Estudo indica que relação hormonal na saliva pode prever capacidade de memória
09 JUN

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Saúde
Juliana Mendes Peixoto Por Juliana Mendes Peixoto - Há 1 mês
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Um novo estudo realizado pelo Instituto de Neurociências da Universidade Autônoma de Barcelona (INc-UAB) sugere que a relação entre os hormônios progesterona e estradiol na saliva pode prever a capacidade de memória dos indivíduos. Publicado na revista científica Neurobiology of Stress, essa pesquisa abre novas possibilidades para otimizar tratamentos relacionados a transtornos de ansiedade e medo, como o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT).

A pesquisa, que envolveu tanto camundongos quanto humanos saudáveis, foi organizada em duas etapas. Na primeira, os participantes aprenderam a associar um estímulo neutro a um choque elétrico leve, desencadeando uma resposta de medo. No dia seguinte, os pesquisadores avaliaram a capacidade dos participantes de desaprender esse medo, o que é conhecido como extinção do medo. Essa abordagem permite uma comparação direta entre processos de memória em humanos e animais.

Os cientistas utilizaram técnicas avançadas para medir os níveis hormonais na saliva dos humanos e no sangue dos camundongos. Um modelo de aprendizado de máquina foi empregado para identificar quais fatores estavam mais associados a uma extinção do medo bem-sucedida. Os resultados mostraram que a combinação dos níveis hormonais era um indicativo mais forte do que os níveis individuais. Uma maior proporção de progesterona em relação ao estradiol antes da sessão de extinção previu um desempenho melhor tanto em humanos quanto em camundongos.

De acordo com Jaime F. Nabás, um dos principais autores do estudo, essa descoberta pode ajudar a identificar momentos em que um indivíduo está mais preparado para atividades relacionadas à memória, como estudar. A ideia é que, sabendo quando o equilíbrio hormonal está favorável, as pessoas podem se preparar melhor para aprender.

Além disso, o estudo também observou que a eficácia da extinção do medo tende a ser maior durante uma fase específica do ciclo menstrual, o que indica que o ambiente hormonal pode influenciar a formação de novas memórias. Essa informação é relevante tanto para homens quanto para mulheres, pois ambos os sexos produzem esses hormônios, embora em quantidades diferentes.

Os pesquisadores planejam avançar com estudos em grupos mais amplos e diversos, buscando validar a relação hormonal em diferentes contextos clínicos e em outras formas de memória. O objetivo é que esse conhecimento contribua para o desenvolvimento de intervenções psicológicas e farmacológicas mais personalizadas, auxiliando no tratamento de transtornos relacionados ao medo e à ansiedade.

Desta forma, a descoberta sobre a relação hormonal na saliva e sua capacidade de prever a memória abre novas perspectivas para a área da saúde mental. A possibilidade de utilizar esses marcadores biológicos para desenvolver tratamentos mais eficazes é um avanço significativo. Além disso, a pesquisa destaca a importância de considerar o ciclo hormonal no planejamento de intervenções terapêuticas.

Em resumo, a pesquisa não apenas contribui para o entendimento da memória, mas também oferece um caminho promissor para ajudar aqueles que enfrentam transtornos de ansiedade. A identificação de momentos ideais para intervenções pode otimizar o tratamento e proporcionar melhores resultados para os pacientes.

Assim, a aplicação desse conhecimento pode potencialmente transformar a forma como lidamos com problemas de memória e ansiedade. A integração de fatores biológicos e terapêuticos é um passo em direção a uma medicina mais personalizada e eficaz.

Finalmente, à medida que mais estudos são realizados, é essencial que as descobertas sejam amplamente divulgadas e discutidas. A educação sobre esses avanços científicos pode ajudar a desmistificar questões relacionadas à saúde mental e incentivar a busca por tratamento adequado.

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Juliana Mendes Peixoto

Sobre Juliana Mendes Peixoto

Mestre em Saúde Pública, com foco em bem-estar coletivo e nutrição. Atua em diversas ONGs de apoio comunitário e saúde da família. Apaixonada por ioga, meditação e jardinagem urbana em pequenos espaços residenciais.