Obesidade: Entenda que não é apenas uma questão de força de vontade
05 MAR

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Saúde
Marina Souza Peroni Por Marina Souza Peroni - Há 1 mês
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A obesidade é uma condição que afeta cerca de 1 bilhão de pessoas ao redor do mundo, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Recentemente, uma pesquisa realizada pela Ipsos revelou que sete em cada dez pessoas que convivem com a obesidade no Brasil sentem ansiedade frequente a respeito da sua saúde, relacionada ao seu peso.

Segundo especialistas, a obesidade não pode ser vista apenas como uma questão de força de vontade. O endocrinologista Fábio Carra, do Hospital Nove de Julho, destaca que a regulação do peso corporal é governada por mecanismos biológicos complexos. Esses mecanismos incluem circuitos neuroendócrinos que controlam a fome, a saciedade e o gasto energético, muitos dos quais não estão sob o controle consciente do indivíduo.

O especialista explica que, ao tentar emagrecer, o corpo passa por adaptações fisiológicas como o aumento do apetite e a diminuição do gasto energético. Isso torna a manutenção da perda de peso um desafio, independentemente da motivação pessoal. "Nós não fomos feitos para perder peso", afirma Carra.

Fatores como predisposição genética, alterações no hipotálamo, resistência a hormônios como a leptina (que está relacionada à saciedade) e a influência de hormônios intestinais, como a grelina, contribuem para a dificuldade em manter um peso saudável. Além disso, a inflamação crônica de baixo grau e as alterações da microbiota intestinal também desempenham um papel importante na obesidade.

De acordo com Carra, a visão simplista que associa a obesidade à falta de esforço pode restringir o acesso a tratamentos eficazes, como a farmacoterapia e a cirurgia bariátrica. Essa perspectiva também reforça o estigma e a discriminação, perpetuando a ideia de culpa individual e contribuindo para o sofrimento psicológico. O estigma associado à obesidade está ligado a piores desfechos em saúde, como o aumento do risco de depressão e a desistência de acompanhamento médico.

Em relação à saúde mental, a cultura de exposição nas redes sociais é um fenômeno global que afeta a forma como as pessoas lidam com seus corpos. No Brasil, a pressão por padrões estéticos, especialmente em épocas como o Carnaval, intensifica essa demanda. O psiquiatra Gustavo Yamin Fernandes, do Hospital Samaritano Higienópolis, observa que essa busca por padrões pode levar a comportamentos prejudiciais, como a alimentação compulsiva.

Fernandes explica que a ansiedade pode levar as pessoas a buscarem gratificação imediata através da comida, o que pode criar um ciclo vicioso. O julgamento social muitas vezes é internalizado, resultando em uma diminuição da autoestima e da autoconfiança. Isso não se limita apenas ao medo de não alcançar metas de peso, mas envolve a confirmação de estereótipos negativos que a pessoa já vivenciou.

Esse medo pode dificultar tanto o início quanto a manutenção de tratamentos, pois cada tentativa é carregada de expectativas e autocrítica. "A antecipação de um possível insucesso gera evitamento, o que perpetua o problema", alerta o psiquiatra.

A saúde pública desempenha um papel crucial na quebra desse ciclo. Fernandes enfatiza a necessidade de uma abordagem que evite estigmas e discursos moralizantes sobre o peso. Reconhecer a obesidade como uma condição multifatorial, que envolve aspectos biológicos, psicológicos e sociais, é fundamental para o tratamento eficaz.

O acolhimento deve priorizar metas realistas, reforçando pequenas conquistas e separando o valor pessoal do peso corporal. Quando o cuidado é estruturado com respeito e validação, diminui-se o sentimento de culpa e aumenta-se a probabilidade de adesão a tratamentos e resultados sustentáveis a longo prazo.

Desta forma, é essencial que a sociedade compreenda a obesidade como uma condição complexa, que vai além da simples falta de força de vontade. Essa visão pode ajudar a reduzir o estigma que muitas pessoas enfrentam ao lidar com a obesidade.

Além disso, a promoção de um discurso mais inclusivo e respeitoso pode facilitar o acesso a tratamentos adequados e, consequentemente, melhorar a saúde pública. Campanhas educativas que informem sobre a natureza multifatorial da obesidade são necessárias para mudar a percepção social.

O sistema de saúde deve se comprometer a oferecer um acolhimento que valorize a individualidade de cada paciente, respeitando suas limitações e potencialidades. Isso pode ajudar a construir uma relação de confiança entre pacientes e profissionais de saúde.

Por fim, a mudança de comportamento em relação à obesidade requer um esforço conjunto da sociedade, profissionais de saúde e órgãos governamentais. Uma abordagem mais humana e compreensiva pode garantir que as pessoas que lutam contra a obesidade encontrem o apoio necessário para superar seus desafios.

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Marina Souza Peroni

Sobre Marina Souza Peroni

Médica endocrinologista e mestre em Bioética Médica. Atua em hospitais da rede privada focada em longevidade e saúde integrativa. Paixão por saúde preventiva. Participa ativamente de um coro coral amador local.