Vacina nonavalente contra HPV é indicada para prevenção de tumores de cabeça e pescoço
11 FEV

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Saúde
Marina Souza Peroni Por Marina Souza Peroni - Há 2 meses
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A vacina nonavalente contra o HPV (papilomavírus humano) recebeu uma nova indicação para proteger também contra tumores de cabeça e pescoço. Essa atualização foi realizada pela Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, após estudos que demonstraram a eficácia da vacina na redução da infecção oral pelo vírus.

Até o momento, o Brasil contava apenas com a vacina quadrivalente, que protege contra quatro tipos do HPV: 6, 11, 16 e 18. Em 2023, a vacina nonavalente foi aprovada e oferece proteção adicional contra outros cinco genótipos, sendo eles 31, 33, 45, 52 e 58. No Sistema Único de Saúde (SUS), a vacina disponível para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos é a quadrivalente, que ainda não teve sua bula atualizada.

A bula da vacina nonavalente agora inclui a proteção contra o câncer de orofaringe e outros tumores associados ao HPV. A oncologista Marcos André Costa, do Hospital Nove de Julho, destaca que o HPV tipo 16 é responsável pela maioria dos cânceres de orofaringe, e a vacina nonavalente é uma ferramenta importante na prevenção desses casos. Além disso, cerca de 40% dos tumores de cabeça e pescoço estão ligados ao HPV, sendo mais comum entre a população masculina.

Segundo Rosana Richtmann, consultora em vacinas dos laboratórios da Dasa, a proteção conferida pela vacina nonavalente é esperada ser semelhante à da quadrivalente contra o tipo 16 do HPV, embora outros tipos também estejam associados a cânceres, mas em menor quantidade. A ampliação da recomendação da vacina é vista como uma medida significativa para a saúde pública, pois a redução da infecção crônica pelo HPV pode diminuir a incidência de tumores relacionados.

A vacina nonavalente está disponível na rede privada e pode ser aplicada em indivíduos de 9 a 45 anos. O custo para a primeira dose varia entre R$ 940 e R$ 1.786 para duas doses, enquanto três doses podem custar até R$ 2.679. Até o momento, o Ministério da Saúde não recebeu pedidos para a incorporação da vacina nonavalente no SUS.

Os tumores de cabeça e pescoço incluem cânceres que podem surgir na boca, faringe, laringe, cavidade nasal, seios paranasais, tireoide e glândulas salivares. A atualização na bula da vacina foi aprovada em dezembro e se baseou em estudos realizados em condições reais, fora dos ensaios clínicos tradicionais, que mostraram a importância da vacinação na prevenção desses tipos de câncer.

Um dos estudos que embasaram a nova indicação da vacina foi conduzido no Brasil e analisou a prevalência de infecção oral pelo HPV em mais de 5.000 pessoas de 16 a 25 anos em diversas capitais do país. Os resultados mostraram uma redução significativa na prevalência de infecção entre as mulheres vacinadas (0,43%) em comparação com as não vacinadas (1,65%).

A vacinação contra o HPV é especialmente relevante, pois não existe um rastreamento padronizado para o câncer de orofaringe, ao contrário do que acontece com o câncer de colo de útero. Portanto, a vacinação se torna a principal estratégia de prevenção contra essa doença. Rosane Orth Argenta, CEO da Saúde Livre Vacinas, afirma que a maioria das infecções por HPV é eliminada pelo sistema imunológico, mas quando o vírus persiste, pode levar ao desenvolvimento de câncer.

Desta forma, a atualização da bula da vacina nonavalente representa um avanço importante na luta contra os cânceres associados ao HPV. A ampliação das indicações para tumores de cabeça e pescoço reflete a necessidade urgente de estratégias de prevenção mais eficazes. Uma vez que o HPV está intimamente ligado a uma proporção significativa desses cânceres, a vacinação se torna uma ferramenta essencial.

Em resumo, a vacinação não só protege contra as infecções, mas também pode reduzir a incidência de tumores que afetam a saúde pública. A distribuição da vacina nonavalente na rede privada é um passo positivo, mas é crucial que o SUS considere a incorporação dessa vacina em seu calendário vacinal. A prevenção é sempre o melhor caminho para a saúde coletiva.

Assim, é fundamental que informações sobre os benefícios e a importância da vacina cheguem a mais pessoas, especialmente à população mais jovem, que é o público-alvo da imunização. A conscientização sobre o HPV e suas consequências é imprescindível para que mais indivíduos busquem a vacinação.

Finalmente, a colaboração entre órgãos de saúde, profissionais da área e a população é vital para que campanhas de vacinação sejam eficazes e alcancem o maior número possível de pessoas. A luta contra o câncer de cabeça e pescoço deve ser uma prioridade na saúde pública.

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Marina Souza Peroni

Sobre Marina Souza Peroni

Médica endocrinologista e mestre em Bioética Médica. Atua em hospitais da rede privada focada em longevidade e saúde integrativa. Paixão por saúde preventiva. Participa ativamente de um coro coral amador local.