Aumento da Procura por Acompanhantes de Saúde em um Brasil em Envelhecimento
08 FEV

Carta Branca - As notícias de último minuto estão sempre aqui. Fique por dentro!

SAIBA MAIS
Saúde
Juliana Mendes Peixoto Por Juliana Mendes Peixoto - Há 2 meses
6444 5 minutos de leitura

A transformação demográfica no Brasil, marcada pelo envelhecimento da população e pela redução do número de filhos nas famílias, está impulsionando uma crescente demanda por cuidadores de saúde. Essa mudança social não apenas facilita a contratação de acompanhantes para idosos, mas também leva o Congresso a discutir a regulamentação dessa profissão. O aumento da expectativa de vida faz com que mais pessoas busquem suporte, seja para a realização de exames, seja para a realização de tarefas cotidianas.

As plataformas digitais, como Cronoshare e GetNinja, têm se tornado pontos de encontro entre aqueles que precisam de ajuda e os profissionais dispostos a oferecer esse suporte. Os usuários podem especificar suas necessidades e, ao se interessar, o trabalhador entra em contato. Essa forma de contratação, no entanto, é informal. Não há contratos formais e os pagamentos são frequentemente realizados através de aplicativos como o Pix.

Girlaine Ferreira, de 56 anos, é uma profissional que ilustra essa nova realidade. Com seis anos de experiência como cuidadora, ela afirma que a função de acompanhante ainda é pouco conhecida. Para complementar sua renda, Girlaine cobra pelo menos R$ 220 por acompanhamento, que inclui seu deslocamento. Se o atendimento se estender por 12 horas, ela pode cobrar até R$ 300 em feriados. Segundo ela, a maioria de seus clientes pertence às classes média e alta, o que levanta questões sobre a acessibilidade desse serviço para pessoas de renda mais baixa.

Girlaine ressalta que, além do aspecto financeiro, a falta de informação sobre a profissão limita a compreensão do público sobre os serviços disponíveis. Muitas pessoas desconhecem que podem contar com o auxílio de acompanhantes para diversas situações, como consultas médicas ou exames. Quanto menor a instrução do potencial cliente, maior a dificuldade em reconhecer a existência desse tipo de serviço.

Ela compartilha um exemplo de sua experiência: acompanhou uma cliente brasileira na França durante um exame, onde a mãe da paciente não pôde ir e o marido estava fora do país. Este tipo de atendimento, segundo Girlaine, mostra a amplitude dos serviços que podem ser oferecidos.

Outra profissional, Edineusa Matos, de 40 anos, que trabalha como auxiliar de enfermagem, também encontrou uma oportunidade de incrementar sua renda atuando como acompanhante. Edineusa, que realiza turnos de 12 horas, consegue conciliar seu trabalho principal com os atendimentos paralelos. Através de uma plataforma, ela conseguiu aprimorar sua visibilidade e hoje possui uma avaliação de cinco estrelas.

Além de acompanhar pacientes em exames, Edineusa já atendeu uma mãe com dificuldades para dirigir que precisava levar seu filho autista ao médico. Embora não fosse uma parte de seu trabalho habitual, ela decidiu ajudar, destacando a flexibilidade que esses profissionais precisam ter. Como acompanhante, Edineusa também já retirou medicamentos de alto custo e assistiu pacientes em situações delicadas, como aqueles em hemodiálise.

Com um salário de R$ 2.600 mensais, Edineusa percebe que a renda extra que obtém como acompanhante pode, em alguns meses, ultrapassar seu salário fixo. Essa renda adicional possibilitou que ela financiasse a compra de um apartamento, representando uma mudança significativa em sua qualidade de vida.

No entanto, a informalidade no setor traz desafios. O trabalho de cuidadores é reconhecido na Classificação Brasileira de Ocupações, mas a falta de regulamentação pode prejudicar tanto os profissionais quanto os clientes. A formalização do trabalho poderia garantir direitos e deveres, além de aumentar a confiança em um serviço que tende a se tornar cada vez mais necessário com o passar dos anos.

Desta forma, a crescente demanda por acompanhantes de saúde reflete uma transformação social significativa no Brasil. O aumento da expectativa de vida e a redução do tamanho das famílias são fatores que exigem uma nova abordagem nas políticas de saúde e assistência social. A falta de regulamentação para profissionais dessa área é preocupante e pode comprometer a qualidade do serviço prestado.

É essencial que o Congresso avance nas discussões sobre a formalização dessa profissão. A regulamentação não apenas protegeria os direitos dos trabalhadores, mas também daria mais segurança e confiança aos clientes que buscam por esse tipo de serviço. Além disso, a informação é uma ferramenta poderosa e deve ser amplamente divulgada para que mais pessoas compreendam as opções disponíveis.

Por fim, a valorização dos cuidadores é crucial em um cenário onde a demanda por serviços de saúde e acompanhamento tende a crescer. Reconhecer e estimular essa profissão é um passo importante para atender as necessidades de uma população que envelhece e precisa de apoio. O diálogo entre trabalhadores, clientes e o Estado deve ser fortalecido para que soluções efetivas possam ser implementadas.

Dica para quem se preocupa com a saúde da família

Com o aumento da demanda por acompanhantes de saúde, é essencial monitorar o bem-estar de nossos entes queridos, especialmente os mais velhos. Uma Balança de Bioimpedância não apenas avalia o peso, mas também fornece informações valiosas sobre a composição corporal, ajudando a garantir que todos estejam saudáveis e recebendo os cuidados adequados. Invista na saúde da sua família e fique por dentro das necessidades de quem você ama!

Gostou dessa notícia? Você pode compartilhá-la com seus amigos!

Juliana Mendes Peixoto

Sobre Juliana Mendes Peixoto

Mestre em Saúde Pública, com foco em bem-estar coletivo e nutrição. Atua em diversas ONGs de apoio comunitário e saúde da família. Apaixonada por ioga, meditação e jardinagem urbana em pequenos espaços residenciais.