História da Dengvaxia: A Primeira Vacina Contra a Dengue e Seus Desafios
10 JUN

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Saúde
Marina Souza Peroni Por Marina Souza Peroni - Há 18 dias
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A Dengvaxia, a primeira vacina do mundo contra a dengue, foi aprovada em dezembro de 2015 e levantou grandes esperanças em relação ao controle da doença em vários países, incluindo Brasil e Filipinas. No entanto, estudos posteriores revelaram que o imunizante, produzido pela farmacêutica Sanofi, aumentava o risco de dengue grave em pessoas que não tinham histórico de infecção prévia pelo vírus.

Com o intuito de proteger a população, a vacina foi inicialmente bem recebida, tendo sido adotada em campanhas de vacinação em massa, como a que ocorreu no Paraná. Contudo, a situação começou a se complicar quando estudos de longo prazo indicaram que a vacina poderia provocar complicações em determinados grupos. Isso levou as autoridades de saúde a restringirem sua aplicação.

Em 2022, a Sanofi anunciou a descontinuação da Dengvaxia devido à baixa demanda e às restrições impostas ao seu uso. Embora os dados mostrassem que a vacina era eficaz para aqueles que já tinham sido infectados anteriormente, as dificuldades logísticas e a falta de aceitação pela população foram fatores que contribuíram para a sua retirada do mercado.

O cenário da dengue no Brasil se transformou com o tempo, e em 2024, uma nova campanha de vacinação foi iniciada, desta vez com a introdução da vacina Qdenga, da Takeda, no Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, uma vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan também foi oferecida, mas sua aplicação foi temporariamente suspensa devido a relatos de reações adversas, incluindo casos graves.

A história da Dengvaxia é um exemplo claro dos desafios enfrentados pela ciência na busca de soluções eficazes para doenças. O aumento das reações adversas e a necessidade de reavaliação constante das vacinas mostram que a segurança do paciente deve sempre ser a prioridade nas campanhas de vacinação.

Desta forma, a experiência com a Dengvaxia ressalta a importância de um rigoroso acompanhamento de vacinas após sua liberação. A saúde pública não pode ser comprometida, e as autoridades precisam garantir que os imunizantes sejam seguros para a população.

Além disso, a retirada da Dengvaxia do mercado deve servir como alerta para novas vacinas que estão sendo desenvolvidas. É fundamental que a comunicação sobre os riscos e benefícios seja clara e acessível à população, evitando desconfianças que possam prejudicar a adesão às campanhas de vacinação.

O contexto atual da dengue no Brasil, que envolve novas vacinas e campanhas de imunização, pede também uma reflexão sobre a educação em saúde. A população deve ser informada de maneira clara sobre as vacinas, seus efeitos e a importância de se vacinar para prevenir doenças.

Finalmente, a busca por soluções eficazes no combate à dengue deve ser contínua. A pesquisa e o desenvolvimento de novos imunizantes, aliados a estratégias de conscientização, podem ser essenciais para controlar a doença e proteger a saúde pública.

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Marina Souza Peroni

Sobre Marina Souza Peroni

Médica endocrinologista e mestre em Bioética Médica. Atua em hospitais da rede privada focada em longevidade e saúde integrativa. Paixão por saúde preventiva. Participa ativamente de um coro coral amador local.