Anvisa alerta sobre riscos de pancreatite associados ao uso de canetas emagrecedoras
11 FEV

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Saúde
Camila Lacerda Bueno Por Camila Lacerda Bueno - Há 2 meses
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A relação entre o uso de canetas emagrecedoras e a pancreatite tem gerado preocupação entre os especialistas e a população. Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta destacando os riscos que esses medicamentos podem oferecer, especialmente para pessoas que utilizam essas canetas para emagrecer. De acordo com a Anvisa, entre os anos de 2020 e 2025, foram registrados seis óbitos possivelmente relacionados ao uso das canetas emagrecedoras no Brasil. Com isso, a agência reforçou a importância do acompanhamento médico durante o tratamento.

Para esclarecer as dúvidas sobre os riscos associados a essas canetas, a endocrinologista Cláudia Cozer Kalil, profissional do Hospital Sírio-Libanês, concedeu uma entrevista à CNN Brasil. Na conversa, a especialista detalhou as implicações do uso desses medicamentos e como utilizá-los de maneira segura. As canetas emagrecedoras, que começaram a ser disponibilizadas no Brasil em 2010 com a liraglutida (conhecida pela marca Victosa), são eficazes para o controle de diabetes e, posteriormente, receberam autorização para serem usadas no controle de peso.

Segundo Cláudia Kalil, as versões mais recentes dessas canetas têm apresentado menos efeitos colaterais e maior eficácia no tratamento. No entanto, é fundamental que os pacientes sigam critérios específicos para o uso. "É uma medicação que traz muitos benefícios, mas tem critérios de uso. O principal critério é que a pessoa tenha indicação pelo diabetes ou pela obesidade, que já é uma condição de maior risco dessa pessoa desenvolver pancreatite", explica a endocrinologista.

Além disso, a médica destaca que pessoas com obesidade frequentemente apresentam níveis elevados de triglicérides, maior consumo de álcool e uma maior incidência de cálculos biliares, todos fatores que podem aumentar o risco de inflamação pancreática. A pancreatite é uma condição caracterizada pela inflamação do pâncreas, que pode se manifestar de forma aguda ou crônica. A forma aguda é marcada por dor abdominal intensa, náuseas, vômitos e alterações nas enzimas pancreáticas.

A médica alerta que essa inflamação pode levar à morte do pâncreas e, em casos graves, resultar em infecções generalizadas que podem ser fatais. Indivíduos com histórico de pancreatite, níveis de triglicérides extremamente elevados (acima de mil) e consumo frequente de álcool são considerados pacientes de alto risco para o uso das canetas emagrecedoras. De acordo com Cláudia Kalil, o mecanismo de ação das canetas emagrecedoras é pancreático, o que significa que sua administração deve ser feita com cuidado, evitando doses altas e abruptas.

A endocrinologista recomenda que os pacientes comecem o tratamento com doses baixas, aumentando gradualmente conforme o organismo responde. "Às vezes, eu tenho que tratar os triglicérides junto com o início da utilização da caneta. Eu tenho que reduzir a ingestão de álcool para usar a caneta", explica a especialista. Outro ponto importante ressaltado por Cláudia é que, caso o paciente interrompa o uso da medicação e depois decida retomar, não deve voltar a usar a mesma dose alta anterior, pois isso pode sobrecarregar o pâncreas.

Cláudia Cozer também defende que a obesidade deve ser tratada como uma doença metabólica grave, desmistificando a ideia de que pessoas com excesso de peso não conseguem emagrecer por falta de força de vontade. "Tem a genética, tem a tendência, tem a dificuldade. Tem famílias ou pessoas que comem muito e não engordam, e tem pessoas que comem pouco e não conseguem emagrecer", afirma a endocrinologista.

Em relação à duração do tratamento, a especialista esclarece que, ao contrário dos pacientes diabéticos que, em muitas situações, precisarão usar a medicação por um longo período, as pessoas com obesidade podem reduzir gradualmente a dose quando atingirem o peso desejado. "Quando você chega no peso que para você está adequado, está estável, e você já não precisa tanto do efeito da caneta, eu reduzo essa caneta na dose mínima e espaço o uso", conclui ela.

A endocrinologista enfatiza a importância do acompanhamento médico regular durante todo o tratamento com canetas emagrecedoras, para monitorar possíveis efeitos colaterais e ajustar as doses conforme necessário, garantindo assim a segurança e eficácia do tratamento.


Desta forma, é crucial que os pacientes sejam devidamente orientados sobre os riscos associados ao uso de canetas emagrecedoras. O alerta da Anvisa sobre as possíveis relações entre esses medicamentos e casos de pancreatite é um chamado à responsabilidade dos profissionais de saúde. A prescrição deve ser feita com cautela, considerando o histórico médico de cada paciente.

Além disso, a discussão sobre a obesidade como uma doença metabólica grave precisa ser ampliada. A desmistificação desse tema é fundamental para que as pessoas compreendam que o emagrecimento não depende apenas da força de vontade, mas de uma série de fatores complexos que envolvem genética e condições de saúde.

O acompanhamento médico contínuo é essencial não apenas para evitar complicações, mas também para garantir que os tratamentos sejam ajustados conforme necessário. Isso pode evitar problemas graves e garantir a eficácia dos medicamentos.

Por fim, a conscientização sobre a importância de hábitos saudáveis, como a alimentação equilibrada e a prática de atividades físicas, deve ser promovida em conjunto com o uso de medicamentos. Somente assim será possível abordar de forma eficaz a questão da obesidade e suas implicações para a saúde da população.

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Camila Lacerda Bueno

Sobre Camila Lacerda Bueno

Fisioterapeuta com pós-graduação em Medicina Tradicional Chinesa. Atua com atletas de alto rendimento e reabilitação física. Paixão por anatomia humana e biomecânica. Praticante assídua de crossfit e levantamento de peso.