Dormir Tarde Pode Aumentar Risco de Infarto e AVC, Segundo Pesquisa - Informações e Detalhes
Um estudo recente da Associação Americana do Coração revela que pessoas que têm o hábito de dormir tarde, conhecidas como cronotipo vespertino, possuem um maior risco de desenvolver problemas cardiovasculares. A pesquisa, publicada em janeiro de 2026, destacou que essa condição é especialmente preocupante entre as mulheres, que mostram uma predisposição ainda mais acentuada para essas doenças.
Embora a hora de dormir seja um fator relevante, os pesquisadores alertam que o risco não é causado apenas pelo horário, mas sim por hábitos de vida que costumam acompanhar aqueles que dormem mais tarde. Muitas dessas pessoas tendem a adotar estilos de vida menos saudáveis, o que contribui para o aumento dos riscos associados a infartos e AVCs.
Para entender melhor o cronotipo, é importante saber que ele se refere à predisposição natural de cada um para o sono e a vigília. Essa inclinação pode ser influenciada por fatores genéticos, ambientais e de estilo de vida. As classificações mais comuns incluem "matutino", para aqueles que dormem cedo e são mais ativos pela manhã, e "vespertino", para quem prefere dormir mais tarde e se sente mais disposto à noite. Há também os indivíduos que se encaixam em uma categoria intermediária.
O estudo da AHA analisou dados de mais de 320 mil pessoas que participaram do UK Biobank, um banco de dados de saúde no Reino Unido. Os pesquisadores descobriram que aqueles que se identificaram como "definitivamente vespertinos" apresentaram piores resultados em relação a um conjunto de métricas de saúde cardiovascular, conhecido como Life’s Essential 8. Esse conjunto inclui aspectos como dieta, atividade física, uso de nicotina, qualidade do sono, peso corporal, níveis de colesterol e triglicerídeos, glicose e pressão arterial.
Os resultados mostraram que o grupo que dormia tarde teve um desempenho cerca de 79% pior em relação a essas métricas. Além disso, ao longo de quase 14 anos de acompanhamento, as chances de infarto ou AVC foram aproximadamente 16% mais altas entre os indivíduos com cronotipo vespertino. Essa tendência foi ainda mais pronunciada no grupo feminino, embora o estudo não tenha conseguido explicar a razão exata desse fenômeno.
A pesquisa sugere que um estilo de vida menos saudável está frequentemente associado ao cronotipo vespertino. As pessoas que dormem tarde podem ser mais propensas a escolhas alimentares inadequadas, sedentarismo e até mesmo tabagismo, que são fatores de risco conhecidos para doenças cardiovasculares. Contudo, é importante ressaltar que simplesmente dormir tarde não é o único responsável por esse aumento no risco.
Na verdade, o problema pode estar mais relacionado a padrões de sono irregulares que muitas vezes acompanham esse cronotipo. Fatores como a exposição à luz natural e as demandas sociais podem impactar o ritmo circadiano, levando a uma qualidade de sono inferior, o que também contribui para esses riscos.
Desta forma, é fundamental que a sociedade atente para os hábitos de vida que cercam o cronotipo vespertino. O estudo revela que, embora a predisposição para dormir tarde possa ser natural, os comportamentos associados a esse estilo de vida merecem atenção redobrada. As mulheres, em especial, devem ser orientadas sobre os riscos e incentivadas a adotar práticas saudáveis.
Além disso, as políticas de saúde pública devem considerar esses dados para promover campanhas que abordem a importância de um sono de qualidade, independentemente do horário em que a pessoa costuma dormir. A conscientização sobre a saúde cardiovascular é crucial para a prevenção de doenças que podem ser devastadoras.
Por fim, é essencial que as pessoas busquem formas de equilibrar seus horários de sono com hábitos saudáveis, como uma alimentação adequada e a prática regular de atividades físicas. Mudanças simples podem ter um impacto significativo na saúde cardiovascular.
Assim, entender que o cronotipo não é um destino irreversível, mas sim uma parte da complexa relação entre sono e saúde, pode ajudar muitos a fazerem escolhas mais informadas e saudáveis. O conhecimento é a primeira etapa para a mudança.
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