Aprovação do Ozivy: primeira semaglutida nacional é autorizada pela Anvisa
26 MAI

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Saúde
Marina Souza Peroni Por Marina Souza Peroni - Há 1 hora
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou, nesta terça-feira (26), a aprovação do Ozivy, a primeira caneta de semaglutida produzida no Brasil. Este medicamento, desenvolvido pela farmacêutica EMS, surge após o término da patente do princípio ativo que já é utilizado em medicamentos como Ozempic, Wegovy e Rybelsus. A expectativa é que o Ozivy seja o primeiro de vários novos produtos a emergir no mercado, após a expiração da exclusividade do fabricante original.

Com a liberação do Ozivy, a EMS se torna pioneira na fabricação nacional de um medicamento análogo ao já consagrado Ozempic. O Ozivy, no entanto, ainda não tem uma data definida para chegar às farmácias, pois passa por processos que garantem sua eficácia, segurança e qualidade. Apesar de não ter autorização para o tratamento de obesidade e sobrepeso, o uso do medicamento pode ser considerado off-label, já que a semaglutida original possui essa indicação.

O registro do Ozivy representa um passo importante para o aumento da concorrência no mercado de medicamentos para diabetes tipo 2. A Anvisa já tem uma lista de mais de dez pedidos de novos produtos à base de semaglutida em análise, o que pode resultar em uma diminuição gradual dos preços dos tratamentos disponíveis. A fabricante Novo Nordisk, que detinha a patente até março deste ano, está tentando prorrogar sua exclusividade na Justiça, mas até o momento não obteve sucesso.

A aprovação do Ozivy é um avanço significativo, especialmente considerando que a semaglutida é uma alternativa eficaz no controle do diabetes tipo 2. O medicamento atua a partir da injeção subcutânea, mas exige cuidados específicos de conservação. Ao contrário do Ozempic, que pode ser mantido fora da geladeira após o uso, o Ozivy deve permanecer refrigerado antes e depois da aplicação.

A EMS ainda não divulgou informações sobre o preço do Ozivy ou a data de lançamento no mercado. Contudo, especialistas acreditam que a entrada de um novo concorrente pode levar a uma redução nos preços das opções já existentes, beneficiando os pacientes que necessitam desse tipo de tratamento. É importante destacar que o Ozivy não é um genérico, mas sim um medicamento análogo, o que significa que pode ter um nome comercial próprio e uma política de preços diferente, de acordo com as normas da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).

Desta forma, a aprovação do Ozivy representa um marco importante na saúde pública brasileira, pois oferece mais opções de tratamento para o diabetes tipo 2. A concorrência gerada pela entrada desse novo medicamento pode resultar em queda nos preços, beneficiando pacientes que enfrentam dificuldades financeiras para acessar esses tratamentos.

Além disso, a ampliação da oferta de medicamentos semelhantes pode estimular inovações no setor farmacêutico nacional. É fundamental que as autoridades de saúde continuem monitorando a eficácia e segurança dos novos produtos que chegam ao mercado.

O uso off-label do Ozivy, embora não esteja oficialmente indicado para a obesidade, pode ser uma alternativa para médicos que buscam atender às necessidades de seus pacientes. Isso ressalta a flexibilidade que o sistema de saúde brasileiro possui em relação a novas abordagens terapêuticas.

Finalmente, a situação atual do mercado de semaglutida é um reflexo das complexidades das patentes e da regulamentação farmacêutica no Brasil. A luta da Novo Nordisk para manter sua patente é um indicativo de como questões de propriedade intelectual podem impactar a saúde pública.

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Marina Souza Peroni

Sobre Marina Souza Peroni

Médica endocrinologista e mestre em Bioética Médica. Atua em hospitais da rede privada focada em longevidade e saúde integrativa. Paixão por saúde preventiva. Participa ativamente de um coro coral amador local.