Vacinação contra HPV reduz infecções entre jovens no Brasil
25 JUL

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Saúde
Camila Lacerda Bueno Por Camila Lacerda Bueno - Há 24 dias
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A vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) no Brasil teve um impacto significativo na redução da prevalência dos principais tipos do vírus entre jovens. Um estudo abrangente, considerado o maior sobre a eficácia da vacina na América Latina, revelou que a porcentagem de jovens infectados caiu quase pela metade após a introdução da vacina.

De acordo com dados coletados em 2016 e 2017, 14,98% dos jovens participantes do estudo apresentavam infecção por pelo menos um dos quatro tipos de HPV cobertos pela vacina. Em contrapartida, amostras obtidas entre 2020 e 2023 mostraram que essa taxa caiu para 7,95%. A pesquisa, intitulada Pop-Brasil, foi realizada pelo Hospital Moinhos de Vento em colaboração com o Ministério da Saúde.

No estudo, foram analisados 6.388 jovens não vacinados na primeira fase, enquanto mais de 10 mil participantes, entre vacinados e não vacinados, foram incluídos na segunda fase. O foco da pesquisa foram jovens com idades entre 16 e 25 anos, como explica a médica epidemiologista Eliana Wendland, que liderou o estudo. "Essa faixa etária é a que apresenta a maior prevalência de HPV, pois é o início da atividade sexual. Além disso, essa população deveria já ter sido vacinada".

Entretanto, os índices de vacinação não alcançaram o ideal. Apenas 61,8% das meninas e mulheres participantes estavam vacinadas, enquanto a taxa foi ainda menor entre os meninos, com apenas 31,1% vacinados. O ideal seria que 90% desse público estivesse imunizado.

Ainda assim, a vacinação mostrou sua eficácia. Entre as meninas e mulheres que se vacinaram, a prevalência dos tipos de HPV cobertos pela vacina caiu de 15,6% na primeira fase para apenas 3,1% na segunda fase. Além disso, a pesquisa identificou um fenômeno conhecido como "efeito rebanho". Este efeito ocorre quando a vacinação em larga escala diminui a circulação do vírus, beneficiando até mesmo aqueles que não foram imunizados. Entre as meninas e mulheres não vacinadas, a prevalência dos quatro tipos de HPV foi de 10,5% na segunda fase.

Em relação aos homens, a prevalência dos subtipos de HPV nos vacinados caiu de 13,8% para 4,6%. No entanto, não houve alteração significativa entre os não vacinados, o que pode ser atribuído à baixa taxa de vacinação entre esse público. Eliana Wendland destacou que a vacinação masculina é frequentemente menos incentivada do que a feminina, em parte devido à percepção de que o HPV é principalmente um causador de câncer do colo do útero.

Outro dado relevante da pesquisa é que, enquanto a prevalência geral de HPV na população aumentou de 46,7% para 56,6% entre as duas fases do estudo, a prevalência dos quatro tipos combatidos pela vacina diminuiu consideravelmente. Isso reforça o papel importante da vacinação na luta contra o HPV.

O estudo também confirmou que a estratégia atual de vacinação do Sistema Único de Saúde (SUS), que consiste em uma única dose, é eficaz. Não foram encontradas diferenças significativas na prevalência do vírus entre aqueles que receberam uma, duas ou três doses da vacina.

A vacinação contra o HPV no SUS teve início em 2014, inicialmente destinada apenas a meninas, mas a partir de 2017 passou a incluir meninos, com alterações nas faixas etárias ao longo do tempo. Em 2024, o esquema básico mudou de duas doses para apenas uma. Atualmente, a vacinação é direcionada a crianças e adolescentes entre 9 e 14 anos, além de grupos vulneráveis, como imunossuprimidos e vítimas de violência sexual.

O HPV é o principal responsável pelo câncer do colo do útero, mas também pode causar câncer em outros órgãos, como pênis, ânus e garganta. Embora nem todos os subtipos do vírus tenham potencial cancerígeno, a vacina disponível no SUS protege contra os quatro principais tipos oncogênicos.

Desta forma, os resultados da pesquisa ressaltam a importância da vacinação contra o HPV como uma estratégia eficaz para a saúde pública. A redução significativa na prevalência do vírus entre jovens vacinados é um sinal positivo, mas a cobertura vacinal ainda precisa ser ampliada. A baixa adesão entre meninos, por exemplo, indica a necessidade de campanhas de conscientização mais robustas.

Além disso, a identificação do efeito rebanho evidencia que a vacinação não apenas protege o indivíduo, mas também a comunidade como um todo. Isso reforça a ideia de que a imunização deve ser encarada como um dever coletivo e um compromisso social.

O Sistema Único de Saúde deve continuar a investir na divulgação e acesso à vacina, principalmente para os grupos mais vulneráveis. A educação em saúde é fundamental para mudar percepções e aumentar a aceitação da vacinação, especialmente entre os meninos.

Em resumo, a continuidade e ampliação da vacinação contra o HPV, aliadas a campanhas educativas, são essenciais para garantir uma redução ainda maior na prevalência do vírus e, consequentemente, na incidência de cânceres relacionados. O futuro da saúde pública depende de ações que priorizem a vacinação e a conscientização.

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Camila Lacerda Bueno

Sobre Camila Lacerda Bueno

Fisioterapeuta com pós-graduação em Medicina Tradicional Chinesa. Atua com atletas de alto rendimento e reabilitação física. Paixão por anatomia humana e biomecânica. Praticante assídua de crossfit e levantamento de peso.