Leitura pode atrasar o Alzheimer em até cinco anos, aponta pesquisa - Informações e Detalhes
No Dia Mundial do Livro, uma nova pesquisa da Universidade Rush ressalta a importância da leitura ao longo da vida como um fator protetor contra o Alzheimer. O estudo sugere que indivíduos que se dedicam à leitura e ao aprendizado contínuo conseguem adiar o surgimento dessa doença neurodegenerativa em média cinco anos, além de apresentarem um risco 40% menor de desenvolver o problema em comparação àqueles com menor envolvimento intelectual.
A pesquisa, publicada no periódico da Academia Americana de Neurologia, acompanhou quase 2 mil pessoas com idades entre 70 e 90 anos ao longo de aproximadamente oito anos. Os participantes foram submetidos a exames e testes neuropsicológicos, além de responderem a questionários que avaliavam seus hábitos de leitura e aprendizado ao longo da vida, que incluíam desde o contato com livros e jornais até a frequência a bibliotecas e o aprendizado de novos idiomas.
Os resultados mostraram que os indivíduos com maior engajamento em atividades intelectuais apresentaram o início do comprometimento cognitivo leve, que precede o Alzheimer, em média sete anos mais tarde. Em relação ao Alzheimer, essas pessoas desenvolveram a doença aos 94 anos, enquanto aqueles que não se dedicavam tanto a essas atividades apresentaram os primeiros sintomas aos 88 anos.
A neurologista Elisa de Paula Resende, coordenadora do Departamento Científico de Cognição e Envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia, explica que o hábito da leitura cria conexões entre os neurônios, permitindo que o cérebro mantenha seu funcionamento saudável durante o envelhecimento. Ela compara o cérebro a um músculo, que se fortalece com o exercício, e afirma que a leitura aumenta a chamada reserva cognitiva, que serve como um mecanismo de compensação em caso de perda de neurônios devido a doenças como o Alzheimer.
A pesquisa também destaca a importância do aprendizado em qualquer fase da vida. Resende está conduzindo um estudo sobre o impacto da leitura em adultos que não foram alfabetizados, uma realidade que ainda afeta muitas pessoas no Brasil. Ela observa que indivíduos analfabetos têm um risco até cinco vezes maior de desenvolver demência em comparação com os alfabetizados.
Os resultados preliminares de sua pesquisa indicam que mesmo seis meses de alfabetização podem levar a uma melhora significativa nas funções executivas, que são essenciais para a tomada de decisões e a realização de múltiplas tarefas.
Desta forma, o estudo da Universidade Rush reforça a importância da leitura não apenas como uma atividade prazerosa, mas como um investimento na saúde cognitiva. A relação entre atividade intelectual e a prevenção do Alzheimer é um dado que merece ser amplamente divulgado e considerado na promoção de hábitos saudáveis.
A leitura deve ser promovida em todas as etapas da vida, pois seus benefícios se estendem além do simples entretenimento. A construção de uma sociedade mais informada e educada pode contribuir significativamente para a redução dos casos de doenças cognitivas no futuro.
Além disso, iniciativas que incentivem programas de alfabetização, especialmente entre adultos, são essenciais. O aumento do acesso à educação pode ter um impacto positivo direto na saúde mental da população.
O investimento em políticas públicas que priorizem a educação e a promoção da leitura deve ser uma prioridade. O combate ao analfabetismo é uma questão que, quando resolvida, pode reduzir consideravelmente o risco de doenças degenerativas como o Alzheimer.
Por fim, é fundamental que as pessoas entendam que nunca é tarde para começar a ler. Independentemente da idade, a leitura pode fornecer um escudo contra o declínio cognitivo, mostrando que a busca pelo conhecimento é um aliado no envelhecimento saudável.
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