Estudo aponta que Brasil deve reduzir uso de cigarro até 2030, mas enfrentará aumento no consumo de álcool e obesidade
27 MAI

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Saúde
Camila Lacerda Bueno Por Camila Lacerda Bueno - Há 3 dias
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Um estudo recente publicado na revista científica The Lancet Regional Health revela que o Brasil deverá alcançar as metas de redução do tabagismo e do consumo de bebidas adoçadas até 2030. No entanto, o relatório também aponta um cenário preocupante para o aumento do consumo de álcool, obesidade e doenças crônicas como diabetes e hipertensão. Além disso, as metas de atividade física e de consumo de frutas e verduras permanecerão distantes do ideal proposto.

A pesquisa foi realizada por cientistas do Núcleo de Pesquisa em Epidemiologia das Doenças Crônicas da Universidade Federal de São Paulo (CRÔNICAS/UNIFESP) em parceria com o Ministério da Saúde. Os dados foram obtidos a partir de 643.196 adultos que participaram do Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), uma pesquisa anual que avalia hábitos de saúde nas capitais brasileiras.

As projeções do estudo foram baseadas nas metas do Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas e Agravos Não Transmissíveis no Brasil, 2021-2030. Dentre os objetivos, destacam-se a redução do consumo de bebidas adoçadas em 30%, do tabagismo em 40% e do consumo abusivo de álcool em 10%. Além disso, as metas incluem um aumento de 30% na prática de atividade física no lazer e no consumo recomendado de frutas e hortaliças.

Os resultados indicam que o Brasil deve reduzir a taxa de tabagismo de 9,8% em 2019 para 4,7% em 2030, superando a meta de redução em 30,1%. O consumo de bebidas adoçadas também deverá cair significativamente, passando de 15% para 3,2%, o que representa um aumento de 162% em relação à meta proposta.

No entanto, o cenário não é tão otimista em relação ao consumo de álcool e à saúde em geral. O estudo prevê que o consumo episódico excessivo de álcool aumente de 18,8% para 21,3%, ultrapassando a meta em 133%, com um aumento ainda mais acentuado entre as mulheres. O consumo de frutas e verduras, embora aumente de 22,9% para 24,5%, terá um crescimento modesto e representará apenas 23,3% da meta estabelecida. A prática de atividade física deve passar de 39% para 45,3%, alcançando apenas 53,8% do objetivo proposto.

As consequências desse quadro podem ser graves. A obesidade, por exemplo, deve aumentar de 20,3% para 28,3%, o que significa que mais de um em cada quatro brasileiros será considerado obeso, uma alta de 29,4%. A prevalência de diabetes deve subir de 7,4% para 10,9%, refletindo um aumento de 47,3%. A hipertensão arterial também apresentará crescimento, passando de 24,5% para 27,3%, um aumento de 11,4%, ambos fora das metas estipuladas.

Os pesquisadores ressaltam que, mesmo com as projeções positivas sobre a redução do tabagismo e do consumo de bebidas adoçadas, é necessário ter cautela. A análise indica que políticas públicas, como tributação e rotulagem de produtos, podem ter contribuído para a melhoria. Entretanto, os dados recentes sugerem uma estabilização nas quedas, o que pode indicar que os avanços não se manterão sem novos esforços.

Além disso, o estudo aponta que a falta de ajustes nas políticas de tributação do tabaco desde 2016 e o aumento da disponibilidade de novos produtos de nicotina, como cigarros eletrônicos, representam novos desafios para a saúde pública.

Por outro lado, no que diz respeito ao consumo de álcool, as políticas de redução enfrentam obstáculos, como a baixa adesão e lacunas na regulamentação do marketing e definição de preços. O alto custo dos alimentos saudáveis também é um fator que dificulta a adoção de hábitos alimentares mais saudáveis pela população.


Desta forma, é crucial que o governo brasileiro reforce políticas públicas que incentivem hábitos saudáveis e a redução do consumo de substâncias prejudiciais à saúde. O avanço nas taxas de tabagismo e bebidas adoçadas deve ser visto como um primeiro passo, mas não o suficiente para garantir a saúde da população.

Além disso, a crescente obesidade e o aumento de doenças crônicas apontam para a necessidade de ações imediatas. A promoção de hábitos saudáveis e o acesso a alimentos nutritivos são fundamentais para frear essa tendência alarmante.

Assim, o fortalecimento de campanhas educativas e de conscientização, aliado a uma maior regulamentação do mercado de alimentos e bebidas, pode ajudar a reverter esse cenário. O Brasil ainda está a tempo de não apenas alcançar as metas propostas, mas de superá-las em todas as áreas de saúde.

Finalmente, a tarefa de promover um estilo de vida saudável deve ser uma prioridade nacional, envolvendo não apenas o governo, mas também a sociedade civil e a indústria. Somente com um esforço conjunto será possível enfrentar os desafios que se avizinham.


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Camila Lacerda Bueno

Sobre Camila Lacerda Bueno

Fisioterapeuta com pós-graduação em Medicina Tradicional Chinesa. Atua com atletas de alto rendimento e reabilitação física. Paixão por anatomia humana e biomecânica. Praticante assídua de crossfit e levantamento de peso.