Ministério da Saúde alerta sobre sintomas a serem monitorados após vacinação contra dengue do Butantan
08 JUN

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Saúde
Marina Souza Peroni Por Marina Souza Peroni - Há 19 dias
9631 5 minutos de leitura

No último dia 8, o Ministério da Saúde emitiu uma orientação importante para as pessoas que receberam a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A recomendação é que essas pessoas fiquem atentas a sinais e sintomas de alerta, especialmente nos primeiros 21 dias após a aplicação da dose. Essa medida ocorre após a suspensão temporária do imunizante, que não afeta a vacina contra dengue já oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos.

A suspensão temporária diz respeito exclusivamente à vacina desenvolvida pelo Butantan, que vinha sendo aplicada em profissionais da atenção primária à saúde e em projetos-piloto em municípios selecionados. A decisão foi tomada após a identificação de 42 episódios de reações adversas graves entre cerca de 500 mil doses aplicadas no Brasil, levando o Ministério a investigar essas ocorrências.

De acordo com Eder Gatti, diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), as pessoas que já tomaram a vacina continuam protegidas contra a dengue. Ele destacou que a suspensão não significa que o imunizante perdeu sua eficácia. "As pessoas que foram vacinadas usufruem do benefício que a vacina oferece, que é a proteção contra a dengue", afirmou Gatti, ressaltando que a vacina protege contra os quatro tipos da doença.

O monitoramento dos vacinados será intensificado nos 21 dias após a vacinação, período em que ainda pode ser detectada a presença de componentes do imunizante no organismo, um fenômeno conhecido como viremia. Gatti explicou que haverá uma recomendação para que toda a rede de saúde monitore as pessoas vacinadas nesse intervalo, já que é possível identificar a presença de algum componente da vacina nesse tempo.

Quais sintomas exigem atenção? O Ministério da Saúde orienta que as pessoas vacinadas recentemente devem procurar atendimento médico se apresentarem: febre, dor abdominal intensa e contínua e vômitos persistentes. Essas orientações são especialmente relevantes para quem recebeu a vacina nas últimas três semanas.

O imunizante que está sob investigação é diferente da vacina já disponível no SUS. O Ministério da Saúde enfatizou que a suspensão não afeta a outra vacina contra a dengue que já faz parte do calendário vacinal do SUS e é direcionada a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Gatti reafirmou que essa vacina não está inclusa na análise que levou à suspensão temporária.

Entre janeiro e maio deste ano, 42 reações adversas graves foram identificadas no sistema de farmacovigilância. Entre esses casos, três foram considerados graves. Um deles envolveu uma mulher de 39 anos que apresentou febre, dores musculares e náuseas seis dias após a vacinação, desenvolvendo sintomas compatíveis com dengue grave e necessitando de internação em UTI, mas conseguiu se recuperar. Outro caso foi o de uma mulher de 48 anos que teve um quadro de dengue grave com comprometimento neurológico 19 dias após a vacinação e infelizmente faleceu. O terceiro caso grave envolveu um homem de 58 anos que desenvolveu sintomas compatíveis com dengue grave cinco dias após a vacinação e também veio a falecer.

O Ministério da Saúde esclarece que, até o momento, as investigações não encontraram evidências suficientes que comprovem uma relação de causa e efeito entre a vacinação e os casos graves. A pasta informou que os episódios continuarão sendo analisados por especialistas do Ministério, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS) e do Instituto Butantan.

A suspensão temporária da vacinação é uma medida preventiva, que busca permitir a realização de estudos adicionais sobre os eventos registrados. O Ministério da Saúde assegurou que essa decisão não invalida a eficácia da vacina nem altera a proteção para aqueles que já foram vacinados. Gatti reforçou que a intenção é ganhar tempo para avaliar a vacina em diferentes cenários epidemiológicos e grupos populacionais, a fim de identificar eventuais fatores de risco.

Desta forma, a decisão do Ministério da Saúde em suspender temporariamente a vacinação contra a dengue do Butantan demonstra um compromisso com a segurança da população. A análise cuidadosa das reações adversas é fundamental para garantir a confiança na imunização.

A importância de um monitoramento rigoroso, especialmente nos primeiros dias após a vacinação, ressalta a necessidade de transparência nas ações de saúde pública. É essencial que os cidadãos estejam informados sobre os riscos e benefícios envolvidos na vacinação.

Além disso, é relevante que o sistema de saúde esteja preparado para atender a possíveis reações adversas, garantindo que todos os casos sejam devidamente investigados. A experiência acumulada poderá contribuir para a melhoria das futuras campanhas de vacinação.

Em resumo, a suspensão temporária não deve gerar pânico, mas sim uma reflexão sobre a importância do acompanhamento contínuo da saúde pública. A confiança na vacina deve ser estimulada, respaldada por dados e investigações rigorosas.

Por fim, é imprescindível que a população continue recebendo informações atualizadas sobre a vacina e suas implicações. A comunicação clara e objetiva é uma ferramenta essencial para fortalecer a saúde coletiva.

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Marina Souza Peroni

Sobre Marina Souza Peroni

Médica endocrinologista e mestre em Bioética Médica. Atua em hospitais da rede privada focada em longevidade e saúde integrativa. Paixão por saúde preventiva. Participa ativamente de um coro coral amador local.