Estudo revela que 60% das alunas no Brasil enfrentam problemas com cólicas menstruais
29 MAI

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Saúde
Juliana Mendes Peixoto Por Juliana Mendes Peixoto - Há 10 horas
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As cólicas menstruais têm se mostrado uma das principais causas de faltas escolares entre meninas no Brasil. Um estudo divulgado na última quarta-feira, 27, pelo Instituto Alana e pela Equidade.info, revelou que quatro em cada dez alunas que menstruam já deixaram de ir à escola ao menos uma vez por mês devido às dores menstruais. A pesquisa abrangeu 2.552 estudantes, incluindo 770 menstruantes, 330 professores e 181 gestores de escolas públicas e privadas em todo o país.

De acordo com os dados, as alunas apontaram a cólica como o sintoma menstrual que mais impacta seu desempenho escolar. Além disso, fatores como fadiga e dores no corpo também foram mencionados como problemas recorrentes durante o ciclo menstrual. Aproximadamente 20,1% das entrevistadas relataram sentir vergonha e medo de vazamentos de sangue, o que destaca a necessidade de uma melhor educação menstrual no ambiente escolar.

Outro dado alarmante é que a falta de banheiros adequados e de itens de higiene, como absorventes e lenços umedecidos, foi uma queixa de 8,2% das estudantes. A ausência de estrutura para apoiar as alunas durante o período menstrual evidencia que essa questão deve ser tratada não apenas como um problema individual, mas como uma questão estrutural que afeta principalmente meninas de baixa renda e negras.

A pesquisa também revelou que uma parte significativa das meninas começa a menstruar antes dos 10 anos, com 36,5% relatando a primeira menstruação nesse período. Isso contrasta com 65,2% que menstruaram após os 11 anos. A menstruação precoce é um fenômeno que tem ocorrido com mais frequência nos últimos anos, o que torna essencial a adaptação das escolas para atender essas alunas.

A ginecologista Mariana Granado, do Hospital M’Boi Mirim, explica que a menstruação precoce é influenciada por múltiplos fatores, como a alimentação e a poluição. Ela ressalta que as meninas que menstruam mais cedo tendem a sentir cólicas mais intensas, com 43% relatando dores fortes. Esse percentual é menor, 27%, entre aquelas que menstruaram mais tarde. A falta de maturidade emocional para lidar com a menstruação também contribui para a ausência escolar, com muitas meninas deixando de ir à escola devido à vergonha ou à falta de apoio.

Granado defende a importância de disseminar informações sobre a menstruação em toda a comunidade escolar, para que todos, não apenas as meninas, compreendam o que acontece durante esse período. A educação menstrual pode ajudar a reduzir preconceitos e mitos, principalmente entre as que estão prestes a menstruar. É fundamental que as alunas entendam as mudanças que ocorrem em seus corpos e identifiquem quando devem buscar ajuda médica.

Joyce Martins, ginecologista e sexóloga, sugere que a solução para esses problemas passa pela educação contínua nas escolas. Ela acredita que é vital discutir abertamente o tema da menstruação, para que as alunas possam compartilhar experiências e encontrar apoio. Medidas práticas, como fornecer absorventes e roupas extras, podem fazer uma grande diferença no bem-estar das meninas durante o período menstrual.

A pesquisa também aponta que questões raciais e socioeconômicas influenciam a experiência menstrual das meninas. Meninas brancas relataram mais dores menstruais intensas do que meninas negras, mas isso pode estar relacionado à subnotificação de dor por medo de não serem acolhidas. Essa diferença reflete uma realidade estrutural, onde meninas de grupos mais vulneráveis enfrentam desafios adicionais na educação sobre saúde menstrual.

A correlação entre desinformação menstrual e desigualdade social é evidente. Meninas em situação de vulnerabilidade têm menos acesso não apenas a medicamentos e absorventes, mas também à educação sobre menstruação. Essa lacuna educacional pode ser um obstáculo significativo para a saúde e o bem-estar dessas jovens.

Por fim, é importante que a integração entre saúde e educação seja fortalecida para reduzir a desinformação sobre saúde menstrual. Cólica intensa em cerca de um terço das meninas pode indicar a necessidade de investigação clínica, já que condições como endometriose, que afeta uma em cada dez mulheres, podem levar anos para ser diagnosticadas, frequentemente começando durante a adolescência.

Desta forma, a questão da saúde menstrual das alunas brasileiras não pode ser ignorada. A pesquisa revela um panorama preocupante que reflete as desigualdades sociais e a falta de informação. É imprescindível que as escolas adotem medidas eficazes para apoiar as meninas nesse período.

Em resumo, a educação menstrual deve ser uma prioridade nas instituições de ensino, capacitando não apenas as alunas, mas também os educadores para lidar com questões relacionadas ao ciclo menstrual. Ignorar essas necessidades é perpetuar a desigualdade e o sofrimento.

Assim, promover um ambiente acolhedor e informativo nas escolas pode ser um passo significativo para garantir que todas as meninas tenham acesso a uma educação de qualidade, sem interrupções causadas por problemas menstruais. O investimento em educação e saúde é fundamental.

Finalmente, iniciativas que visem aumentar a conscientização sobre a menstruação e oferecer suporte adequado são essenciais para reduzir o absenteísmo escolar e melhorar a qualidade de vida das alunas. Somente assim poderemos avançar em direção a um futuro mais justo e igualitário.

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Juliana Mendes Peixoto

Sobre Juliana Mendes Peixoto

Mestre em Saúde Pública, com foco em bem-estar coletivo e nutrição. Atua em diversas ONGs de apoio comunitário e saúde da família. Apaixonada por ioga, meditação e jardinagem urbana em pequenos espaços residenciais.