TikTok rastreia usuários mesmo sem uso do aplicativo; veja como se proteger
11 FEV

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Tecnologia
Vinícius de Moraes Neto Por Vinícius de Moraes Neto - Há 2 meses
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A plataforma TikTok, conhecida por seu crescimento rápido e pela coleta de dados, tem gerado preocupações sobre a privacidade dos usuários. Mesmo aqueles que não utilizam o aplicativo estão sendo monitorados, o que levanta questões sobre o controle de informações pessoais na internet. A seguir, entenda como isso ocorre e saiba como se proteger.

O TikTok é amplamente reconhecido por rastrear as atividades de seus usuários dentro do aplicativo. Contudo, o que muitos não sabem é que a empresa também acompanha a navegação dos usuários em outras partes da internet, mesmo que nunca tenham interagido com a plataforma. Recentemente, observou-se que sites estão enviando dados sensíveis ao TikTok, como informações sobre diagnósticos de câncer, fertilidade e até crises de saúde mental.

Essa prática faz parte de um complexo sistema de rastreamento que vai além da rede social. A situação se agrava com a recente venda das operações do TikTok nos Estados Unidos para um grupo de empresas com vínculos políticos, o que aumentou ainda mais as preocupações sobre a privacidade. Especialistas em direitos humanos e usuários expressaram suas preocupações a respeito da forma como os dados são manejados.

Felizmente, existe uma luz no fim do túnel. Há algumas medidas simples que podem ser adotadas para proteger suas informações do TikTok. Um dos principais pontos de atenção é a atualização do chamado "pixel" do TikTok, uma ferramenta usada por empresas para monitorar o comportamento online dos usuários. Essa atualização, segundo especialistas em segurança cibernética, permite uma coleta de dados de forma invasiva e preocupante.

Um estudo realizado pela empresa Disconnect revelou que o novo pixel do TikTok coleta informações de maneira incomum em comparação a outras plataformas. O CTO da Disconnect, Patrick Jackson, apontou que ao analisar o código do pixel, foram encontradas práticas que levantam sérios alarmes sobre a privacidade dos usuários. Por exemplo, ao indicar que era um paciente ou sobrevivente de câncer em um formulário online, o site enviou automaticamente detalhes pessoais, incluindo o endereço de e-mail para o TikTok.

Embora o TikTok declare que informa seus usuários sobre as práticas de coleta de dados por meio de políticas de privacidade, muitos não têm consciência de que a plataforma possui informações sobre eles, mesmo que nunca tenham usado o aplicativo. Para muitos, esse rastreamento invisível pode passar despercebido.

Os pixels de rastreamento não são uma novidade; há anos, empresas de publicidade como Google e Meta vêm utilizando essa tecnologia para monitorar o comportamento dos usuários na internet. Esses minúsculos rastreadores, que operam em segundo plano, são projetados para coletar uma infinidade de dados sobre as atividades online.

Por exemplo, se um proprietário de uma loja virtual de calçados utiliza um pixel do TikTok, a plataforma pode coletar dados sobre os clientes que visitam o site, permitindo que anúncios direcionados sejam exibidos. Assim, o comerciante pode verificar a eficácia de suas campanhas publicitárias. Contudo, a coleta de dados não se limita a informações simples, e casos de compartilhamento de dados sensíveis já foram relatados.

Em uma análise recente, foi constatado que, ao visitar um site de apoio a pacientes com câncer e ao indicar ser um sobrevivente, informações pessoais foram enviadas ao TikTok. Situações semelhantes ocorreram em sites de saúde feminina e de saúde mental, onde dados foram compartilhados sem o consentimento explícito dos usuários.

O TikTok, por sua vez, alega que a responsabilidade pela coleta de dados recai sobre os sites que utilizam seus pixels. A empresa afirma que esses sites devem seguir as leis de privacidade e informar os usuários sobre suas práticas. Além disso, assegura que proíbe o compartilhamento de informações sensíveis, como dados de saúde, e que toma medidas para alertar os sites que compartilham esse tipo de informação.

De acordo com a DuckDuckGo, uma empresa de privacidade, o TikTok possui rastreadores em 5% dos sites mais acessados do mundo. Esse número tem aumentado com o tempo, embora ainda seja inferior ao Google, que tem rastreadores em quase 72% dos principais sites, e ao Meta, que opera em cerca de 21% deles. Especialistas afirmam que essa coleta de dados se assemelha a um padrão já utilizado por outras grandes empresas de tecnologia.

As informações coletadas podem resultar em anúncios mais personalizados, algo que pode parecer atraente para os usuários. No entanto, a criação de um extenso banco de dados sobre a vida pessoal dos indivíduos levanta questões sérias sobre a privacidade e os riscos associados a tal vigilância.


Desta forma, a questão da privacidade na era digital se torna cada vez mais complexa. O rastreamento realizado por plataformas como o TikTok não se limita apenas a interações dentro do aplicativo, mas se estende a uma gama de atividades online, revelando um panorama preocupante sobre a coleta de dados.

Em resumo, a falta de consciência sobre como as informações pessoais são tratadas por grandes empresas de tecnologia pode resultar em consequências significativas para a privacidade dos usuários. É necessário que se desenvolvam estratégias de proteção e conscientização em relação à coleta de dados.

Assim, a responsabilidade não deve recair apenas sobre as plataformas, mas também sobre os próprios usuários, que precisam estar informados e atentos às práticas de coleta de dados. A educação digital é fundamental para que as pessoas possam tomar decisões mais conscientes sobre suas informações pessoais.

Finalmente, a discussão em torno da privacidade deve ser ampliada, envolvendo não apenas especialistas e empresas, mas também os usuários. O diálogo e a transparência são essenciais para garantir um ambiente digital mais seguro e respeitoso com os direitos individuais.

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Vinícius de Moraes Neto

Sobre Vinícius de Moraes Neto

Analista de sistemas com MBA em Segurança Cibernética. Atua protegendo dados críticos de grandes corporações nacionais. Paixão por cultura de código aberto e Linux. Constrói robôs autônomos como seu hobby principal.