História da Vacina da Dengue: Descontinuação do Imunizante que Aumentava Risco de Doença Grave
09 JUN

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Saúde
Marina Souza Peroni Por Marina Souza Peroni - Há 19 dias
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A vacina Dengvaxia, desenvolvida pela empresa farmacêutica Sanofi, foi a primeira imunização aprovada contra a dengue no mundo, recebendo autorização em 2015. No entanto, sua trajetória foi marcada por controvérsias e preocupações com a segurança, levando à sua descontinuação em 2023.

Inicialmente, a Dengvaxia foi lançada como uma solução promissora para combater a dengue, uma doença viral transmitida por mosquitos que afeta milhões de pessoas anualmente. A vacina foi aprovada em diversos países, incluindo Brasil, México e Filipinas, e oferecia proteção significativa contra casos de dengue e hospitalizações. Durante os estudos clínicos, a eficácia foi avaliada e mostrou uma redução de 65,6% nos casos da doença e 80,8% nas internações.

Entretanto, com o tempo, surgiram dados alarmantes sobre o uso do imunizante, especialmente em pessoas que não tinham tido infecção anterior pelo vírus da dengue. Estudos posteriores revelaram que a vacina poderia, na verdade, aumentar o risco de dengue grave nesse grupo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) restringiram, assim, sua aplicação apenas para aqueles que já haviam contraído a doença.

O aumento do risco foi substancial, com a OMS relatando que pessoas vacinadas sem histórico prévio de infecção apresentaram o dobro de chances de desenvolver formas graves da doença. Para cada 1.000 indivíduos imunizados sem infecção anterior, cinco acabaram hospitalizados, e duas pessoas desenvolveram dengue clinicamente grave ao longo de cinco anos.

Devido ao crescente número de casos e à baixa demanda, a Sanofi anunciou em 2022 que a Dengvaxia seria descontinuada. O imunizante não foi incorporado ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) no Brasil, e sua utilização se tornou cada vez mais restrita. Em 2024, novas vacinas contra a dengue começaram a ser oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo o Qdenga, da fabricante Takeda, e uma dose única desenvolvida pelo Instituto Butantan.

O cenário atual apresenta novos desafios para a imunização contra a dengue no Brasil. Enquanto as novas vacinas estão sendo introduzidas, a recente suspensão temporária da vacina do Butantan devido a reações adversas destaca a necessidade de garantir a segurança dos imunizantes. Para lidar com a dengue, é fundamental implementar campanhas de conscientização sobre a prevenção e a importância da vacinação.

Desta forma, a trajetória da vacina Dengvaxia serve como um alerta sobre a complexidade do desenvolvimento e da distribuição de vacinas. A experiência vivida com esse imunizante demonstra a importância de pesquisas rigorosas e do monitoramento contínuo da segurança das vacinas após sua aprovação.

Além disso, a descontinuação do Dengvaxia evidencia a necessidade de transparência nas informações sobre os riscos associados a vacinas. A confiança do público nas campanhas de vacinação é crucial, especialmente em um país onde a dengue é um problema de saúde pública significativo.

Assim, as novas vacinas introduzidas devem não apenas atender a padrões de eficácia, mas também garantir a segurança dos pacientes. A comunicação clara e objetiva com a população é essencial para evitar a desinformação e promover a adesão às novas estratégias de imunização.

Finalmente, é vital que o Brasil continue investindo em pesquisas e inovações na área de vacinas, visando oferecer alternativas seguras e eficazes para o combate à dengue. Somente assim será possível reduzir a incidência da doença e proteger a saúde da população.

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Marina Souza Peroni

Sobre Marina Souza Peroni

Médica endocrinologista e mestre em Bioética Médica. Atua em hospitais da rede privada focada em longevidade e saúde integrativa. Paixão por saúde preventiva. Participa ativamente de um coro coral amador local.