Teste do Pezinho Completa 25 Anos, Mas Acesso à Versão Ampliada Ainda é um Desafio no Brasil
06 JUN

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Saúde
Marina Souza Peroni Por Marina Souza Peroni - Há 9 dias
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No dia 6 de junho de 2026, o Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), popularmente conhecido como teste do pezinho, celebra 25 anos de existência. Este exame é fundamental para o diagnóstico precoce de uma série de doenças em recém-nascidos, podendo identificar mais de 50 condições. Entretanto, o acesso à versão ampliada do teste ainda enfrenta dificuldades em diversas regiões do país.

O teste do pezinho consiste na coleta de sangue do calcanhar do bebê, realizada entre 48 horas e cinco dias após o nascimento, preferencialmente em maternidades ou unidades básicas de saúde. O objetivo principal é prevenir problemas no desenvolvimento físico e mental das crianças, conforme orientações do Ministério da Saúde.

Desde sua implementação, o PNTN passou por diversas atualizações. Inicialmente, o exame detectava apenas duas doenças, mas atualmente é capaz de identificar mais de 50 condições, o que representa um avanço significativo na saúde pública infantil. No entanto, ainda existem lacunas no acesso a essa triagem ampliada, especialmente no Sistema Único de Saúde (SUS).

O teste básico do pezinho, oferecido pelo SUS, realiza a triagem para apenas sete doenças, incluindo fenilcetonúria e hipotireoidismo congênito. Apesar das leis que visam expandir a triagem para mais doenças, a implementação efetiva dessa ampliação ainda não ocorreu de forma uniforme em todos os estados e municípios. A falta de um cronograma claro para a expansão contribui para a dificuldade de acesso ao teste ampliado.

Entre as condições que podem ser diagnosticadas pelo teste do pezinho estão:

  • Fenilcetonúria: Uma doença genética que pode levar a atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, caso não tratada rapidamente.
  • Hiperplasia Adrenal Congênita: Conjunto de doenças que afetam a produção de hormônios e podem causar graves problemas de saúde.
  • Hipotireoidismo Congênito: Implica na falta de hormônios tireoidianos, afetando o desenvolvimento do sistema nervoso.
  • Doença Falciforme: Uma condição hereditária que afeta a forma das células sanguíneas, causando complicações em diversos órgãos.
  • Toxoplasmose: Infecção que, se não diagnosticada a tempo, pode resultar em sequelas graves, como problemas visuais e auditivos.

O teste ampliado, que é frequentemente realizado em laboratórios privados, é uma alternativa para as famílias que buscam um diagnóstico mais abrangente. No entanto, a desigualdade de acesso a esses serviços é uma questão que precisa ser abordada com urgência.

Em maio de 2021, a lei nº 14.154/2021 foi sancionada, buscando a ampliação do teste do pezinho no SUS. Embora a proposta tenha sido bem recebida, sua implementação ainda depende do alinhamento entre os serviços de saúde e a capacitação de profissionais para o acompanhamento das doenças detectadas.

Desta forma, a celebração dos 25 anos do teste do pezinho deve ser um momento de reflexão sobre as desigualdades no acesso à saúde. É fundamental garantir que todas as crianças tenham a oportunidade de realizar o teste ampliado, independentemente de sua localização geográfica ou condição socioeconômica.

O fortalecimento das políticas públicas relacionadas à saúde infantil é imprescindível. A ampliação do teste do pezinho no SUS é uma medida que pode salvar vidas e prevenir sequelas irreversíveis. Portanto, a falta de um cronograma claro e de ações efetivas para sua implementação precisa ser urgentemente corrigida.

Além disso, é necessário que haja um esforço conjunto entre governo, profissionais de saúde e sociedade civil para que a triagem neonatal se torne uma realidade acessível a todos. A saúde das crianças é uma prioridade e deve ser tratada como tal.

Por fim, o teste do pezinho é uma ferramenta valiosa que, quando utilizada de forma abrangente, tem o potencial de mudar a vida de muitas famílias. É preciso que a sociedade se mobilize em prol de um sistema de saúde mais justo e eficiente.

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Marina Souza Peroni

Sobre Marina Souza Peroni

Médica endocrinologista e mestre em Bioética Médica. Atua em hospitais da rede privada focada em longevidade e saúde integrativa. Paixão por saúde preventiva. Participa ativamente de um coro coral amador local.