Campanha busca garantir que jogos não sejam desligados sem alternativas para jogadores
06 JUN

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Tecnologia
Vinícius de Moraes Neto Por Vinícius de Moraes Neto - Há 1 hora
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No universo dos jogos online, a prática de desativar servidores de jogos, tornando-os inoperáveis, tem gerado uma onda de protestos entre os jogadores. A campanha Stop Killing Games, iniciada pelo YouTuber americano Ross Scott em 2024, visa contestar a ideia de que publishers podem encerrar serviços sem assegurar que os jogos permaneçam jogáveis. O movimento ganhou força após o anúncio da Ubisoft, que planejava desligar o servidor do jogo The Crew, lançado em 2014, deixando milhares de jogadores sem acesso ao que consideram uma parte significativa de suas vidas.

Em janeiro, a campanha conseguiu reunir quase 1,3 milhão de assinaturas em uma petição endereçada à Comissão Europeia, o que resultou em uma audiência pública no Parlamento Europeu, prevista para abril. A Ubisoft justificou sua decisão de desligar o jogo devido a questões de infraestrutura e licenciamento, mas para muitos jogadores, como Chemicalflood, essa ação foi recebida como uma perda pessoal. Ele expressou que o jogo não apenas fez parte de sua infância, mas também se tornou uma experiência compartilhada com seus filhos.

Ross Scott, conhecido na internet como Accursed Farms, ficou motivado a criar a campanha após perceber a magnitude da situação. Ele explicou que a metáfora de "matar" um jogo se refere ao fato de que, ao desativar o servidor, todas as cópias do jogo ficam inutilizadas, como se fossem destruídas. Essa sensação de perda é compartilhada por muitos gamers que consideram que, ao comprar um jogo, deveriam ter garantias de que ele permaneceria acessível, mesmo que o suporte oficial fosse encerrado.

O grupo Stop Killing Games não pede que as empresas mantenham os servidores funcionando indefinidamente. Em vez disso, eles defendem que, ao descontinuar um jogo, as editoras deveriam implementar planos de "fim de vida" que incluam a possibilidade de atualização para funcionamento offline ou a liberação de softwares que permitam aos jogadores continuar utilizando o jogo.

A resposta da Ubisoft a uma ação coletiva movida por dois jogadores da Califórnia demonstrou a posição da indústria, que alega que os consumidores compraram uma licença para uso e não direitos de propriedade ilimitados. O tribunal acabou desconsiderando a ação após os autores retirarem o processo. A Video Games Europe, que representa os maiores publishers do setor, defendeu que encerrar serviços online é uma opção necessária quando um jogo não é mais viável comercialmente.

O fenômeno de jogos online, especialmente os chamados live-service, tem se tornado cada vez mais comum. Recentemente, a Sony anunciou o fim do suporte para o título Destruction AllStars, enquanto o jogo Concord, também da Sony, foi descontinuado menos de duas semanas após o lançamento, levando a empresa a oferecer reembolsos totais aos jogadores.

Para o professor Joost van Dreunen, da NYU Stern, os jogos são mais que produtos de consumo; eles formam comunidades digitais interativas. No entanto, manter essas comunidades tem se mostrado um desafio em um mercado dominado por sucessos duradouros, como Fortnite e Call of Duty. À medida que as audiências diminuem, as editoras frequentemente optam por desligar os servidores, o que gera uma discussão necessária sobre a responsabilidade das empresas em relação aos seus consumidores.


Desta forma, a campanha Stop Killing Games levanta questões essenciais sobre os direitos dos consumidores no setor de jogos. A discussão sobre se os jogadores realmente possuem o que compram é crucial, especialmente em um momento em que a digitalização predominou nas vendas. O fato de que um jogo possa ser simplesmente desligado, tornando-se inacessível, é um ponto que merece atenção e reflexão.

Além disso, a resposta da indústria à campanha indica uma resistência em reconhecer a necessidade de responsabilidade em relação à experiência do usuário. É fundamental que haja um equilíbrio entre a viabilidade econômica das empresas e o direito dos consumidores de acessar os produtos pelos quais pagaram.

Assim, é imperativo que as empresas do setor adotem posturas mais transparentes e éticas, considerando alternativas que preservem o acesso aos jogos. A implementação de planos de descontinuação que respeitem os jogadores é uma abordagem que deve ser considerada seriamente.

Finalmente, a luta por direitos dos consumidores em jogos online não é apenas relevante para os gamers, mas também representa um movimento mais amplo em busca de justiça em um mundo digital em rápida evolução. A sociedade deve se unir para garantir que os interesses dos consumidores sejam respeitados em todas as esferas do mercado.

Essas discussões são vitais para moldar o futuro da indústria de jogos, especialmente à medida que o conceito de propriedade digital continua a evoluir. A pressão sobre as empresas para que adotem práticas mais justas e responsáveis deve ser constante, refletindo a demanda dos consumidores por maior controle sobre suas experiências de jogo.

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Vinícius de Moraes Neto

Sobre Vinícius de Moraes Neto

Analista de sistemas com MBA em Segurança Cibernética. Atua protegendo dados críticos de grandes corporações nacionais. Paixão por cultura de código aberto e Linux. Constrói robôs autônomos como seu hobby principal.