Cepa de hantavírus em navio de cruzeiro na África do Sul apresenta transmissão entre humanos
06 MAI

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Saúde
Marina Souza Peroni Por Marina Souza Peroni - Há 3 meses
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Uma nova cepa do hantavírus, que pode ser transmitida entre humanos, foi identificada em passageiros de um navio de cruzeiro que navegou pelo Oceano Atlântico. O Ministério da Saúde da África do Sul confirmou a presença da cepa andina do vírus em dois casos de um surto que afetou a embarcação, resultando na evacuação de alguns passageiros para tratamento médico.

O cruzeiro, MV Hondius, partiu da Argentina há aproximadamente um mês e, desde então, três passageiros morreram, suspeitando-se que a causa seja a contaminação pelo hantavírus. A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que outras três pessoas com sintomas foram transferidas do navio na manhã de quarta-feira (6/5) para receber atendimento médico na Holanda.

Segundo Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, o risco geral para a saúde pública permanece baixo, embora as autoridades estejam monitorando de perto os passageiros ainda a bordo e aqueles que já desembarcaram do navio.

As evacuações incluem um britânico de 56 anos, um holandês de 41 e uma mulher alemã de 65 anos, conforme informou o Ministério de Relações Exteriores da Holanda. A empresa responsável pela operação do cruzeiro, Oceanwide Expeditions, destacou que dois dos evacuados são membros da tripulação, incluindo o médico a bordo.

A OMS também relatou que um cidadão suíço, que havia viajado no navio, está recebendo tratamento em Zurique, Suíça. Atualmente, cerca de 150 pessoas permanecem no MV Hondius, que está ancorado próximo a Cabo Verde e sob rigorosas medidas de precaução.

Enquanto isso, a Espanha concordou com o plano de trazer os passageiros para as Ilhas Canárias, mas a autoridade regional expressou sua resistência, afirmando que não pode permitir a entrada da embarcação, já que não foram recebidas informações suficientes para garantir a segurança.

Até o momento, foram registrados oito casos de hantavírus entre os ocupantes do navio, sendo três confirmados e cinco suspeitos. Embora o vírus tradicionalmente seja transmitido por roedores, a cepa andina tem a capacidade de se propagar entre humanos, especialmente em situações de contato próximo.

O Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis da África do Sul confirmou a cepa andina nos dois casos identificados. Relatórios apresentados ao Parlamento sul-africano destacam que essa é a única cepa conhecida com capacidade de transmissão de pessoa para pessoa, embora esse tipo de transmissão continue sendo raro e ocorra em circunstâncias específicas.

As autoridades de saúde estão ativamente rastreando os contatos das pessoas infectadas, tendo localizado 42 das 62 pessoas identificadas como contatos próximos. Entre elas estão paramédicos, motoristas de ambulância e profissionais de saúde.

Um dos casos confirmados na África do Sul envolve uma mulher que faleceu após seu marido também ter morrido a bordo do navio. O outro caso é de um britânico de 69 anos, que permanece hospitalizado em Joanesburgo.

Ainda não foi confirmado se o hantavírus estava presente nos corpos dos cidadãos que morreram a bordo do navio. As autoridades espanholas informaram que, ao chegarem às Canárias, os passageiros e a tripulação passarão por uma avaliação médica e receberão assistência antes de retornarem aos seus países.

Desta forma, é fundamental que as autoridades de saúde atuem rapidamente para conter a propagação do hantavírus. O acompanhamento rigoroso dos contatos dos infectados é uma medida prudente, considerando a natureza transmissível da cepa identificada.

Além disso, a transparência na comunicação sobre os riscos e as medidas de segurança a serem adotadas é essencial para tranquilizar a população e evitar pânico desnecessário. A informação clara e precisa deve ser uma prioridade para as instituições envolvidas.

Em resumo, a situação exige um esforço conjunto não apenas das autoridades locais, mas também de organizações internacionais de saúde. A cooperação entre países é vital para enfrentar surtos de doenças que não respeitam fronteiras.

Finalmente, é importante que os passageiros do navio recebam cuidados adequados e que medidas de precaução sejam mantidas até que a situação esteja completamente sob controle. A saúde pública deve sempre ser uma prioridade.

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Marina Souza Peroni

Sobre Marina Souza Peroni

Médica endocrinologista e mestre em Bioética Médica. Atua em hospitais da rede privada focada em longevidade e saúde integrativa. Paixão por saúde preventiva. Participa ativamente de um coro coral amador local.