Anvisa aprova nova terapia para tratar Parkinson avançado após 15 anos sem inovações no Brasil
25 MAI

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Saúde
Juliana Mendes Peixoto Por Juliana Mendes Peixoto - Há 50 minutos
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu um passo importante na luta contra a doença de Parkinson ao aprovar uma nova terapia destinada a pacientes em estágio avançado da condição. A autorização foi publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira, dia 25, e representa a primeira inovação do tipo no Brasil em aproximadamente 15 anos.

O novo tratamento, denominado Vyalev, combina as substâncias foscarbidopa e foslevodopa, que são derivadas da levodopa, o principal medicamento utilizado para controlar os sintomas motores da doença. De acordo com a fabricante AbbVie, esta é a primeira terapia aprovada pela Anvisa que utiliza a infusão contínua subcutânea de levodopa durante 24 horas, permitindo que os pacientes mantenham níveis mais estáveis da medicação no organismo.

A introdução desse tratamento é particularmente significativa, pois muitos pacientes com Parkinson avançado enfrentam dificuldades com as flutuações motoras que ocorrem devido à progressão da doença. Essas flutuações fazem com que os pacientes alternem entre períodos em que os sintomas estão controlados, conhecidos como momentos “on”, e fases em que os efeitos do remédio diminuem, levando ao retorno intenso de tremores, rigidez e dificuldades motoras, os chamados períodos “off”. A nova terapia é indicada para aqueles que não têm uma resposta adequada aos comprimidos tradicionais de levodopa.

Além disso, a AbbVie destaca que o medicamento surge como uma alternativa importante para pacientes que não podem ou não desejam se submeter à cirurgia de estimulação cerebral profunda, que é uma opção para casos mais avançados da doença. A farmacêutica informa que cerca de 60% dos pacientes podem ter contraindicações para esse procedimento, devido a condições como demência, alteração grave da marcha ou instabilidade postural. Outros 45% dos pacientes podem recusar a cirurgia por considerá-la invasiva.

O Dr. Rubens Cury, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), afirma que a infusão contínua se apresenta como uma alternativa essencial para pacientes que já não respondem adequadamente às terapias orais ou que não são candidatos à cirurgia de estimulação cerebral profunda.

A aprovação da nova terapia pela Anvisa foi baseada em um estudo de fase 3 que envolveu cerca de 130 pacientes com Parkinson avançado, acompanhados por um período de 12 semanas. Os resultados mostraram que os pacientes que receberam a infusão contínua apresentaram um aumento no tempo em que permaneceram sem sintomas motores incapacitantes e uma redução significativa nos períodos “off” em comparação com aqueles que usaram a levodopa oral tradicional. Os pesquisadores observaram uma melhora já na primeira semana de tratamento.

Em média, os pacientes tratados com a nova terapia conseguiram ganhar 2,72 horas adicionais de tempo “on” sem discinesia problemática, em comparação com 0,97 hora no grupo controle. Entre os efeitos adversos mais frequentemente relatados, estiveram reações no local da infusão, movimentos involuntários e alucinações. Entretanto, a maioria desses casos foi considerada leve ou moderada.

A doença de Parkinson é a segunda condição neurodegenerativa mais comum no mundo e afeta cerca de 220 mil pessoas no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde.

Desta forma, a aprovação dessa nova terapia pela Anvisa é um avanço significativo para os pacientes com Parkinson avançado. A introdução de um tratamento que oferece uma opção de infusão contínua pode mudar a vida de muitos que enfrentam os desafios dessa doença progressiva.

Ademais, a possibilidade de oferecer uma alternativa para aqueles que não são candidatos à cirurgia de estimulação cerebral profunda é um aspecto que merece destaque. Isso mostra a preocupação com a diversidade de perfis dos pacientes e suas necessidades específicas.

Além disso, é importante que a sociedade se informe sobre os tratamentos disponíveis e que o acesso a essas novas terapias seja garantido. Isso pode contribuir para uma melhor qualidade de vida dos pacientes e um manejo mais eficaz da doença.

Por fim, espera-se que a introdução dessa terapia não apenas melhore a condição de saúde dos pacientes, mas também incentive mais inovações na área de neurociências no Brasil, visando o tratamento de outras condições neurodegenerativas.

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Juliana Mendes Peixoto

Sobre Juliana Mendes Peixoto

Mestre em Saúde Pública, com foco em bem-estar coletivo e nutrição. Atua em diversas ONGs de apoio comunitário e saúde da família. Apaixonada por ioga, meditação e jardinagem urbana em pequenos espaços residenciais.