Mudança no SUS: Insulina Glargina Substitui Insulina Humana em Tratamento de Diabetes
07 FEV

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Saúde
Marina Souza Peroni Por Marina Souza Peroni - Há 2 meses
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O Ministério da Saúde anunciou nesta sexta-feira (5) o início da substituição da insulina humana (NPH) pela insulina análoga de ação prolongada, chamada glargina, no Sistema Único de Saúde (SUS). Essa mudança representa um avanço significativo no tratamento de diabetes mellitus no Brasil e deve beneficiar mais de 50 mil crianças, adolescentes e idosos que necessitam de insulina para controlar a glicemia.

A insulina glargina, que possui efeito prolongado de até 24 horas, facilita o controle dos níveis de glicose no sangue, permitindo uma aplicação diária, ao contrário de outros tipos de insulina que exigem várias doses ao dia. Este novo modelo de tratamento será implementado inicialmente em quatro estados: Amapá, Paraná, Paraíba e no Distrito Federal.

O público-alvo nesta fase inclui crianças e adolescentes de até 17 anos com diabetes tipo 1, além de idosos com 80 anos ou mais que tenham diabetes tipo 1 ou tipo 2. O governo estima que mais de 50 mil pessoas serão atendidas nessa etapa inicial da transição.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a ampliação do tratamento também reforça a indústria farmacêutica nacional. Ele afirmou que a volta da produção de insulina no Brasil, após duas décadas, garante segurança e acesso a medicamentos para os pacientes.

O funcionamento da insulina glargina é simples: ela ajuda a manter os níveis de glicose mais estáveis ao longo do dia. A transição para este novo tratamento será feita de forma gradual, com a supervisão de profissionais de saúde que avaliarão as condições individuais de cada paciente.

Para garantir que a mudança seja bem-sucedida, o Ministério da Saúde já começou a treinar equipes de Atenção Primária nos estados envolvidos, preparando os profissionais para o uso adequado do novo medicamento. Após os primeiros meses de implementação, o governo avaliará os resultados do programa para decidir sobre possíveis ampliações para outros estados.

No setor privado, o custo do tratamento com insulina glargina pode chegar a até R$ 250 para um período de dois meses. Contudo, a oferta gratuita no SUS segue as melhores práticas internacionais para o tratamento do diabetes, proporcionando acesso a um medicamento mais eficaz para aqueles que dependem do sistema público de saúde.

A ampliação do uso da insulina glargina no SUS é fruto de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) entre o laboratório público Bio-Manguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a empresa brasileira Biomm e a chinesa Gan & Lee. Essa colaboração visa a transferência de tecnologia para a produção nacional de insulina.

Em 2025, mais de 6 milhões de unidades de insulina glargina foram entregues, com um investimento de R$ 131 milhões. A expectativa é que, até o fim de 2026, 36 milhões de tubetes sejam produzidos para abastecer o SUS. A transição do tratamento faz parte das ações do Grupo de Trabalho da Insulina, que foi criado em novembro de 2025, após estudos que mostraram riscos ao tratamento devido à escassez global de insulina.

O processo de transição contará com monitoramento contínuo, capacitação das equipes de saúde e treinamentos sobre o uso correto das canetas aplicadoras. As formações começaram em 27 de janeiro e devem prosseguir até meados de fevereiro. Atualmente, o SUS oferece acompanhamento integral às pessoas com diabetes, que inclui desde o diagnóstico até o tratamento contínuo, englobando insulinas humanas NPH e Regular, insulinas análogas de ação rápida e prolongada, além de medicamentos orais para diabetes mellitus.

Desta forma, a transição para a insulina glargina no SUS é um passo importante para a modernização do tratamento do diabetes no Brasil. Essa mudança não apenas melhora a qualidade de vida dos pacientes, mas também demonstra o compromisso do governo com a saúde pública. O fortalecimento da produção nacional de insulina traz segurança e estabilidade para a população que depende do sistema público de saúde.

Além disso, a capacitação das equipes de saúde é fundamental para garantir que a nova insulina seja administrada corretamente. Isso assegura que os pacientes recebam o tratamento adequado, minimizando riscos e complicações associadas ao diabetes. A continuidade do monitoramento do programa também é essencial para avaliar sua eficácia e realizar ajustes quando necessário.

O investimento na produção nacional e na formação de profissionais de saúde reflete uma estratégia mais ampla de garantir acesso a medicamentos de qualidade. Com a produção local, o Brasil pode se tornar menos dependente de insumos internacionais, promovendo a autonomia na saúde pública.

Por fim, é necessário que o governo e os gestores de saúde se comprometam a ampliar o acesso a esse tipo de tratamento em todo o país. O sucesso dessa estratégia dependerá não apenas da implementação inicial, mas também do acompanhamento e da expansão para outros estados, garantindo que todos os brasileiros com diabetes tenham acesso ao tratamento necessário.

Essa mudança é uma oportunidade para que o SUS se fortaleça e se adapte às necessidades dos pacientes, assegurando que ninguém fique sem o tratamento que precisa.

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Marina Souza Peroni

Sobre Marina Souza Peroni

Médica endocrinologista e mestre em Bioética Médica. Atua em hospitais da rede privada focada em longevidade e saúde integrativa. Paixão por saúde preventiva. Participa ativamente de um coro coral amador local.