Cerca de 20% dos brasileiros relatam ter vivido experiências de viagem astral, aponta pesquisa
24 MAI

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Saúde
Camila Lacerda Bueno Por Camila Lacerda Bueno - Há 1 dia
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A sensação de sair do corpo, conhecida como "viagem astral", é uma experiência que muitas pessoas acreditam ser mais comum do que se pensava. Um estudo recente publicado na revista científica Nature Communications Psychology revelou que aproximadamente 1 em cada 5 brasileiros já vivenciou essa sensação em algum momento de suas vidas. A pesquisa, que envolveu mais de 11 mil participantes, foi realizada por cientistas do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino e da iniciativa IDOR Ciência Pioneira.

Além da viagem astral, a pesquisa identificou outras experiências consideradas incomuns, como déjà vu, sonhos lúcidos, sensações de presença invisível e ouvir vozes sem fontes identificáveis. Os pesquisadores analisaram as respostas dos participantes em uma série de seis estudos e descobriram que entre 97,57% e 99,5% das pessoas relataram ter vivido pelo menos uma chamada "experiência não ordinária" em suas vidas.

A principal conclusão do estudo não é apenas a alta frequência desses relatos, mas também a forma como as perguntas são formuladas, o que pode alterar drasticamente os resultados. Em vez de tratar essas experiências como sinais de problemas clínicos, fenômenos espirituais ou eventos paranormais, os pesquisadores sugerem que a ciência deve primeiro compreender como as pessoas percebem e descrevem essas vivências.

No estudo, a viagem astral é descrita como uma experiência em que a pessoa sente que sua consciência está separada do corpo físico e pode observar a si mesma de maneira externa. Os pesquisadores enfatizam que essa experiência é um fenômeno subjetivo ligado à percepção da consciência, sem necessariamente envolver interpretações espirituais ou paranormais.

Embora relatos de viagem astral sejam menos frequentes do que experiências emocionais ou cognitivas, uma parte significativa da população relatou vivências desse tipo. Dados indicam que entre 13% e 20% dos participantes relataram experiências de saída do corpo, percepção de luzes sem fonte visível ou visão de objetos animados.

Essas informações ajudam a desmistificar o tema e reduzir o estigma associado. Segundo Ronald Fischer, principal autor do estudo, muitas pessoas que passam por essas experiências não sabem como interpretá-las e, em alguns casos, hesitam em buscar ajuda por medo de parecerem estranhas.

"É comum que pessoas nunca tenham falado sobre isso antes, por receio de serem mal interpretadas. Ao conhecer os dados da pesquisa, muitas sentem alívio ao perceber que não estão sozinhas nessa vivência", explica Fischer.

A professora Bárbara Pires, especialista em Neurociências Aplicadas da UFRJ, é um exemplo de quem vivencia a sensação de sair do corpo desde a infância. Em entrevista, ela relatou que se deu conta de suas experiências em 2021 e que elas podem ocorrer durante o sono ou em diferentes estados de consciência.

Pires observou que, inicialmente, tinha medo dessas vivências, mas atualmente, com mais autoconhecimento e recursos emocionais, compreende melhor o que acontece. Ela descreve a viagem astral como uma sensação de deslocamento da consciência em relação ao corpo físico, uma experiência difícil de colocar em palavras, mas que envolve percepções muito subjetivas.

Ela também notou que algumas experiências são mais frequentes em ambientes que considera emocionalmente seguros e acolhedores. O desejo de ajudar os outros também parece facilitar essas vivências. Para ela, a interpretação espiritual é uma possibilidade válida, mas não deve ser a única abordagem para compreender essas experiências complexas.

Do ponto de vista científico, Pires acredita que ainda há muito a explorar em relação a esses fenômenos, que envolvem dimensões corporais, cognitivas, emocionais, sociais e culturais. A diversidade de explicações discutidas na literatura científica ressalta a complexidade do tema.

Desta forma, a pesquisa sobre experiências de viagem astral e outras vivências não ordinárias revela um aspecto intrigante da psicologia humana. O fato de cerca de 20% da população brasileira relatar essa experiência aponta para uma necessidade de maior compreensão e aceitação dessas vivências na sociedade.

O estigma que cerca essas experiências pode levar muitas pessoas a hesitar em compartilhar suas histórias, resultando em um isolamento desnecessário. Essa pesquisa, ao trazer à luz dados significativos, permite que indivíduos se sintam mais confortáveis em discutir suas experiências.

As conclusões dos pesquisadores sugerem que devemos olhar para essas experiências de forma mais aberta, sem reduzi-las a explicações simplistas. A ciência deve buscar entender a percepção subjetiva das pessoas, valorizando suas narrativas e experiências.

Compreender a viagem astral e fenômenos semelhantes pode contribuir para um diálogo mais amplo sobre a consciência humana. Isso pode abrir novas possibilidades para a pesquisa e o entendimento da psicologia e espiritualidade.

Finalmente, é essencial promover uma educação que permita às pessoas explorar e discutir suas experiências sem medo de julgamento. Um ambiente acolhedor e seguro é fundamental para que mais indivíduos compartilhem suas vivências, contribuindo para um entendimento mais profundo da natureza humana.

Experiências como a viagem astral podem nos ensinar sobre a complexidade da consciência e a diversidade da experiência humana. Esse é um tema que merece atenção e respeito por parte da comunidade científica e da sociedade em geral.

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Camila Lacerda Bueno

Sobre Camila Lacerda Bueno

Fisioterapeuta com pós-graduação em Medicina Tradicional Chinesa. Atua com atletas de alto rendimento e reabilitação física. Paixão por anatomia humana e biomecânica. Praticante assídua de crossfit e levantamento de peso.