Rede clandestina contrabandeia tecnologia da Starlink para contornar apagão de internet no Irã
05 MAI

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Vinícius de Moraes Neto Por Vinícius de Moraes Neto - Há 9 dias
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Uma rede clandestina atua no Irã contrabandeando terminais de acesso à internet via satélite, conhecidos como Starlink, para combater o apagão digital que afeta o país. Sahand, um dos membros dessa rede, explicou ao Serviço Mundial da BBC que o objetivo principal é permitir que as pessoas no Irã possam mostrar a real situação do que está acontecendo no país, mesmo com as severas restrições impostas pelo governo.

Sahand, que utiliza um nome fictício por motivos de segurança, revelou que a operação consiste em enviar os dispositivos para o Irã, onde o acesso à internet é altamente controlado. Ele expressou sua preocupação com a segurança de seus familiares e contatos, caso sua identidade seja descoberta pelo regime iraniano. "Se uma única pessoa conseguir ter acesso à internet, eu considero que tivemos sucesso", afirmou ele.

A crise digital no Irã se intensificou após uma série de ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel em fevereiro, que resultaram em um apagão que já dura mais de dois meses. O governo iraniano, que já havia imposto bloqueios anteriores em janeiro, justificou a interrupção do serviço como uma medida de segurança, alegando que a suspensão da internet visa evitar vigilância e ciberataques. No entanto, os relatos indicam que a situação é ainda mais crítica, já que a repressão aos protestos levou à morte de mais de 6,5 mil manifestantes e a 53 mil detenções, segundo a Agência de Notícias Ativistas dos Direitos Humanos (HRANA).

Os terminais da Starlink, fabricados pela SpaceX, são considerados uma das formas mais confiáveis de acessar a internet no Irã, já que utilizam uma rede de satélites que não depende da infraestrutura local, que é monitorada e controlada pelo governo. Cada terminal pode conectar várias pessoas ao mesmo tempo, o que aumenta a possibilidade de comunicação e troca de informações entre os cidadãos.

Sahand mencionou que sua rede já enviou cerca de doze terminais para o Irã desde janeiro e está em busca de novas maneiras de ampliar essa operação. Estima-se que, até agora, pelo menos 50 mil terminais Starlink estejam disponíveis no país, embora esse número possa ser ainda maior devido à demanda crescente.

As autoridades iranianas, por sua vez, têm adotado uma postura rígida contra a importação e o uso desses dispositivos, com leis que preveem penas de até dois anos de prisão por sua posse. Além disso, a distribuição de mais de dez terminais pode resultar em penas de até dez anos. Recentemente, várias pessoas foram presas por vender ou comprar terminais Starlink, incluindo estrangeiros, mostrando o risco que os envolvidos nessa rede clandestina enfrentam.

Apesar das ameaças, o mercado negro para esses terminais continua a existir. Um canal no Telegram, chamado NasNet, vendeu cerca de cinco mil terminais nos últimos dois anos e meio, evidenciando a necessidade dos iranianos de contornar as restrições impostas pelo governo. Embora a imprensa estatal procure desacreditar esses relatos, muitos iranianos utilizam a tecnologia para escapar da censura e acessar informações reais sobre a situação no país.

Atualmente, a internet no Irã é caracterizada como “em camadas”, onde todos os cidadãos têm acesso a uma rede controlada pelo Estado, que limita a participação em serviços globais. Com os apagões, apenas algumas autoridades e jornalistas têm acesso irrestrito à internet. Muitos cidadãos, para contornar essa situação, recorreram ao uso de redes privadas virtuais (VPNs), que, no entanto, aumentam os custos de acesso à informação.

O aumento da vigilância e o controle das informações no Irã se intensificaram desde a ativação da Starlink por Elon Musk em 2022, em resposta aos protestos gerados pela morte de Mahsa Amini. Desde então, a utilização desse serviço tem crescido, especialmente em momentos de apagão. Sahand e sua rede agora recomendam que os usuários utilizem VPNs junto com a tecnologia da Starlink para se protegerem, mas a realidade econômica do país dificulta o acesso a esses serviços.

Desta forma, a situação no Irã ressalta a importância da liberdade de expressão e do acesso à informação. A luta por meios de comunicação independentes se torna cada vez mais crucial em um contexto onde a censura é a norma. O contrabando de tecnologias como a Starlink representa um esforço significativo para burlar as restrições impostas pelo regime.

Além disso, a repressão aos protestos e o controle da informação demonstram o desespero de um governo em manter suas narrativas. O uso de tecnologias de acesso à internet via satélite, embora arriscado, é um indicativo da resistência da população iraniana diante da opressão.

Assim, é fundamental refletir sobre os impactos que o controle da informação pode ter na sociedade. O acesso livre à internet é um direito humano essencial e deve ser defendido em todos os contextos. O que ocorre no Irã serve como um alerta sobre os perigos da censura e da repressão.

Por fim, a solidariedade internacional e o apoio a iniciativas que promovam a liberdade de expressão são imprescindíveis. A tecnologia pode ser uma aliada poderosa na luta pela verdade e pela justiça, e sua disseminação deve ser incentivada.

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Vinícius de Moraes Neto

Sobre Vinícius de Moraes Neto

Analista de sistemas com MBA em Segurança Cibernética. Atua protegendo dados críticos de grandes corporações nacionais. Paixão por cultura de código aberto e Linux. Constrói robôs autônomos como seu hobby principal.