Crescimento da Tuberculose no Brasil: Especialistas Analisam Causas e Consequências
08 JUN

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Saúde
Juliana Mendes Peixoto Por Juliana Mendes Peixoto - Há 11 dias
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O Brasil enfrenta um aumento significativo nos casos de tuberculose, com registros entre 80 mil e 90 mil novos casos anualmente, conforme informações do Ministério da Saúde. Durante a recente edição do programa CNN Sinais Vitais, especialistas em saúde debateram essa questão alarmante. O Dr. Roberto Kalil moderou a conversa com a infectologista Nancy Bellei e o pneumologista Clystenes Odyr Soares Silva, ambos professores da Unifesp.

Nancy Bellei destacou que a pandemia de Covid-19 teve um impacto negativo na atenção e no tratamento de outras doenças, incluindo a tuberculose. Segundo ela, "a gente teve um descuido durante os primeiros anos da pandemia. Ela atrapalhou muito a gente poder cuidar de outras doenças na população". Essa realidade expõe a vulnerabilidade da saúde pública, especialmente em populações que já enfrentam dificuldades.

A especialista também ressaltou a ligação entre a tuberculose e fatores socioeconômicos, afirmando que a doença é frequentemente associada a problemas como desnutrição, alcoolismo, drogas ilícitas e a convivência com o vírus HIV. "A tuberculose anda junto com desnutrição, alcoolismo, dificuldade social, usuários de drogas ilícitas, pacientes que convivem com o vírus HIV e não se cuidam, não se tratam", explicou Nancy.

O pneumologista Clystenes Soares acrescentou dados preocupantes, informando que, em 2025, cerca de seis mil mortes por tuberculose foram registradas no Brasil. Ele enfatizou que, apesar de a maioria dos pacientes responder bem ao tratamento, o abandono do mesmo é um problema sério. "O paciente, após um ou dois meses de tratamento, se sente muito bem e abandona. Durante o tratamento, recomenda-se que não se tome álcool, que evite fumar, que ele se alimente direito. E ele se sente tão bem que quebra [o tratamento]", alertou Clystenes.

Esse comportamento gera uma consequência preocupante: a resistência bacteriana. "Os bacilos resistentes ao tratamento são uma coisa desafiadora", afirmou o especialista. O tratamento completo da tuberculose dura, no mínimo, seis meses, dependendo da gravidade do caso.

Apesar dos desafios, os especialistas lembraram que o Brasil possui um programa nacional robusto de controle da tuberculose. Clystenes destacou que o SUS oferece tratamento integral, que é supervisionado, o que ajuda a interromper a cadeia de transmissão da doença. "O SUS disponibiliza totalmente o tratamento, esse tratamento é supervisionado e, consequentemente, com isso nós quebramos a cadeia da transmissão", afirmou.

Nancy Bellei também observou que agentes de saúde realizam visitas domiciliares para fornecer medicação e monitorar o progresso dos pacientes, embora muitos desses esforços tenham sido prejudicados durante a pandemia. A conscientização da população é fundamental nesse contexto. Nancy alertou que pessoas com tosse persistente por mais de três semanas que não melhoram, mesmo após o uso de antibióticos, devem procurar um serviço de saúde imediatamente, pois isso pode indicar a presença da doença.

Desta forma, a situação da tuberculose no Brasil exige uma atenção redobrada das autoridades de saúde e da população em geral. A pandemia não apenas dificultou o tratamento de doenças existentes, mas também acentuou as condições sociais que favorecem a disseminação da tuberculose.

É essencial que o governo reforce os programas de prevenção e tratamento, garantindo que a população mais vulnerável receba a assistência necessária. O abandono do tratamento é uma questão crítica que precisa ser abordada com campanhas educativas e apoio contínuo aos pacientes.

Além disso, a colaboração entre agentes de saúde e comunidades é vital para a detecção precoce da tuberculose. A conscientização sobre os sintomas da doença pode salvar vidas e ajudar a controlar a disseminação da infecção.

Finalmente, a resistência bacteriana representa um dos maiores desafios no combate à tuberculose. A educação sobre a importância da adesão ao tratamento é fundamental para evitar que os bacilos se tornem resistentes e comprometam a eficácia das terapias existentes.

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Juliana Mendes Peixoto

Sobre Juliana Mendes Peixoto

Mestre em Saúde Pública, com foco em bem-estar coletivo e nutrição. Atua em diversas ONGs de apoio comunitário e saúde da família. Apaixonada por ioga, meditação e jardinagem urbana em pequenos espaços residenciais.