Estudo aponta melhores exercícios para combater ansiedade e depressão
11 FEV

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Saúde
Marina Souza Peroni Por Marina Souza Peroni - Há 2 meses
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Um estudo publicado no British Journal of Sports Medicine destaca a importância do exercício físico como um forte aliado na saúde mental. A análise mostra que atividades aeróbicas, como corrida, natação e dança, são as mais eficazes na redução dos sintomas de depressão e ansiedade. Os pesquisadores também enfatizam que todos os tipos de exercícios trazem benefícios, muitas vezes comparáveis ou até superiores ao que é obtido com medicamentos e terapias de conversa.

De acordo com dados, a depressão e a ansiedade afetam até uma em cada quatro pessoas no mundo, sendo mais comuns entre jovens e mulheres. Embora já houvesse estudos anteriores sugerindo as vantagens da atividade física, restavam perguntas sobre quais tipos, intensidades e formatos seriam mais eficazes. Para responder a essas questões, os autores do estudo realizaram uma chamada "meta-meta-análise", que reuniu e sintetizou dados de várias análises prévias baseadas em ensaios clínicos randomizados.

O estudo abarcou 57 análises de dados agrupados, envolvendo 800 estudos e 57.930 participantes com idades entre 10 e 90 anos. No que diz respeito à ansiedade, a revisão analisou 24 estudos, abrangendo 258 investigações e 19.368 participantes com idades entre 18 e 67 anos. Os pesquisadores avaliaram diferentes modalidades de exercício, incluindo aeróbicos, de resistência, práticas mente-corpo e programas mistos. Também foram considerados fatores como duração, intensidade, frequência e se as atividades eram realizadas individualmente, em grupos ou sob supervisão.

As descobertas mostram que, no caso da depressão, os melhores resultados estão associados a exercícios aeróbicos, especialmente quando realizados em grupo e com supervisão. Para a ansiedade, os benefícios foram notados em diversas modalidades, incluindo aeróbicos, resistência e práticas mente-corpo. Um dado importante é que exercícios de menor duração, com até oito semanas de prática e de baixa intensidade, mostraram-se particularmente eficazes para o alívio da ansiedade.

Os autores do estudo alertam que os efeitos observados foram equivalentes ou até superiores aos resultados obtidos em intervenções farmacológicas e terapias psicológicas. Isso não significa que os tratamentos médicos devam ser abandonados, mas enfatiza que o exercício físico pode ser uma ferramenta complementar e, em algumas situações, uma estratégia inicial viável.

Outro aspecto relevante destacado pela pesquisa é a influência dos fatores sociais. Atividades realizadas em grupo ou com a orientação de um profissional mostraram benefícios mais consistentes, sugerindo que a interação social e o suporte ajudam a potencializar os efeitos positivos do exercício sobre o humor.

Os pesquisadores também reconhecem limitações em seus achados, como as diferenças na definição de intensidade e duração dos treinos entre os estudos analisados. Além disso, há uma menor quantidade de dados que acompanham os participantes ao longo de suas vidas. Contudo, a conclusão é clara: o exercício físico se mostra uma intervenção eficaz, acessível e com benefícios adicionais para a saúde geral.

A recomendação final dos pesquisadores é a personalização dos programas de exercício, levando em consideração as preferências individuais, a condição física e o contexto de cada pessoa.


Desta forma, a pesquisa reforça a ideia de que a atividade física não é apenas benéfica para o corpo, mas também para a mente. O reconhecimento dos exercícios como uma estratégia eficaz para o combate à ansiedade e à depressão é um avanço importante para a saúde pública.

A promoção de atividades em grupo pode ser uma maneira de incentivar a prática regular de exercícios, ao mesmo tempo em que se combate o isolamento social, um fator que contribui para problemas de saúde mental. Assim, é fundamental que as políticas de saúde priorizem programas que incentivem a atividade física comunitária.

Em resumo, a integração entre saúde mental e atividade física deve ser uma prioridade nas discussões sobre saúde pública. Iniciativas que promovam a prática de exercícios de forma organizada e acessível podem ter um impacto significativo no bem-estar da população.

Finalmente, a personalização dos programas de exercícios deve ser uma diretriz a ser seguida, pois cada indivíduo possui diferentes necessidades e preferências. Isso pode aumentar a adesão e os benefícios obtidos com a prática regular.

Esse estudo é um convite à reflexão sobre como podemos, coletivamente, melhorar a saúde mental da população, ao integrar o exercício físico como uma parte fundamental do cuidado com a saúde.

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Marina Souza Peroni

Sobre Marina Souza Peroni

Médica endocrinologista e mestre em Bioética Médica. Atua em hospitais da rede privada focada em longevidade e saúde integrativa. Paixão por saúde preventiva. Participa ativamente de um coro coral amador local.