Compreendendo as Transformações do Corpo nos Momentos Finais da Vida
27 MAI

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Saúde
Juliana Mendes Peixoto Por Juliana Mendes Peixoto - Há 3 dias
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A morte é um processo que, embora muitas vezes seja percebido como repentino, ocorre na verdade de forma gradual. Especialistas afirmam que, na maior parte dos casos, o corpo humano passa por diversas transformações físicas e sensoriais durante os momentos que antecedem o fim da vida. Essa sequência pode se estender por horas ou até dias, refletindo a diminuição das funções vitais do organismo.

À medida que se aproxima o momento da morte, o apetite e a sede tendem a diminuir, e a sonolência se torna mais frequente. Essa mudança ocorre porque o corpo tenta economizar energia. A respiração, por sua vez, torna-se irregular, alternando entre ciclos de respiração profunda e longas pausas. Em muitos casos, ocorre um fenômeno conhecido como "ronco da morte", que é causado pelo acúmulo de secreções na garganta e nos pulmões. Isso acontece porque o reflexo de tosse já não funciona perfeitamente.

Embora essa situação possa impressionar os que estão ao redor, o "ronco da morte" não costuma causar desconforto ao paciente. Segundo Daniélle Amaro, oncologista, esse som é resultado da dificuldade de deglutição em pacientes inconscientes, que continuam a produzir saliva em grande quantidade. A equipe médica pode adotar algumas medidas, como o reposicionamento do corpo e a aspiração leve da via aérea, além de medicamentos que ajudam a reduzir as secreções, buscando proporcionar mais conforto tanto ao paciente quanto aos familiares que acompanham a cena.

Apesar de a consciência parecer ausente, a audição é um sentido que tende a se preservar até muito perto do fim. Por essa razão, médicos e enfermeiros que atuam em cuidados paliativos recomendam que os familiares continuem conversando com o paciente. Há evidências de que ele pode ouvir as palavras e os sons ao seu redor. A explicação para isso possivelmente reside no fato de que o sistema auditivo é mais resistente às mudanças do corpo durante esse processo do que outros sentidos, como a visão.

Além disso, em casos raros, pode ocorrer o que é chamado de lucidez terminal. Nessa situação, pacientes em estado avançado de debilidade podem surpreender ao recuperar, mesmo que por breves momentos, a capacidade de se comunicar, interagir e até relembrar momentos da vida, como se quisessem se despedir antes do desligamento definitivo do corpo.

Embora esse processo possa parecer difícil, é importante ressaltar que muitos dos sinais que precedem a morte não são necessariamente dolorosos. A desidratação que ocorre naturalmente nesse período, por exemplo, pode levar à liberação de substâncias que proporcionam uma sensação de bem-estar. Dessa forma, a transição pode ser menos dolorosa do que se imagina, como explica Edison Iglesias Vidal, geriatra e diretor da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia de São Paulo.

Quando o coração finalmente para e a respiração cessa, inicia-se uma sequência de mudanças que ocorrem após a morte. Os músculos relaxam completamente, a mandíbula pode cair e as pálpebras se fecham parcialmente. Poucos minutos depois, a pele começa a perder a cor, pois o sangue já não circula, acumulando-se nas partes mais baixas do corpo e formando manchas arroxeadas. Algumas horas depois, os músculos enrijecem, resultando no chamado rigor mortis, que pode durar entre 12 a 18 horas antes de desaparecer, deixando o corpo flácido.

Desta forma, é fundamental que a sociedade compreenda melhor o processo de morte e as mudanças que o corpo humano enfrenta nesse momento. Essa compreensão pode ajudar a desmistificar a experiência da morte, promovendo um ambiente mais acolhedor para os que permanecem ao lado do paciente. Além disso, é essencial que os profissionais de saúde estejam preparados para oferecer o suporte adequado, tanto físico quanto emocional, durante essa fase delicada.

A comunicação é uma ferramenta poderosa e, ao manter conversas com o paciente, os familiares podem proporcionar conforto e um sentido de conexão, mesmo quando a consciência parece ausente. É importante que se reconheça o valor desses momentos, que podem ser significativos tanto para o paciente quanto para os que estão ao seu redor.

Em resumo, a morte é uma parte natural da vida, e entender suas etapas pode ajudar a lidar com a dor da perda. As evidências científicas em torno da audição preservada nos últimos momentos mostram que o diálogo e a presença afetuosa são essenciais. Portanto, cultivar essa conexão pode ser reconfortante em um momento tão difícil.

Finalmente, é necessário que as famílias e cuidadores estejam cientes das possibilidades de conforto que os cuidados paliativos oferecem. A aceitação do processo de morte, com seus sinais e sintomas, é um passo importante para lidar com a realidade da finitude e a busca por uma experiência menos dolorosa para todos os envolvidos.

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Juliana Mendes Peixoto

Sobre Juliana Mendes Peixoto

Mestre em Saúde Pública, com foco em bem-estar coletivo e nutrição. Atua em diversas ONGs de apoio comunitário e saúde da família. Apaixonada por ioga, meditação e jardinagem urbana em pequenos espaços residenciais.