Acesso à Terapia CAR-T no Brasil: Avanços e Desafios na Luta Contra o Câncer
16 MAI

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Saúde
Camila Lacerda Bueno Por Camila Lacerda Bueno - Há 9 dias
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Uma nova terapia que promete revolucionar o tratamento do câncer é a CAR-T, que reprograma células do sistema imunológico para combater tumores. No Brasil, essa terapia já demonstrou eficácia em casos de cânceres agressivos, mas o acesso ainda enfrenta desafios significativos. Estudos apontam que muitos pacientes morrem antes de conseguir receber o tratamento, devido a problemas como desigualdade, judicialização e gargalos logísticos.

A terapia CAR-T, que pode ter custos que chegam até R$ 4 milhões por dose, tornou-se um dos principais avanços na luta contra o câncer. Com taxas de resposta de até 80% em alguns tipos de câncer hematológico, mais da metade dos pacientes apresenta remissão completa dos tumores. Contudo, o acesso a essa nova tecnologia ainda é restrito. Um estudo publicado na revista Frontiers in Hematology revela que a espera para o tratamento pode custar a vida de muitos pacientes.

De acordo com o oncologista Stephen Stefani, um dos autores do estudo, muitos pacientes não conseguem iniciar o tratamento a tempo. “Parte deles piora clinicamente ou até morre antes de obter acesso à CAR-T”, explica o especialista, que faz parte de um grupo de médicos e representantes de entidades de saúde que analisou a situação no Brasil. Embora o país seja o único da América Latina a ter um acesso estruturado a essa terapia, ainda há muitos obstáculos a serem superados.

O funcionamento da terapia CAR-T envolve a coleta de linfócitos T do paciente, que são modificados geneticamente em laboratório para se tornarem células capazes de identificar e atacar as células tumorais. Após essa reprogramação, as células são reinfundidas no organismo do paciente, potencialmente salvando vidas. O tratamento já é aprovado para leucemias, linfomas e mieloma múltiplo, com quatro terapias CAR-T já em uso no Brasil entre 2022 e 2024.

Apesar dos avanços, o custo elevado e a falta de centros especializados são barreiras que limitam o acesso à terapia. O estudo destaca que a judicialização se tornou uma prática comum, uma vez que muitos pacientes são obrigados a entrar na justiça para garantir o tratamento. “Hoje, 100% dos casos brigam judicialmente e conseguem o acesso”, afirma Stefani, alertando que essa situação cria desigualdade no sistema de saúde.

Outro ponto crítico é a logística envolvida na terapia. Muitas vezes, as células precisam ser enviadas para laboratórios no exterior, o que pode levar a atrasos e complicações. “Em algumas regiões, pacientes podem levar até dois dias em um barco para chegar a um centro de tratamento”, explica o oncologista. Problemas simples, como a perda de uma conexão aérea, também podem comprometer o tratamento e a saúde do paciente.

Os especialistas sugerem que o Brasil precisa desenvolver novos protocolos e ampliar a infraestrutura hospitalar para facilitar o acesso à terapia CAR-T. Além disso, a produção nacional da terapia pode ajudar a reduzir custos e aumentar a oferta. Com medidas adequadas, é possível que mais pacientes tenham acesso a essa terapia inovadora, evitando que vidas sejam perdidas devido à falta de tratamento.

Desta forma, é imprescindível que o Brasil avance na criação de políticas públicas voltadas para a saúde, especialmente no que se refere a tratamentos inovadores como a CAR-T. A desigualdade no acesso à saúde é um problema grave que exige uma resposta eficaz do governo e dos sistemas de saúde.

Em resumo, a judicialização do acesso à terapia CAR-T não é a solução ideal, pois apenas beneficia aqueles que conseguem brigar por seus direitos. É necessário um modelo que garanta acesso igualitário para todos os pacientes, independentemente de sua condição financeira ou geográfica.

Assim, o engajamento de todos os setores da sociedade, incluindo o governo, instituições de saúde e a população em geral, é fundamental para transformar o cenário atual e garantir que todos tenham acesso a tratamentos eficazes.

Finalmente, a conscientização sobre a importância da pesquisa e inovação na saúde deve ser ampliada. A produção nacional de terapias como a CAR-T pode não apenas reduzir custos, mas também melhorar a qualidade do atendimento em saúde no Brasil.

O futuro do tratamento do câncer no Brasil pode ser promissor, mas isso depende de ações concretas e de um compromisso coletivo para garantir que todos os pacientes tenham acesso às melhores opções de tratamento disponíveis.

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Camila Lacerda Bueno

Sobre Camila Lacerda Bueno

Fisioterapeuta com pós-graduação em Medicina Tradicional Chinesa. Atua com atletas de alto rendimento e reabilitação física. Paixão por anatomia humana e biomecânica. Praticante assídua de crossfit e levantamento de peso.