Ministério da Saúde não estabelece prazo para investigação da vacina contra dengue do Butantan - Informações e Detalhes
O Ministério da Saúde informou nesta segunda-feira (8) que ainda não há um prazo definido para a conclusão da investigação relacionada à vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. O governo federal suspendeu temporariamente a aplicação do imunizante, e representantes do ministério afirmaram, em coletiva de imprensa, que estão cobrando agilidade nas análises, mas que o processo seguirá rigorosamente os protocolos de segurança e farmacovigilância do Sistema Único de Saúde (SUS).
Durante a coletiva, questionamentos sobre quantas cidades receberam a vacina foram levantados. O ministério respondeu que ainda está levantando esses dados, que poderão ser divulgados posteriormente. No entanto, não foi informado um número específico durante o encontro com a imprensa.
Conforme informações disponíveis do Programa Nacional de Imunizações (PNI), foram aplicadas 501.044 doses da vacina entre janeiro e 30 de maio deste ano. Dentre essas, 417.432 doses foram destinadas a profissionais da atenção primária à saúde em todo o país. As 83.612 doses restantes foram utilizadas em campanhas de vacinação ampliadas em cidades como Botucatu (SP), Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e na região de Araguaína (TO).
Vale ressaltar que a suspensão da vacina não afeta a imunização contra a dengue que já é oferecida pelo SUS para crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, pois esta decisão se refere exclusivamente ao imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan.
O Ministério da Saúde também informou que o sistema de farmacovigilância registrou 3.703 notificações de pessoas que apresentaram sintomas semelhantes aos da dengue após a vacinação, o que representa aproximadamente 0,7% dos vacinados. Dentre esses, 42 casos foram identificados como eventos adversos graves, incluindo sintomas como dor abdominal, vômitos persistentes e sangramentos.
Entre os 42 eventos adversos graves, três casos foram considerados mais preocupantes e estão sob investigação. O primeiro caso se refere a uma mulher de 39 anos que apresentou febre, dores musculares e náuseas seis dias após a vacinação, evoluindo para um quadro grave que necessitou de internação em UTI, mas recebeu alta posteriormente.
O segundo caso envolveu uma mulher de 48 anos que, 19 dias após a vacinação, desenvolveu sintomas graves de dengue associados a comprometimento neurológico, o que resultou em seu falecimento. O terceiro caso é de um homem de 58 anos que, cinco dias após receber a vacina, apresentou febre e evoluiu rapidamente para um estado grave de dengue, resultando em sua morte.
Todos os três casos graves ocorreram entre profissionais da atenção primária à saúde, que foram o grupo mais afetado pela vacinação. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que nenhum dos casos graves ocorreu nas localidades onde a vacinação foi ampliada para toda a população, como Botucatu, Nova Lima, Maranguape e Araguaína. Apesar de algumas reações adversas graves terem sido registradas nessas regiões, os casos mais críticos aconteceram em profissionais vacinados em outras áreas do país.
Sobre a relação entre a vacina e os eventos adversos, o Ministério da Saúde esclareceu que ainda não é possível determinar se os sintomas apresentados foram causados pelo imunizante. A análise está em andamento e inclui investigação sobre histórico clínico, doenças preexistentes e outros fatores que possam ter influenciado os casos.
A interrupção da vacinação foi considerada uma medida preventiva, com o objetivo de permitir estudos adicionais que avaliem a segurança do imunizante em diversos grupos populacionais e cenários epidemiológicos. A partir de terça-feira (9), estados e municípios receberão orientações para suspender temporariamente a aplicação da vacina tanto em profissionais da atenção primária quanto nas cidades que estavam participando da estratégia de vacinação ampliada. Enquanto isso, as doses continuarão armazenadas na rede de frio até que as investigações sejam concluídas.
O ministério garantiu que a suspensão não invalida a eficácia da vacina, e as pessoas que já foram vacinadas permanecem protegidas contra os quatro sorotipos da dengue. Contudo, foi orientado que aqueles que receberam o imunizante nos últimos 21 dias fiquem atentos a sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, entre outros. Em caso de agravamento dos sintomas, é essencial procurar atendimento médico imediatamente.
O Instituto Butantan declarou que, seguindo a orientação do Ministério da Saúde e da Anvisa, a vacinação contra a dengue será interrompida de forma preventiva para reavaliação da estratégia vacinal. A medida foi tomada em decorrência de alguns casos de reações adversas, sendo três deles com gravidade, em um total de aproximadamente 500 mil vacinados. A intenção é garantir a segurança dos cidadãos.
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