Dependência de Celulares entre Idosos Aumenta Risco de Doenças e Golpes Virtuais
07 FEV

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Saúde
Marina Souza Peroni Por Marina Souza Peroni - Há 2 meses
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O uso excessivo de smartphones entre os idosos está se tornando um problema crescente, com consequências significativas para a saúde mental e física dessa população. A situação se torna ainda mais preocupante quando se observa o aumento da dependência tecnológica, que afeta diretamente a qualidade de vida dos mais velhos. Um caso emblemático é o de um homem de 70 anos que, ao buscar ajuda no ambulatório de dependências tecnológicas do Hospital das Clínicas da FMUSP, relatou ter perdido grandes quantias de dinheiro em compras de presentes virtuais em plataformas como o TikTok. Essa história ilustra como o uso desenfreado de tecnologia pode levar a sérios problemas financeiros e emocionais.

A pesquisa TIC Domicílios 2025 revela que a penetração de celulares entre os idosos é alarmante: 81% da população entre 60 e 69 anos possui um celular, enquanto este número é de 66% para aqueles entre 70 e 79 anos e 35% para os com 80 anos ou mais. Essa adesão à tecnologia cresceu de forma acentuada, especialmente entre os mais abastados; na classe AB, a posse de celulares atinge 96% entre os de 60 a 69 anos e 43% entre os de 80 anos ou mais.

Os aparelhos, projetados para captar a atenção do usuário, acabaram se tornando um vício também entre os mais velhos. O uso excessivo não é um problema restrito a uma faixa etária específica, mas idosos enfrentam riscos únicos. Eles são especialmente vulneráveis ao vício devido a fatores como isolamento social, tempo livre sem atividades alternativas e diminuição das habilidades cognitivas.

O psiquiatra Rodrigo Machado, coordenador do Grupo de Dependências Tecnológicas do Instituto de Psiquiatria da USP, observa que a tecnologia pode ter benefícios, como a promoção de conexões sociais e a comunicação com familiares. No entanto, ele alerta que as plataformas digitais estão se tornando cada vez mais prejudiciais, levando ao desenvolvimento de condições como depressão e ansiedade, que podem culminar em doenças mais graves, como o Alzheimer.

Além da saúde mental, o uso constante do celular também afeta a saúde física dos idosos. A psicóloga Jeane Silva destaca que a prática de caminhar enquanto observa a tela do celular aumenta o risco de quedas, especialmente em pessoas com problemas de visão e equilíbrio. Esse comportamento pode resultar em acidentes sérios, levando a lesões e até hospitalizações.

A pandemia de COVID-19 acelerou a adesão dos idosos aos smartphones, forçando muitos a se adaptarem a essa nova realidade para acessar serviços essenciais, como o bancário. Entretanto, essa necessidade também trouxe à tona um novo desafio: a necessidade de educar os idosos sobre o uso seguro e saudável da tecnologia.


Desta forma, é essencial que a sociedade reconheça o impacto da dependência tecnológica na vida dos idosos. O aumento do uso de smartphones, embora traga vantagens, também apresenta riscos significativos que não podem ser ignorados. A educação digital é uma ferramenta fundamental para ajudar essa faixa etária a navegar com segurança no mundo virtual.

Além disso, políticas públicas voltadas para a inclusão digital devem ser implementadas, proporcionando suporte e treinamento para os idosos. Isso permitirá que eles façam uso da tecnologia de maneira benéfica, evitando armadilhas que podem levar a prejuízos financeiros e psicológicos.

Os impactos do uso excessivo de celulares nos idosos ainda são pouco discutidos, mas é preciso que esse diálogo seja ampliado. A conscientização sobre os riscos e os cuidados necessários na utilização de dispositivos móveis é urgente e deve envolver familiares e profissionais da saúde.

Finalmente, promover um equilíbrio saudável entre o uso da tecnologia e a vida social é crucial. Incentivar atividades que promovam a interação presencial e o envolvimento em hobbies pode ser um caminho eficaz para reduzir a dependência dos celulares e melhorar a qualidade de vida dos idosos.

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Marina Souza Peroni

Sobre Marina Souza Peroni

Médica endocrinologista e mestre em Bioética Médica. Atua em hospitais da rede privada focada em longevidade e saúde integrativa. Paixão por saúde preventiva. Participa ativamente de um coro coral amador local.