Sinal de Frank: O que a marca na orelha pode indicar sobre o risco de infarto
11 FEV

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Saúde
Marina Souza Peroni Por Marina Souza Peroni - Há 2 meses
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A morte repentina do empresário e influenciador Henrique Maderite, aos 50 anos, em seu haras em Ouro Preto (MG), despertou discussões sobre sinais físicos que podem indicar problemas cardíacos. Horas após publicar um vídeo, sua morte levantou questões sobre a presença do chamado sinal de Frank, uma prega diagonal no lóbulo da orelha, que é estudada pela cardiologia há décadas.

O sinal de Frank foi descrito pela primeira vez em 1973 por Sanders T. Frank, um pneumologista que notou essa prega em pacientes que apresentavam angina. Desde então, a comunidade científica se empenha em descobrir se essa marca é apenas um resultado do envelhecimento ou um sinal de alerta para a aterosclerose, uma condição relacionada ao endurecimento das artérias.

O cardiologista Eduardo Gomes Lima, coordenador de temas livres para o congresso de 2026 da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), explica que o sinal de Frank pode ser útil como ferramenta de triagem, pois é de fácil identificação e não apresenta custo. No entanto, ele ressalta que não se trata de um diagnóstico, mas sim de um marcador que pode indicar risco. "O sinal de Frank não é um exame diagnóstico e não confirma, por si só, a presença de doença coronariana. Ele deve ser interpretado apenas como um possível marcador de risco", afirma Lima.

A relação entre a orelha e a saúde do coração pode estar ligada à microangiopatia, uma alteração nos pequenos vasos sanguíneos. Estudos de autópsia revelaram que, na região da prega, podem ocorrer degenerações dos vasos e do tecido nervoso. Essas alterações vasculares podem refletir problemas semelhantes nos vasos do coração. Lima também destaca que a identificação desse sinal é particularmente útil em pacientes que não apresentam sintomas, pois pode incentivar investigações sobre aterosclerose subclínica por meio de exames específicos.

Por outro lado, o médico Eugênio Moraes, membro do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês, adverte que o sinal de Frank deve ser considerado com cautela na prática clínica diária. Segundo ele, não existem evidências robustas que sustentem o uso desse sinal como um fator preditor confiável de doenças arteriais coronarianas ou eventos relacionados, como infartos. Moraes explica que a variação estatística do sinal pode comprometer sua reprodutibilidade, dificultando sua utilização como um marcador significativo.

Estudos internacionais corroboram que a morfologia da prega, como sua profundidade e bilateralidade, pode alterar o nível de alerta. Uma pesquisa publicada no The American Journal of Medicine, que analisou 1.050 adultos, concluiu que o risco cardiovascular era significativamente maior em indivíduos com o sinal de Frank completo e bilateral. O estudo revelou que 58% das pessoas com pregas em ambas as orelhas apresentavam risco moderado a muito alto, enquanto somente 23,8% das pessoas sem a marca estavam na mesma situação.

Conforme informações da Stanford Medicine, a causa exata do sinal de Frank ainda é debatida, mas uma teoria predominante sugere que ele pode refletir doenças microvasculares que afetam as artérias terminais, como as do lóbulo da orelha. Além da associação documentada com doenças coronarianas e vasculares periféricas, o sinal também é estudado na medicina alternativa, onde a área afetada no lóbulo apresenta maior sensibilidade e condutividade elétrica em exames de reflexologia auricular.

Embora a relação estatística entre o sinal de Frank e as doenças do coração seja reconhecida, o consenso entre os especialistas é que ele não deve substituir a avaliação dos fatores de risco tradicionais. Moraes enfatiza que o risco cardiovascular aumenta à medida que mais fatores de risco estão presentes, como colesterol elevado, hipertensão, diabetes, tabagismo, sedentarismo e histórico familiar positivo.

Desta forma, a discussão sobre o sinal de Frank revela a importância de se considerar todos os aspectos de saúde de um paciente. Embora esse sinal possa servir como um alerta, é fundamental que não se subestime a necessidade de exames mais completos e tradicionais.

Em resumo, a avaliação de fatores de risco clássicos deve permanecer no centro das atenções, já que eles são os principais indicadores de problemas cardíacos. A intersecção entre sinais físicos e avaliações laboratoriais é crucial para um diagnóstico preciso.

Assim, é essencial que a população esteja informada sobre os sinais que podem indicar problemas de saúde, mas também que não se deixe levar por alarmismos. O cuidado com a saúde deve ser sempre pautado por informações fundamentadas e orientações médicas.

Finalmente, o acompanhamento regular com profissionais de saúde é a melhor estratégia para a prevenção de doenças cardiovasculares. A conscientização sobre a saúde do coração é um passo vital para evitar complicações futuras.

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Marina Souza Peroni

Sobre Marina Souza Peroni

Médica endocrinologista e mestre em Bioética Médica. Atua em hospitais da rede privada focada em longevidade e saúde integrativa. Paixão por saúde preventiva. Participa ativamente de um coro coral amador local.