Pesquisa revela desconhecimento e diagnóstico tardio da endometriose entre mulheres brasileiras
07 MAI

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Saúde
Camila Lacerda Bueno Por Camila Lacerda Bueno - Há 7 dias
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Nesta quinta-feira, 7 de março, é celebrado o Dia Internacional da Luta contra a Endometriose, um momento que enfatiza a importância de aumentar a conscientização sobre essa condição. Uma pesquisa recente realizada pelo Instituto Ipsos, a pedido da Bayer, revelou que quatro em cada dez mulheres brasileiras desconhecem informações relevantes sobre a endometriose. Esses dados levantam preocupações sobre os desafios enfrentados por muitas mulheres no que diz respeito ao diagnóstico e tratamento dessa doença.

Segundo o levantamento, 77% das mulheres com útero que foram diagnosticadas com a condição relataram que seus sintomas foram minimizados ou desconsiderados por profissionais de saúde ou até mesmo por familiares. O ginecologista Rodrigo Mirisola destaca que, apesar dos avanços nas discussões sobre saúde feminina, ainda existe uma grande negligência em relação à dor e ao desconforto que muitas mulheres enfrentam diariamente.

A pesquisa também revelou que a desvalorização das queixas femininas ocorre em ambientes variados. 41% das mulheres entrevistadas afirmaram ter enfrentado esse descrédito em suas próprias famílias, enquanto 32% relatam que seus sintomas foram invalidados em consultas médicas, especialmente por ginecologistas. Além disso, quase metade das participantes (46%) foi informada de que seus sintomas poderiam ser apenas resultado de estresse ou fadiga, e 45% foram consideradas "dramáticas" ou "exageradas" ao relatar suas dores.

A endometriose é uma doença inflamatória crônica que afeta cerca de 10% das pessoas com útero em idade reprodutiva no mundo, o que equivale a aproximadamente 190 milhões de indivíduos. No Brasil, dados do Ministério da Saúde indicam que entre 5% e 15% das mulheres convivem com a condição, o que torna esse um tema de saúde pública urgente.

Quando se fala sobre o tratamento da endometriose, as desigualdades entre os sistemas de saúde público e privado se tornam evidentes. A pesquisa aponta que 50% das usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS) foram indicadas a usar pílulas anticoncepcionais, enquanto esse número sobe para 67% na rede privada. Além disso, a realização de procedimentos mais complexos, como a cirurgia por videolaparoscopia, foi recomendada para apenas 20% das pacientes do SUS, em comparação com 55% na rede privada.

Outro dado alarmante revela que o Dispositivo Intrauterino (DIU) hormonal, uma opção terapêutica para a endometriose, foi indicado para apenas 15% das mulheres, com maior acesso entre aquelas de maior renda. Em média, o diagnóstico da endometriose pode levar de 3 a 8 anos, o que reforça a necessidade de ações para melhorar a identificação e o tratamento da doença.

Para o especialista Rodrigo Mirisola, a redução do tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento, bem como o acesso a terapias variadas, são fundamentais para garantir um atendimento mais equitativo. Ele afirma que "é preciso promover alternativas eficazes para individualizar a terapia, garantindo cuidados mais adequados e oportunos para cada mulher".

Desta forma, a pesquisa do Instituto Ipsos revela uma realidade preocupante para as mulheres brasileiras. O desconhecimento sobre a endometriose e o diagnóstico tardio são barreiras que precisam ser enfrentadas com urgência. É fundamental que campanhas de conscientização sejam intensificadas nas comunidades e nos serviços de saúde.

Em resumo, a subestimação dos sintomas femininos, tanto no ambiente familiar quanto médico, contribui para a perpetuação da dor e do sofrimento. Essa situação é inaceitável e demanda uma mudança de postura por parte dos profissionais de saúde e da sociedade em geral.

Então, é imprescindível que se busquem soluções práticas para garantir que as mulheres recebam o diagnóstico correto e tempestivo. O acesso a informações sobre a endometriose deve ser ampliado para que mais pessoas conheçam essa condição e suas implicações.

Finalmente, a igualdade no acesso a tratamentos adequados, independentemente da classe social, deve ser uma prioridade nas políticas de saúde pública. A endometriose não é apenas uma questão de saúde individual, mas um tema que envolve o direito à saúde de todas as mulheres.

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Camila Lacerda Bueno

Sobre Camila Lacerda Bueno

Fisioterapeuta com pós-graduação em Medicina Tradicional Chinesa. Atua com atletas de alto rendimento e reabilitação física. Paixão por anatomia humana e biomecânica. Praticante assídua de crossfit e levantamento de peso.