Aumento de Infecções Respiratórias em Crianças Menores de 2 Anos Preocupa Fiocruz
16 ABR

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Saúde
Marina Souza Peroni Por Marina Souza Peroni - Há 4 meses
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A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou um alerta sobre o aumento de casos de infecções respiratórias graves em crianças com menos de 2 anos de idade. De acordo com o novo Boletim InfoGripe, esse crescimento está sendo impulsionado principalmente pelo vírus sincicial respiratório (VSR), que é a principal causa de bronquiolite infantil e que pode ser prevenido por meio da vacinação de gestantes.

As estatísticas revelam que, nas últimas semanas, houve um aumento significativo nas internações de crianças devido a infecções respiratórias, e essa tendência é observada em quatro das cinco regiões do Brasil, exceto na região Sul. Este monitoramento é parte de um projeto da Fiocruz que analisa as Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG), que são aquelas que resultam em hospitalização.

O levantamento mais recente, que analisa o período de 5 a 11 de abril, mostra que o crescimento no número de internações está associado ao VSR. A pesquisadora Tatiana Portella, do InfoGripe, ressalta a importância da vacinação de gestantes, uma vez que a imunização protege não apenas a mãe, mas também transfere anticorpos ao bebê, oferecendo uma proteção importante nos primeiros meses de vida.

A vacina contra o VSR foi incorporada ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) no ano passado e é recomendada para todas as mulheres grávidas a partir da 28ª semana de gestação. Estudos realizados demonstraram que a vacinação pode reduzir em até 81,8% os casos graves de doença respiratória nos primeiros três meses após o nascimento e em 69,4% até seis meses depois, um dado que destaca a relevância da imunização nesse contexto.

Além do VSR, o Boletim InfoGripe também aponta um aumento nos casos de Influenza A, uma das principais causas de gripe, especialmente nas regiões Centro-Sul do Brasil, além de alguns estados do Nordeste e do Norte. Tatiana enfatiza a necessidade de vacinação da população prioritária contra a Influenza A, que inclui crianças de até 5 anos, idosos acima de 60 anos, gestantes e trabalhadores da saúde e da educação.

Até agora, em 2026, já foram registrados mais de 37 mil casos de SRAG em todo o Brasil. Desses, 32,2% foram confirmados como Influenza A, enquanto 2,4% foram causados pelo Influenza B. O VSR corresponde a 26,3% das infecções, com outros 33% atribuídos ao rinovírus e 5,5% ao Sars-CoV-2, que causa a Covid-19. Entre os óbitos relacionados, 40,8% foram causados pelo Influenza A e 4,1% pelo Influenza B.

A incidência de SRAG é mais alta entre crianças pequenas, enquanto a mortalidade por essas infecções é mais elevada entre os idosos, destacando a necessidade de atenção redobrada para esses grupos vulneráveis.

Desta forma, a recente elevação nos casos de infecções respiratórias em crianças é um alerta que não pode ser ignorado. A vacinação de gestantes se mostra uma estratégia efetiva para proteger os recém-nascidos, e deve ser amplamente divulgada e incentivada.

É fundamental que as autoridades de saúde intensifiquem as campanhas de vacinação, visando atingir o maior número possível de gestantes. Isso não apenas reduz a incidência de doenças, mas também minimiza as hospitalizações que podem sobrecarregar o sistema de saúde.

Além disso, a população deve ser informada sobre a importância da imunização e os riscos associados à falta de vacinação, especialmente em um cenário onde os casos de Influenza A também estão aumentando.

A prevenção é sempre o melhor caminho, e a vacinação é uma ferramenta crucial nesse sentido. Portanto, a participação de toda a sociedade é essencial para reverter essa situação e garantir a saúde das crianças brasileiras.

Por fim, a colaboração entre diferentes setores da saúde e a conscientização da população são passos indispensáveis para enfrentar esse desafio sanitário. A vacinação deve ser encarada como uma prioridade, principalmente em períodos de aumento de casos respiratórios.

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Marina Souza Peroni

Sobre Marina Souza Peroni

Médica endocrinologista e mestre em Bioética Médica. Atua em hospitais da rede privada focada em longevidade e saúde integrativa. Paixão por saúde preventiva. Participa ativamente de um coro coral amador local.