes também mencionou a obrigatoriedade de notificar o Conselho Tutelar em casos de automutilação, conforme a Lei nº 13.819/2019, que estabelece a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio.


Desta forma, é crucial que as escolas adotem uma postura proativa em relação à automutilação entre adolescentes, promovendo um ambiente seguro e acolhedor. A educação em saúde deve ser uma prioridade, capacitando educadores a identificar sinais de sofrimento e a intervir de maneira eficaz.

Além disso, a colaboração entre família, escola e serviços de saúde é essencial para garantir um suporte adequado aos jovens. A comunicação clara e empática pode fazer a diferença na vida de um adolescente que enfrenta dificuldades emocionais.

Investir na formação de educadores para lidar com questões de saúde mental é uma necessidade urgente. A sensibilização e o conhecimento sobre a automutilação podem permitir que profissionais da educação atuem de forma mais eficaz na prevenção desse problema.

Por fim, é fundamental que a sociedade como um todo se mobilize para entender e apoiar os adolescentes em situação de vulnerabilidade emocional. O papel das escolas nesse contexto é inegável, e a prevenção deve ser uma responsabilidade compartilhada.


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Marina Souza Peroni

Sobre Marina Souza Peroni

Médica endocrinologista e mestre em Bioética Médica. Atua em hospitais da rede privada focada em longevidade e saúde integrativa. Paixão por saúde preventiva. Participa ativamente de um coro coral amador local.