Estudo revela que meditação pode alterar o cérebro em apenas sete minutos
09 JUN

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Saúde
Marina Souza Peroni Por Marina Souza Peroni - Há 15 dias
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Um novo estudo, publicado na revista Mindfulness, indica que a prática da meditação pode provocar mudanças significativas no cérebro em um curto período de tempo. Segundo o Dr. Balachundhar Subramaniam, professor de anestesiologia da Harvard Medical School e coautor da pesquisa, essas transformações podem ser notadas após apenas cerca de sete minutos de meditação, atingindo um pico de eficácia que pode durar até 15 minutos.

A meditação, muitas vezes descrita como uma prática que integra mente e corpo, oferece ao cérebro uma pausa do estresse cotidiano. Existem diversas modalidades de meditação, mas o estudo focou especificamente na técnica de observação da respiração. Essa prática envolve permanecer em um estado de calma, concentrando-se na respiração, repetindo mantras ou simplesmente permitindo que os pensamentos passem sem julgá-los.

A popularidade da meditação tem crescido nos Estados Unidos, onde cerca de 20% da população adulta, aproximadamente 60,5 milhões de pessoas, relatou ter meditado em 2022. Pesquisas anteriores já mostraram que essa prática pode ajudar a reduzir a ansiedade, controlar o estresse, aliviar dores e melhorar a qualidade do sono, entre outros benefícios para a saúde mental e física.

O estudo analisou 103 adultos, que foram monitorados por meio de um eletroencefalograma (EEG) enquanto meditavam. Os participantes variavam em níveis de experiência, desde iniciantes até praticantes avançados. Durante a meditação, as mudanças nas ondas cerebrais foram evidentes em poucos minutos. O EEG revelou um aumento nas ondas cerebrais associadas ao relaxamento e à concentração, como as ondas teta, teta-alfa, alfa e beta-1, e uma diminuição nas ondas delta e gama-1, que estão ligadas à sonolência e à dispersão mental.

O Dr. Subramaniam comentou que, ao contrário de outras pesquisas que mostraram aumento da atividade gama em meditadores experientes, o estudo em questão observou uma leve diminuição nessa atividade, sugerindo que a meditação, especialmente em seus estágios iniciais, leva a uma calma mental. Isso se deve ao fato de que os participantes estavam apenas focando na respiração, sem distrações externas.

Essas mudanças nas ondas cerebrais indicam que os participantes estavam alcançando estados mentais mais tranquilos e atentos em poucos minutos. A coativação das ondas teta, alfa e teta-alfa sugere um maior foco introspectivo, proporcionando uma sensação de calma e criatividade. O aumento das ondas beta-1 foi associado a um estado de "alerta relaxado", onde a pessoa se torna mais consciente e focada.

Os pesquisadores notaram que os meditadores mais experientes apresentaram alterações ainda mais pronunciadas nas ondas teta e teta-alfa, além de uma redução maior nas ondas cerebrais delta e gama-1. Isso sugere que, assim como qualquer habilidade, os benefícios da meditação se aprofundam com a prática.

O Dr. Subramaniam também destacou que muitos hesitam em tentar meditar por razões como a falta de tempo ou a dificuldade em controlar a mente inquieta. Contudo, o estudo sugere que, após cerca de sete minutos, a prática da observação da respiração se torna automática. Ele recomenda que iniciantes utilizem meditações guiadas, que facilitam a adoção do hábito em um período de quatro a seis semanas.

Por fim, a pesquisa não apenas demonstra que a meditação pode levar a mudanças nas ondas cerebrais, mas também esclarece como essas alterações se desenvolvem ao longo do tempo. O Dr. Ignacio Saez, diretor do Laboratório de Neurofisiologia Humana da Escola de Medicina Icahn, ressalta a importância desses achados para a compreensão dos efeitos da meditação na saúde mental.

Desta forma, a crescente evidência científica sobre os benefícios da meditação reforça a importância de incorporar essa prática na rotina diária. Os resultados do estudo indicam que, mesmo iniciantes, podem experimentar mudanças positivas em poucos minutos, incentivando a adoção dessa prática.

Além disso, a meditação não deve ser vista apenas como uma ferramenta para reduzir o estresse, mas também como um meio de aprimorar a qualidade de vida e a saúde mental. A crescente popularidade dessa prática sinaliza uma mudança positiva na forma como a sociedade lida com questões de saúde mental.

Assim, é fundamental que mais pessoas tenham acesso a informações sobre a meditação e suas variadas técnicas. A promoção de iniciativas que incluam meditação em ambientes escolares e de trabalho pode ampliar os benefícios coletivos.

Por fim, à medida que a pesquisa avança, é vital que se compreendam os mecanismos subjacentes às mudanças cerebrais associadas à meditação, para que se possam desenvolver abordagens mais eficazes na saúde mental, especialmente em tempos de crescente pressão social e estresse.

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Marina Souza Peroni

Sobre Marina Souza Peroni

Médica endocrinologista e mestre em Bioética Médica. Atua em hospitais da rede privada focada em longevidade e saúde integrativa. Paixão por saúde preventiva. Participa ativamente de um coro coral amador local.