Entenda a Relação Entre Ansiedade e Autismo: Fatores que Influenciam o Dia a Dia
04 JUN

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Saúde
Juliana Mendes Peixoto Por Juliana Mendes Peixoto - Há 2 horas
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Um estudo recente aponta que até metade dos adultos diagnosticados com transtorno do espectro autista (TEA) enfrentam altos níveis de ansiedade, o que pode impactar significativamente suas vidas cotidianas. Essa relação entre ansiedade e autismo é complexa, pois o diagnóstico muitas vezes envolve a sobreposição de múltiplas condições.

A avaliação da ansiedade em pessoas com TEA é um desafio, o que exige uma abordagem transdiagnóstica, ou seja, uma análise que considere a intersecção de diferentes transtornos. Durante o Congresso sobre Cérebro, Comportamento e Emoções, realizado em Porto Alegre, especialistas discutiram a necessidade de entender como a ansiedade pode se manifestar em indivíduos autistas, frequentemente resultando de um conflito entre as expectativas sociais e a maneira como essas pessoas processam as informações ao seu redor.

A psiquiatra Malu Joyce de Amorim Macedo, que participou do evento, destacou a importância de reconhecer que muitos adultos autistas podem não ter recebido um diagnóstico adequado durante a infância, o que impede um tratamento eficaz. Os sintomas de ansiedade podem ser exacerbados por fatores como o mascaramento, a alexitimia e a interocepção alterada. Esses fenômenos dificultam a autoidentificação e a expressão emocional, o que pode levar a um estado de estresse constante.

O mascaramento é um comportamento em que indivíduos neurodivergentes tentam esconder os sinais de suas condições para serem aceitos socialmente. Esse esforço pode resultar em hipervigilância sobre o próprio comportamento, o que gera uma exaustão emocional considerável. A alexitimia, por sua vez, refere-se à dificuldade em identificar e nomear emoções, algo que é comum entre pessoas com TEA, mas que ocorre com uma frequência muito maior do que na população geral. Essa falta de habilidades emocionais pode resultar em depressão e ansiedade.

Outro fator que precisa ser considerado é a interocepção alterada, que é a dificuldade em perceber e interpretar os sinais do corpo, como fome, dor ou batimentos cardíacos. Essa condição pode levar a dificuldades emocionais, crises de ansiedade e até mesmo episódios de pânico.

Para tratar esses problemas, é fundamental uma avaliação integrada. "Os sintomas do autismo estão interligados com a interocepção e a alexitimia, que podem contribuir para a manifestação de ansiedade e depressão", explica Macedo. O tratamento deve considerar não apenas os sintomas ansiosos, mas a totalidade da experiência do paciente.

A psiquiatra Alice Castro Menezes Xavier, também presente no congresso, apresentou sua pesquisa sobre os tratamentos mais eficazes para pacientes com TEA que lutam contra a ansiedade. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) adaptada se mostrou a mais benéfica, proporcionando controle prolongado dos sintomas. Essa abordagem inclui o uso de técnicas visuais e a incorporação de interesses pessoais dos pacientes, permitindo um tratamento mais envolvente e eficaz.

É importante ressaltar que, embora o uso de medicamentos possa ser necessário, muitos pacientes autistas podem apresentar uma resposta reduzida a certos antidepressivos, como os inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS). Portanto, a cautela é necessária ao considerar a farmacoterapia.

Desta forma, é imprescindível que a discussão sobre a intersecção entre ansiedade e autismo avance, uma vez que a saúde mental da população autista é frequentemente negligenciada. A necessidade de uma abordagem integrada é clara, especialmente em um cenário onde diagnósticos inadequados podem comprometer a qualidade de vida dos indivíduos.

Além disso, a importância de adaptar as terapias tradicionais para atender às necessidades específicas dos pacientes com TEA deve ser uma prioridade nas práticas clínicas. Isso não apenas melhora a eficácia do tratamento, mas também promove uma compreensão mais profunda das experiências vividas por essas pessoas.

É necessário que os profissionais de saúde mental estejam atentos a esses fatores para oferecer um suporte adequado. Isso envolve não apenas o reconhecimento dos sintomas, mas também a validação das experiências emocionais dos pacientes autistas. A promoção de um ambiente acolhedor é fundamental.

Em resumo, a intersecção entre autismo e ansiedade representa um desafio significativo, mas também uma oportunidade para melhorar a qualidade do atendimento. A comunidade médica deve se empenhar em entender melhor essas condições e promover intervenções que sejam verdadeiramente eficazes e sensíveis às particularidades do autismo.

Finalmente, a conscientização sobre esses temas deve ser ampliada para que mais pessoas tenham acesso a informações adequadas e possam buscar ajuda quando necessário.

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Juliana Mendes Peixoto

Sobre Juliana Mendes Peixoto

Mestre em Saúde Pública, com foco em bem-estar coletivo e nutrição. Atua em diversas ONGs de apoio comunitário e saúde da família. Apaixonada por ioga, meditação e jardinagem urbana em pequenos espaços residenciais.