Lavar frango cru: entenda os riscos e a polêmica nas redes sociais
08 FEV

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Saúde
Juliana Mendes Peixoto Por Juliana Mendes Peixoto - Há 2 meses
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A prática de lavar frango cru antes de cozinhar gera intensos debates nas redes sociais e divide opiniões entre chefs e especialistas em segurança alimentar. A recomendação oficial em muitos países ocidentais é clara: não se deve lavar o frango cru, uma vez que essa ação pode disseminar bactérias nocivas e aumentar o risco de contaminação cruzada. Contudo, para muitos cozinheiros ao redor do mundo, essa tradição é parte de um ritual que representa limpeza e cuidado na cozinha.

A chef jamaicana April Jackson, conhecida na televisão, é uma das figuras que frequentemente aborda essa questão. "Eu deliberadamente incluo cenas minhas lavando frango em alguns vídeos porque sei que é um tema polêmico", afirma. De acordo com ela, muitos internautas reagem com críticas, alegando que essa prática é anti-higiênica e inaceitável. Por outro lado, há quem defenda que não lavar o frango é uma atitude descuidada.

Um exemplo dessa discussão pode ser visto na criadora de conteúdo Fadwa Hilili, que compartilhou no TikTok um método de dez etapas que sua mãe marroquina utiliza para lavar frango. Em seus vídeos, ela destaca os comentários de seguidores que expressam desconfiança em relação ao consumo de frango não lavado, refletindo uma mentalidade comum em várias culturas, como as de países da Ásia, Caribe, América do Sul e algumas regiões mediterrâneas.

Os especialistas alertam que as bactérias mais frequentemente encontradas em frango cru, como Campylobacter e Salmonella, são responsáveis por intoxicações alimentares. O professor de microbiologia de alimentos Kimon-Andreas Karatzas explica que, ao lavar o frango, microgotículas de água podem se espalhar, levando essas bactérias para superfícies e outros alimentos, especialmente os que são consumidos crus, como saladas.

Karatzas realizou um experimento para demonstrar os riscos. Ele aplicou um produto químico visível sob luz ultravioleta em frango cru e, após lavá-lo, as gotículas que respingaram pela pia mostraram contaminação em várias superfícies, incluindo alimentos que seriam consumidos sem cozimento. Isso evidencia que, mesmo que o frango seja cozido corretamente, a contaminação cruzada pode resultar em doenças graves.

A bactéria Campylobacter é uma das principais causas de doenças diarreicas no mundo e é mais perigosa que a Salmonella. Enquanto a Salmonella tem programas de controle na avicultura, não há vacina para a Campylobacter, o que a torna uma preocupação significativa na segurança alimentar. Karatzas alerta que a maioria das galinhas criadas soltas pode ter níveis mais altos dessas bactérias, aumentando os riscos associados ao seu consumo.

Em resumo, a discussão sobre a lavagem do frango cru é complexa e envolve tanto tradições culturais quanto recomendações científicas. Enquanto alguns defendem a prática como essencial para a higiene, outros alertam para os riscos associados à contaminação cruzada. Portanto, é fundamental que os consumidores estejam cientes das melhores práticas de manipulação de alimentos para garantir a segurança alimentar.

Desta forma, a questão da lavagem do frango cru expõe um dilema entre tradição e segurança alimentar. É importante reconhecer que muitas práticas culinárias têm raízes culturais profundas e são vistas como uma demonstração de cuidado. No entanto, a ciência oferece informações cruciais que podem prevenir doenças. Essa situação destaca a necessidade de um diálogo respeitoso entre as tradições e as orientações de saúde pública.

Além disso, a conscientização sobre os riscos da contaminação cruzada é essencial. É fundamental que os consumidores e cozinheiros se informem sobre as melhores práticas para garantir a segurança na cozinha, evitando contaminações que podem ser prejudiciais à saúde. A educação em segurança alimentar deve ser uma prioridade, especialmente em um contexto onde muitos ainda têm dúvidas sobre as práticas corretas.

Por fim, é necessário que as orientações sobre segurança alimentar sejam comunicadas de maneira clara e acessível. O desafio é encontrar um equilíbrio entre respeitar tradições culturais e garantir que as práticas de preparo de alimentos sejam seguras. A saúde pública deve sempre estar em primeiro lugar, e isso requer um esforço conjunto entre a sociedade e os especialistas.

Em um mundo cada vez mais globalizado, é vital que as abordagens sobre alimentação e segurança sejam discutidas de forma aberta e informada. As redes sociais podem ser uma ferramenta poderosa para disseminar informações, mas também podem propagar mitos. Portanto, é responsabilidade de todos buscar informações confiáveis e agir com responsabilidade na cozinha.

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Juliana Mendes Peixoto

Sobre Juliana Mendes Peixoto

Mestre em Saúde Pública, com foco em bem-estar coletivo e nutrição. Atua em diversas ONGs de apoio comunitário e saúde da família. Apaixonada por ioga, meditação e jardinagem urbana em pequenos espaços residenciais.