Uso de canetas emagrecedoras pode aumentar risco de pancreatite, alerta Anvisa - Informações e Detalhes
A pancreatite, inflamação do pâncreas, se tornou um tema de preocupação após o registro de seis mortes suspeitas relacionadas ao uso de medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras, que são agonistas do receptor GLP-1. Esse alerta foi emitido pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) na última segunda-feira, dia 9. A agência destacou que a pancreatite é um efeito adverso grave, embora listado como incomum nas bulas desses medicamentos.
O médico Alexandre Hohl, diretor da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica), argumenta que o estudo Select, financiado pela Novo Nordisk, comparou pacientes que usaram semaglutina com aqueles que usaram placebo e constatou que o número de casos de pancreatite foi semelhante entre os grupos. Segundo Hohl, isso sugere que não há uma relação direta entre o uso desses medicamentos e o desenvolvimento da inflamação do pâncreas.
O vice-presidente da Abeso, Bruno Halpern, também concorda que não há evidências conclusivas que estabeleçam uma relação causal entre os agonistas do GLP-1 e a pancreatite. Ele aponta que a perda rápida de peso, que pode ocorrer com o uso desses medicamentos, aumenta o risco de formação de cálculos na vesícula biliar. Esses cálculos, por sua vez, podem estar indiretamente relacionados ao desenvolvimento de pancreatite, embora isso seja considerado raro.
As causas mais comuns da pancreatite incluem a presença de cálculos na vesícula, o consumo excessivo de álcool, o uso de certos medicamentos e altos níveis de triglicérides. Os médicos alertam que o uso indiscriminado e sem supervisão médica desses medicamentos pode aumentar os riscos para a saúde. Hohl enfatiza que a falta de acompanhamento profissional impede o controle das doses e a avaliação de condições prévias do paciente, como pancreatite recorrente e hiperglicemia. Halpern também destaca que o uso de produtos de origem desconhecida pode aumentar o risco de adulteração e a presença de substâncias indesejadas, elevando a probabilidade de eventos adversos.
Embora os efeitos adversos estejam previstos nas bulas de todos os medicamentos, a orientação é que, em casos de efeitos graves, o paciente procure imediatamente atendimento médico. Os sintomas típicos de pancreatite incluem dor abdominal intensa que pode irradiar para as costas, além de náuseas que costumam ocorrer após refeições ricas em gordura.
A Anvisa registrou entre 1º de janeiro de 2020 e 7 de dezembro de 2025, um total de 145 notificações de eventos adversos relacionados ao uso das canetas emagrecedoras. Quando somadas às informações de pesquisas clínicas, esse número sobe para 225. Até agora, foram relatadas seis mortes suspeitas associadas ao uso desses medicamentos. O aumento das notificações é notável: em 2020, houve apenas um caso, enquanto em 2025, já foram registrados 45 casos, o maior volume anual até o momento.
A Anvisa esclarece que a notificação de eventos adversos não implica necessariamente em uma relação direta com o uso do medicamento, servindo como uma ferramenta de vigilância para garantir a segurança dos produtos. O alerta abrange os principais princípios ativos desses medicamentos, incluindo a dulaglutida (Trulicity), a liraglutida (Saxenda, Victoza, Lirux e Olire), a semaglutida (Ozempic, Wegovy, Povitztra e Extensior) e a tirzepatida (Mounjaro).
Halpern observa que o debate sobre o risco de pancreatite em relação ao uso das canetas emagrecedoras já ocorre há décadas. À medida que o uso desses medicamentos aumenta, é comum que mais relatos de eventos adversos apareçam, o que reforça a importância da vigilância e do acompanhamento médico adequado.
Desta forma, a crescente preocupação em torno dos medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras deve ser tratada com seriedade. A possibilidade de complicações como a pancreatite, embora considerada rara, não pode ser ignorada. O alerta da Anvisa é um convite à reflexão sobre a importância do uso consciente e responsável desses produtos.
Em resumo, a supervisão médica é fundamental ao se considerar o uso de qualquer medicamento para emagrecimento. A falta de acompanhamento pode expor os usuários a riscos desnecessários. Além disso, é essencial que os pacientes estejam cientes dos efeitos adversos potenciais e que busquem orientação profissional antes de iniciar qualquer tratamento.
Assim, promover a educação sobre saúde e os riscos associados ao uso de medicações para emagrecimento é uma responsabilidade compartilhada entre profissionais da saúde e a indústria farmacêutica. A transparência nas informações sobre os medicamentos e suas possíveis consequências deve ser uma prioridade.
Finalmente, a vigilância contínua e o monitoramento dos efeitos adversos são cruciais para garantir a segurança dos pacientes. A Anvisa desempenha um papel importante nesse processo, e a colaboração entre os cidadãos e as autoridades de saúde é vital para prevenir complicações graves.
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