Consumo de Café e Chá com Cafeína Pode Reduzir Risco de Demência, Aponta Estudo de Harvard
11 FEV

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Saúde
Marina Souza Peroni Por Marina Souza Peroni - Há 2 meses
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Um novo estudo realizado por pesquisadores da Harvard T.H. Chan School of Public Health, em parceria com o Mass General Brigham e o Broad Institute do MIT e Harvard, apresenta resultados animadores para os apreciadores de café e chá. Segundo a pesquisa, o consumo diário de 2 a 3 xícaras de café ou de 1 a 2 xícaras de chá com cafeína pode reduzir em até 18% o risco de demência, além de retardar o declínio cognitivo e preservar a função cerebral.

Publicados na revista científica JAMA, os achados ressaltam a importância do consumo moderado dessas bebidas. O autor sênior do estudo, Daniel Wang, salientou que a pesquisa utilizou dados de alta qualidade coletados ao longo de mais de 40 anos. "Estudos anteriores mostraram que o café poderia ser uma intervenção dietética promissora na prevenção da demência", declarou.

Wang também alertou que, embora os resultados sejam promissores, o efeito observado é relativamente pequeno e não deve ser visto como a única estratégia para proteger a função cognitiva ao longo do tempo. O foco na prevenção é fundamental, considerando que os tratamentos disponíveis atualmente são limitados e muitas vezes oferecem apenas benefícios modestos após o surgimento dos sintomas.

A pesquisa investigou como fatores de estilo de vida, como dieta e consumo de bebidas cafeinadas, influenciam o desenvolvimento da demência. Os componentes bioativos presentes no café e no chá, como polifenóis e cafeína, têm potencial neuroprotetor, ajudando a reduzir a inflamação e os danos celulares que afetam a cognição.

É importante destacar que as descobertas sobre a relação entre o consumo de café e a demência têm sido inconsistentes em estudos anteriores, devido a limitações no acompanhamento e na análise de padrões de consumo. No entanto, os dados deste novo estudo, que se basearam no Nurses’ Health Study e no Health Professionals Follow-Up Study, superaram essas dificuldades ao realizar avaliações repetidas sobre dieta, demência e função cognitiva ao longo de até 43 anos.

O estudo envolveu mais de 130 mil participantes, dos quais 11.033 desenvolveram demência. Aqueles que consumiram mais café com cafeína apresentaram um risco significativamente menor de desenvolver a doença. Além disso, notou-se uma menor prevalência de declínio cognitivo subjetivo entre os consumidores regulares de café com cafeína comparados àqueles que não consumiam a bebida.

Os resultados mostraram que o consumo diário de 2 a 3 xícaras de café ou de 1 a 2 xícaras de chá com cafeína estava associado a um desempenho cognitivo melhor. Em contrapartida, o café descafeinado não teve efeitos semelhantes, sugerindo que a cafeína pode ser o componente ativo que traz benefícios à saúde cerebral. Embora os pesquisadores tenham encontrado resultados positivos, eles enfatizam a necessidade de mais estudos para confirmar os mecanismos que levam a esses efeitos.

Desta forma, a pesquisa evidencia a importância do consumo moderado de café e chá na promoção da saúde cognitiva. A relação entre cafeína e redução do risco de demência é um tema que merece atenção, principalmente em uma sociedade que envelhece rapidamente.

É fundamental que as pessoas adotem hábitos saudáveis, incluindo a ingestão moderada de bebidas como café e chá, que podem contribuir para a saúde mental ao longo dos anos. Os dados reforçam que, embora a prevenção da demência envolva múltiplos fatores, pequenas mudanças na dieta podem ter um impacto significativo.

Além disso, a pesquisa destaca a relevância de estudos de longo prazo, que são essenciais para entender melhor como o estilo de vida influencia a saúde cognitiva. A busca por intervenções eficazes deve ser uma prioridade na área da saúde pública, considerando o aumento dos casos de demência no mundo.

Portanto, é válido considerar a inclusão dessas bebidas em uma dieta equilibrada, mas com a consciência de que não são soluções isoladas. A manutenção da saúde cerebral exige um olhar mais amplo sobre a alimentação e o estilo de vida.

Finalmente, a promoção da saúde deve ser um esforço coletivo, envolvendo educação, conscientização e acesso a informações que ajudem na prevenção de doenças neurodegenerativas. O estudo de Harvard serve como um passo importante nessa direção.

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Marina Souza Peroni

Sobre Marina Souza Peroni

Médica endocrinologista e mestre em Bioética Médica. Atua em hospitais da rede privada focada em longevidade e saúde integrativa. Paixão por saúde preventiva. Participa ativamente de um coro coral amador local.