Hantavírus: origem da infecção em cruzeiro é ligada a passeio em San Martín de Los Andes - Informações e Detalhes
Um recente estudo sobre o hantavírus revelou que o município de San Martín de Los Andes, na Patagônia Argentina, é o provável local de origem de um surto que afetou passageiros do navio de expedição MV Hondius. A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou até o momento 11 casos da doença, que resultaram em três mortes.
O sequenciamento genético do hantavírus foi realizado a partir de amostras coletadas de seis pessoas infectadas. As análises comparativas foram feitas com dados disponíveis em bancos internacionais, permitindo identificar uma relação com um tipo específico do vírus conhecido como hantavírus andino, que é transmitido entre humanos. Essa cepa do vírus, denominada "clado 3", já havia sido registrada anteriormente em 2018 na mesma localidade, mas apresenta diferenças em relação ao surto do clado 2 que ocorreu em Epuyén, também na Argentina.
O médico geneticista Salmo Raskin, que atua como diretor científico da Sociedade Brasileira de Genética Médica e Genômica (SBGM), explicou que as análises foram conduzidas pelo Centro Nacional Suíço de Referência para Infecções Virais Emergentes e outros institutos de pesquisa. De acordo com ele, a comparação com casos anteriores na Argentina revelou que o vírus atual é muito semelhante ao clado 3 encontrado em 2018.
Os primeiros sintomas da doença foram apresentados por um casal de ornitólogos holandeses que visitou a cidade para observar e fotografar aves. A principal hipótese é que eles tenham entrado em contato com secreções de roedores, como urina ou fezes, durante sua estadia na região. Após o contato, eles embarcaram no cruzeiro e, dias depois, começaram a apresentar sintomas, infectando outros passageiros.
As investigações mostraram que todos os seis pacientes infectados apresentam sequências genéticas idênticas, o que sugere uma transmissão direta entre eles. O estudo também confirmou que a transmissão do hantavírus andino entre humanos é rara, mas possível. O sequenciamento revelou que o vírus atual não é o mesmo que causou o surto de 2018, que envolveu uma festa de aniversário e resultou em 34 pessoas infectadas e 11 mortes.
Raskin destacou que, embora os vírus sejam semelhantes, ainda não está claro se as diferenças genéticas entre eles podem afetar a gravidade da doença ou sua capacidade de transmissão. Essa questão permanece em aberto, uma vez que há poucos dados disponíveis sobre o clado 3 até o momento.
Por fim, o hantavírus é conhecido por apresentar uma baixa taxa de mutação, o que o diferencia de outros vírus, como o coronavírus. As sequências atuais do hantavírus são muito próximas às detectadas anteriormente em pacientes da mesma região, o que reforça a necessidade de monitoramento constante das infecções.
Desta forma, a descoberta da origem do surto de hantavírus é um alerta importante para a saúde pública. A identificação de San Martín de Los Andes como ponto inicial do contágio destaca a necessidade de vigilância em áreas turísticas e em contato com a fauna silvestre.
Em resumo, a confirmação de que a infecção ocorreu devido ao contato com ambientes naturais onde roedores podem estar presentes enfatiza a importância de medidas de prevenção. Campanhas de conscientização para turistas e residentes devem ser intensificadas para evitar novos surtos.
Assim, é fundamental que as autoridades de saúde e ambientais atuem em conjunto para monitorar áreas de risco e educar a população sobre os perigos do hantavírus. O envolvimento da comunidade também é crucial na identificação e manejo de possíveis focos de infecção.
Finalmente, o estudo dos hantavírus e suas variantes deve ser uma prioridade, visto que a transmissão entre humanos é uma realidade que pode impactar a saúde de muitas pessoas. O compartilhamento de informações entre países da América Latina é vital para o controle eficaz dessa doença.
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